1. PORQUE O ACREDITO UMA FARSA BEM EGENDRADA
Diz evangelho segundo João, 20:6 e 7,
que: Entretanto chegou também Simão Pedro,
que vinha atrás e, entrando [na sepultura], viu as ligaduras
[faixas] que estavam no chão, e o sudário [lenço]
que estivera sobre a cabeça de Jesus, mas à parte,
enrolado num outro lugar.
O texto de João traz pela primeira vez,
referência correta a respeito do sudário de Jesus.
Sudário é a tradução do grego Sindón,
com significado de lenço de tecido, com o qual se enxugava
suor da face, havendo ainda, em tempos antigos, modelo similar
porém de linho fino, bastante transparente [tipo de véu
ou o próprio], com o qual se cobria a cabeça [face]
de um cadáver, acompanhando-o inclusive à sepultura.
Portanto o que se encontrava na sepultura de
Jesus eram faixas [ataduras] e um lenço e não lençol.
Também não houve, como seria de se esperar, nenhuma
admiração dos visitantes ao túmulo vazio,
quanto alguma imagem de Jesus gravada no lenço que recobrira
sua face; observou-se, no entanto, que o sindón estava
dobrado e posto à parte das faixas que enrolaram o corpo
de Jesus, o que significa cuidados de alguém que antecedera
Pedro e João, naquela sepultura, que provavelmente tenha
sido a Bíblia não diz Maria Madalena,
a primeira a ver o sepulcro vazio (João 20:1). [Hoje algumas
traduções trazem lençóis em vez de
faixas, tendência geral futura para todas versões
chamadas católicas, por razões óbvias].
Depois disto, a história bíblica
se cala com respeito ao lenço e faixas mortuárias
de Jesus, mas, com o decorrer dos tempos, no século VIII,
os judeus já não mais envolviam seus mortos em faixas,
e sim recobriam-no com um lençol próprio para tal
fim.
O lençol com a imagem pressuposta de Jesus,
apresenta resíduos ou amostragens vegetais características
exatamente daquele século VIII. O sudário
aceitamos denominação assim com a imagem
de uma pessoa flagelada, segundo análises científicas,
não vai além de referida datação,
então tida como época de sua fabricação.
A primeira representação sabida
da figura de Jesus, data do século II, no quadro da ressurreição
de Lázaro, na catacumba de Santa Priscila que pertencia,
provavelmente, ao jazigo da família Prudens (1). Naquela
representação, Jesus aparece imberbe, e sua fisionomia
não lembra a de algum semita, nem de um homem acostumado
às rudezas do clima e andanças pelas regiões
palestínicas. Certamente aquela beleza de Jesus expressa
em traços tão delicados, fundamentara-se em Salmos
45, numa pré-figuração do Messias.
Algum artista bizantino, no início do
século IV, sob encomenda ou entendimento próprio,
foi o primeiro a nos transmitir um Jesus barbado, de rudes feições
semitas, sem nenhuma aparência de formosura, conforme descrito
em Isaias 53:2. O rosto sobreposto artisticamente numa espécie
de toalha, é praticamente o mesmo da figura existente no
Sudário de Turim, ou seja, o retrato do Messias sofredor
[flagelado]; todos ícones bizantinos de igual amostragem
derivaram-se desta representação original de Jesus,
conhecida como Mandylon de Edessa
Somente no final do século IV, ainda pelos
bizantinos, optou-se retratar um Jesus novamente aos moldes do
Salmos 45:2. porém acrescido dum expressivo olhar descrito
em Lucas (6:10 e 20, como exemplos), quadro bastante próximo
daquilo que hoje aceitamos como representação ideal
do Cristo.
Mas não podemos nos perder nas representações
de Jesus, pois ao que nos parece, cada artista da antiguidade
ou dos primeiros séculos, desenhava-o conforme aquilo que
encontrava e entendia na Bíblia [evangelhos] e tradições,
como sendo Jesus, e assim temos, conforme Danillo, até
a descrição [reprodução em traços]
de um Jesus quase anão, de não mais que 1,35 metros,
numa provável compreensão de que Zaqueu subira na
arvore para enxergar Jesus na multidão, não porque
ele Zaqueu fosse de pequena estatura, e sim Jesus. Absurdo? Sabe-se
lá, mas quem se referiu àquela obra como retrato
certo de Jesus homem pequeno, ou deu inspiração
ao artista, foi ninguém mais nem menos que santo Efrém
(320-379). Além disto, uma carta do Sínodo dos Bispos
Orientais, de 839, informa também Jesus com 1,35 metros
de altura.
O que nos interessa no entanto, é a figura
representada no Sudário. Seria ela realmente de Jesus ou
um bom desenho da idade média?
Enquanto a fé persistir em cegar a razão,
jamais poderemos negar que o Sudário de Turim retrata mesmo
Jesus, de nada valendo a ciência comprovar o contrário.
Entretanto, como nos é dado direito de expor idéias,
e naquilo que entendemos como verdade dos fatos, ousamos descrever:
- O lençol de linho, no qual acha-se sobreposto
a imagem de um homem flagelado, segundo a Ciência, não
vai além do ano 1290, tudo não passando de realização
humana [quanto a figura], mesmo numa técnica realmente
surpreendente para a época.
- Restos de espécies [pólens de gramíneas]
matéria prima utilizada na confecção
do lençol encontradas não tem anterioridade
ao século VIII; ainda assim uma considerável
distância de quinhentos ou mais anos entre a feitura
do lençol [século VIII] e a elaboração
do desenho [fins do século XIII]. Nada impede, porém,
que um desenho do século XIII tenha sido realizado
em um tecido do século VIII.
- Consta que entre 1296 a 1304, ocorreram exposições
particulares do Sudário em diversas pequenas cidades
da França, sendo que a peça em questão
exposta foi denunciada como fraude, por um bispo católico
francês, que conheceu o falsário e seus motivos
claramente comerciais (cobrança de ingressos para aqueles
que desejassem venerar o sindón ou nele ver impresso
o corpo de Jesus).
- Sem contraditar crenças ou desmerecer tradições,
o Sudário foi considerado pela própria igreja,
como obra humana, e não há como desacreditar
a Ciência que o Sudário é um lençol
confeccionado no século VIII, de matéria prima
originária do Oriente Médio ou mesmo ali confeccionado,
sendo a figura nele exposta, sem anterioridade além
do ano 1296.
- A Igreja Católica Apostólica Romana
jamais reconheceu, oficialmente, o Sudário como estampa
legítima do corpo de Jesus, embora também nunca
tenha impedido que os fiéis a considerassem.
- Até os anos 1970, falava-se em dois santos
sudários, um em poder dos católicos romanos,
chamado Sudário (Sindón) de Turim, outro sob
guarda dos ortodoxos, conhecido como Mandylon (Manto) de Edessa.
O início dos estudos na peça guardada em Turim,
a partir de 1978, com autorização do Vaticano,
como que apagou da memória ocidental o sudário
oriental, a partir de então considerado apenas réplica.
- Realmente a figura estampada no sudário, é
bastante semelhante aos ícones bizantinos de como seria
Jesus; nestas circunstâncias, a representação
no lençol de Turim, no que diz respeito a face pressuposta
de Jesus, às exceções das moedas sobre
as pálpebras, em nada diferencia-se de um lenço
conhecido como Mandylon (Manto) de Edessa, (cidade bizantina
hoje denominada Urfa, na Turquia) surgido no século
IV, a partir do qual Jesus deixa de ser o imberbe belo e de
penteado romano, para adquirir características semíticas
rudes e de barba.
- A relíquia Mandylion de Edessa é considerada
mais uma representação artística de Jesus,
mas durante muitos séculos acreditou-se que era a face
sua real, estampada no lenço que Verônica enxugara
o suor do Rabino, quando numa de suas pausas a caminho do
Calvário.
- Muitos pesquisadores desvinculados de credos religiosos
tem como certa que o Mandylon de Edessa tenha realmente servido
de modelo para a confecção do Sudário.
- O Mandylon de Edessa visto por muitos como o próprio
sudário, roubado pelos templários (ficando uma
réplica em Edessa ou em Bizâncio), fundamenta-se
em lendas justapostas de que Jesus enviara ao soberano Abgar
V de Edessa, um retrato seu estampado, milagrosamente, numa
toalha em que enxugara seu rosto, que alguns colocam como
a peça [lenço] que Verônica se valera
para confortar o Mestre, outros que na realidade tratava-se
mesmo do lençol mortuário de Jesus, que Teúdas
[o apóstolo Judas Tadeu] levara para Edessa, onde os
guardiães o dobraram e expuseram-no num relicário,
a ficar visível apenas o rosto.
- Pela tradição, o lençol saiu
de Edessa em 1306 com destino a França, pelo templário
Jacques de Molay, ficando uma réplica naquela cidade.
- Do ano 30 até sua retirada de Edessa, a relíquia
passou por uma série de acidentes: fogo, roubo, além
de objeto de negociação de paz entre mulçumanos
e cristãos ortodoxos. Não há registro
digno de nota quanto a ocorrência de algum tipo de milagre,
estando o próprio sudário como verdadeiro e
único milagre.
- O sudário esteve nas mãos dos templários
até 1314, quando estes foram praticamente exterminados,
vindo o objeto ressurgir em 1356, nas mãos de Geoffrey
de Charny, religioso francês, descendente de um militante
templário. Doado à Igreja de Lirey, o lençol
é exposto em público, pela primeira vez como
peça religiosa autêntica, em 1357.
- Para os estudiosos, tanto o Sudário de Turim
quanto os Cristos Pantocrator [Todo Poderoso],
do Egito (notável pintura do século VI, no mosteiro
de Santa Catarina) e o da Grécia (mosaico bizantino,
do ano 1100, na cúpula do mosteiro de Dafne), tiveram
um mesmo e único modelo original de face, um provável
ícone bizantino, que muitos insistem ser o Mandylon
de Edessa.
- De fato consta que na utilização de
técnicas de superposições de imagens,
há entre os rostos do Pantocrator Egípcio e
do Sudário de Turim, o impressionante número
de cento e setenta pontos de congruências entre eles
(2). Impressionam também o Pantocrator de Dafne comparado
com o Sudário de Turim, com mais de duzentos e cinqüenta
pontos harmônicos (3).
- Imagens tridimensionais das faces identificam correlações
e proporções de traços fisionômicos,
tendo o Mandylon de Edessa como provável modelo, por
ser o mais antigo deles todos, já conhecido [historicamente]
desde o século IV.
- Os especialistas não acreditam nalgum outro
quadro semelhante, anterior ao Mandylon, pois que somente
a partir dele a arte bizantina passou a retratar Jesus com
as características semitas e rudezas de traços,
num homem acostumado aos rigores do clima palestínico.
2. O QUE NOS DIZ EXATAMENTE O SUDÁRIO
DE TURIM?
Desde 1898, quando fotografado por Secondo Pia,
o lençol mais conhecido como Sudário de Turim, tem
sido o artefato mais estudado em todo o mundo, ainda distante
de conclusão, afinal a imagem nele retratada é ou
não Jesus?
Com o sucesso da clonagem com ovelha Dolly, um
outro motivo tem aumentado sobremaneira o interesse pelo Sudário:
é possível um clone de Jesus a partir da amostragem
do sangue que, segundo informam, acha-se impregnado no lençol?
Sabe-se de pelo menos uma seita religiosa que
já se prepara para trazer Jesus de volta ao mundo, inclusive
com o preparo de uma virgem. Lógico que se a relíquia
é pertence católico, difícil será
para alguma seita deitar-lhe mãos com aquelas intenções;
se possível e de interesse, Jesus nasceria evidentemente
no meio católico, isto é, desde que o Sudário
seja sua autêntica figura e possível a coleta de
DNA.
Do ponto de vista investigativo, o Sudário
é um lençol surrado, de 4,36 [altura] por 1,10 metros
de largura, guardado em Turim [pela Igreja Católica], que
apresenta dupla imagem, ventral e dorsal, de um homem em tamanho
natural [1,80 metros], nu, de porte atlético [pelo menos
musculoso], com idade entre trinta e trinta e cinco anos, peso
aproximado [calculado] de oitenta quilos. A imagem vista não
deixa dúvidas, por qualquer especialista, tratar-se de
um homem semita, visto traços fisionômicos, barba
e cabelos.
Depois dum sem número de testes, a maioria
dos especialistas cristãos [vinculados à Igreja
Católica Apostólica Romana], descartaram a possibilidade
de falsificação. Segundo eles, tão somente
o método de datação C-14 contestou a autenticidade
da peça, não sem razões porém: o calor
excessivo que a peça esteve submetida em algumas ocasiões
como o fogo que lhe esteve próximo, o outro que atingiu-lhe
partes, e um terceiro [em 1999] que somente não o consumiu
por estar ele guardado num recipiente próprio; além
disso, também a contaminação de manuseio
que o pano tenha sofrido, o que sem dúvidas influenciaram
resultados de datas.
A opinião cristã ocidental, mesmo
entre os não católicos, abraça semelhante
consideração. Detalhes outros no entanto, saltam-nos
à vista, evidenciando o Sudário como real falsificação,
grosseira por sinal, a despeito de inusitada técnica artística
para a época medieval.
O grupo internacional designado para estudar
o Sudário, com autorização da Igreja [detentora
da relíquia], a partir de 1978 concluiu pela fraude, ou
seja, a peça não tinha anterioridade ao ano 1296,
sendo realização artística humana. Partes
coletadas do Sudário são ainda estudas até
hoje.
Vejamos algumas confrontações na
figura vista na peça, tida como medida real de um homem
de 1,80 metros, onde todavia observam-se:
I A cabeça é pequena em
relação ao corpo, distante da proporção
1/8, o que seguramente determina que ela não pertenceria
aquele corpo caso não realizada por mãos
humanas ou, se realmente dele e aí, mesmo que
posta assim pela vontade de algum artista, trata-se de uma pessoa
com cabeça desproporcional ao restante físico;
é bastante provável que o artista tenha copiado
a face de algum modelo [pintura anterior], e depois tenha acrescido
o corpo, com visível erro anatômico.
II Braços musculosos, tórax
bastante largo assim como as costas, e cintura proporcional
aos quadris, às coxas, pernas e pés, lembram bastante
o vigoroso porte atlético de um gladiador bem treinado,
e nada de algum semita ainda que acostumado às mais pesadas
atividades braçais, que aliás também não
era aquilo que Jesus fazia.
III A postura do subentendido cadáver,
não é própria para um judeano [judeu, galileu
ou samaritano] e nem acha-se posto num lenço de conformidade
com o descrito em João 20:7. Tem-se ainda que, as mãos
de um morto postas sobre a genitália, era costume próprio
da idade média, mas não dos tempos de Jesus.
IV Os braços da imagem vista, dos
ombros às mãos, se colocados acompanhando o corpo,
quase atingem os joelhos, detalhe anatômico inconcebível
na espécie humana [normal], e que se tal viesse ocorrer
em algum homem, certamente este seria corcunda, o que não
acontece com a figura do Sudário, quando observada pelas
costas.
V Segundo especialistas a imagem vista
no lençol, como cor mais escura, a tinta é substância
de moluscos do gênero siba, com misturas de ocre [vermelho
e vermelhão] e pelo menos um pigmento de mercúrio,
dissolvidas em colágeno cola de origem animal
em nada diferente daquilo utilizado pelos artistas da
idade média.
VI Não foi detectado sangue em
nenhuma das partes do lençol, mas sim a presença
de óxido de ferro, hematita e sulfeto de mercúrio,
nas partes indicativas de sangramento, ou seja, o artista valeu-se
do uso de elementos inorgânicos na composição
de sua tintura, para ilustrar sangue nas feridas.
VII Para aqueles que aceitam tese de originalidade
do Sudário, pela pesquisa dos cientistas texanos, a não
ser pela fé, aquela [pesquisa] foi descaracterizada pelo
próprio Cardeal de Turim [Dom Giovanni Saldarini], pois
tais cientistas aventuraram-se nos campos daquilo que possibilitaria
ser ou não ser, como por exemplo, o calor e o manuseio
da peça de Turim poderia ou não ser afetada para
resultados de datação C-14; sem acesso direto
ao objeto em questão, dizem que foi sim afetado, da mesma
maneira que a presença de ferro na tinta vermelha a faz
obrigatoriamente transformar-se em sangue.
VIII Pesam ainda contra os pesquisadores
texanos, que seus trabalhos firmam-se em amostragens de segunda
mão, além de intenções parciais
de resultados firmados na fé, onde se não dispostos
a resultados pré-concebidos, no mínimo fundamentados
em pontos polêmicos.
IX A imagem perceptível no lençol
é bem mais própria das figurações
da idade média, e em nada representa típicos do
século I.
Referências e Notas Explicativas:
1 Citação de Danillo Nunes (página
123, Judas Traidor ou Traído, obra citada em partes diversas
de nosso trabalho) além de outros estudiosos
2. Alan Whanger, da Universidade de Durham
Carolina do Norte/EUA citação revista
Galileu
3. Mesma fonte acima [2].
4. Renato Sabbatini - O sudário e a
ciência p/ INTERNET