Sem dúvidas João é o mais pretensioso dos apóstolos, com uma aparência toda especial de humildade, todavia negando a eficácia dela – paráfrase bíblica.
João esteve ao lado do Mestre com nítidos interesses políticos e materiais, almejando para si, assim como Tiago seu irmão, posição de destaque junto ao Rabino, quando da instalação do reino terreno, a partir de Jerusalém (Marcos 10:35-37).
Mateus 20:20 coloca que teria sido a mãe de João e Tiago, quem fizera tal pedido a Jesus, como expediente para acertar situações embaraçosas, de interesses políticos e materiais, entre os apóstolos e primeiros cristãos.
Antes de fazer parte do grupo de Jesus, João foi discípulo do Batista (João 1:35-39), também amado [especial] posto como um dos dois que privaram dum momento particularmente extático do Batizador.
João não foi em absoluto aquela passividade e amor, que seus seguidores tentam nos passar através dos livros bíblicos, honrados com seu nome como de sua autoria: evangelho, duas epístolas e a Revelação, também chamada Apocalípse.
João era, como seu irmão Tiago, um Boanerges – terrorista incendiário – e dos ensinamentos dele, após o Pentecostes, se estruturaram os gnósticos – já pré-existentes – para infiltrações na comunidade dos messianistas, com isso a causar o primeiro cisma entre aqueles que um dia seriam chamados cristãos, conforme se vê em Atos 8:9 e seguintes.
De fato Félicien Challaye, em sua Pequena História das Grandes Religiões, às páginas 209, considera ultramarciônico o evangelho segundo João que, “escrito para místicos e platônicos, absorve o Deus do Antigo Testamento no Pai”. Marcion foi um cristão herético, fervoroso discípulo de Paulo, considerado “um dos maiores gênios religiosos da humanidade” – ibidem Challaye, páginas 220.
O Pontifício Instituto Bíblico de Roma, a título de posicionamento cristão, em Notas Explicativas referente Atos 8:10 entende que a referência “esse homem é a potência de Deus, chamada a grande” “é ao certo um termo esotérico da seita de Simão”. . .”Como quer que seja, temos aqui a primeira alusão ao movimento gnóstico, já pré-existente àquele tempo, com suas teorias de potências, eões intermediários entre Deus e o homem e suas genealogias, a cujas infiltrações no ambiente cristão primitivo aludem também [as cartas segundo] Pedro, Paulo e Judas, e que depois recebeu o desenvolvimento máximo nas heresias gnósticas do século II”.
Mas o que nos interessa isso de João Zebedeu?
Com certeza não é desmistifica-lo da aura que lhe emprestam os cristãos, e nem despoja-lo do título ‘o apóstolo do amor’, mas tão somente classifica-lo como igual aos demais companheiros, isto é, imbuído dos mesmos interesses, material e político, para suas aspirações, não hesitando recorrer a expedientes que possam promover contendas e discórdias, com isso minar grupos concorrentes, contrários aos seus interesses.