Marcos, o primeiro dos evangelhos,
engrandece a presença de Jesus perante o Batista, numa afirmação
que o batizador aguardava sem dúvidas o início do
ministério de Jesus:
Após mim vem aquele que é mais forte do que
eu, ao qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia
de suas alparcas Marcos 1: 7.
No evangelho João 1:29-30 e seguintes, diz que João
Batista reconhece o Cristo em Jesus, e o aponta a dois dos seus
discípulos, André e João, como o esperado
para a libertação de Israel; os condiscípulos
tornam-se apóstolos de Jesus (João 1:35-41).
Mateus 11 e referências atestam que o batizador não
estava nada convicto disso: És tu aquele que haveria
de vir, ou esperamos outro?
Os demais evangelistas igualmente diminuem a importância
de João Batista diante de Jesus. João, todavia,
não abandona seu ministério, João 3:23, como
seria de se esperar; ao reconhecer a superioridade do ministério
de Jesus, de imediato deveria cessar o seu, o que evidentemente
não veio a fazer.
Apesar de todas tentativas dos copistas e tradutores evangelistas
em contrário, Jesus foi seguidor do Batista por um bom
período de tempo, João 3:26, a ponto de receber
influências daquele em seus primeiros discursos.
O discurso de João (Mateus 3:2): E dizendo: Arrependei-vos,
porque é chegado o reino dos céus, é
igual ao de Jesus no início de seu ministério: Desde
então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos,
porque é chegado o reino dos céus conforme
Mateus 4:17.
Jesus herdou de João Batista também a prática
do batismo (João 3:22 e 26). O mesmo evangelho de João
(4:2), no entanto diz que Jesus não batizava e sim seus
discípulos, o que parece não ter importância
alguma, mesmo que uma situação venha contraditar
outra; o texto referido evidencia que Jesus e Batista concorreram
entre si (versos 22 e 23 de João 3).
Entre os discípulos de Jesus e João as disputas
parecem constantes, sobre quem fazia mais seguidores, celeuma
que viria prolongar-se por todo primeiro século.
Há indícios bíblicos que Jesus separou-se
de João por questões doutrinárias, acerca
da purificação (João 3:25) e do jejum (Mateus
9:14). Também a omissão do Batista em identificar-se
como Messias, ou mesmo um dos profetas, trouxe-lhe queda de popularidade
agravada sobremaneira com a prisão, o que facultou a ascensão
de Jesus, sem dúvidas carismático e bom pregador,
dono de um magnetismo bastante influidor junto às massas.
As curas de Jesus são sobre necessitados psicossomáticos
e de outras doenças psicológicos histeria,
esquizofrenia, etc. Parece ser isto o mínimo que se esperava
de um pegador (Mateus 15:27), embora o Batista jamais tenha curado
alguém, segundo narrações.
Se João Batista não renunciou seu ministério
em favor de Jesus, isto implica em não reconhece-lo
Messias; mesmo preso e apesar da fama crescente de Jesus, João Batista
não o aceita como Messias, nem libera seus discípulos
para segui-lo.
O Batista encontrou a morte sem jamais haver reconhecido messianismo
algum em Jesus, mas certamente a entender que seu antigo discípulo,
fora bem mais longe que imaginara, com aquela de exercer ministério
ambulante, indo às pessoas onde estas se encontrassem,
enquanto o dele, João, era fixo, o povo interessado tinha
que deslocar-se até ele, algo muito mais complicador.
As andanças do grupo de Jesus tiveram início a
partir da prisão de João Batista, o que implica
dizer que o medo [da prisão e morte] foi a razão
maior para aquela opção que resultou num tremendo
êxito.
Outra razão do sucesso de Jesus sem dúvidas foram
os milagres, que João jamais soubera ou não quis
fazer.
Jesus tentou ganhar adeptos do Batista com a morte deste, além
dos que conquistara quando o batizador em vida, louvando suas
qualidades de profeta, e que dos nascidos de mulher não
havia nenhum maior que ele, João Batista [Mateus 11:11].
Tão próximos eram os ministérios de Jesus
e João, que para muitos, inclusive Herodes, Jesus era o
João Batista ressuscitado (Marcos 3:14-16 e referências).
Também Jesus ofereceu aos seus seguidores iniciais, compensações
terrenas (Marcos 10:29 e 30). O sentido espiritual atribuído
à sua obra somente viria ocorrer nos séculos III
e IV, com Orígenes, Jerônimo e outros grandes nomes
da Igreja, quando lhe foi dado o papel de Messias sofredor e seus
milagres enquadrados em Isaias 35 e citações, por
referências, nos evangelhos.
Os apóstolos e discípulos também esperavam
compensações terrenas mais a libertação
pátria. A passagem bíblica dos dois discípulos
no caminho de Emaús, reflete o pensamento dos messianistas
[seguidores de Jesus]: E nós esperávamos que
fosse ele o que remisse Israel Lucas 24:21.
Atos 1:6, não deixa dúvida daquilo que pretendiam
os discípulos: És tu que restaurarás
o trono em Israel?, da mesma maneira que Jesus deixa bastante
claro (Marcos 10:29 e 30) que estaria ainda a oferecer-lhes compensações
materiais.
O messianismo encarnado por Jesus, não só caracterizava-se
de libertação quanto terreno, com a restauração
do trono de Israel. É impossível acreditar que qualquer
judeano ou estrangeiro que fosse, em Israel na época de
Jesus, concebesse a libertação de Israel, expulsão
dos inimigos e instalação do reino de Yavé,
como algo espiritual, inteiramente ou apenas em parte; também
era impossível a admissão de um Messias Libertador,
que viesse agir apenas com intervenção de Deus.
Jesus não ignorava nada disso, assim como seus seguidores,
todos portanto envolvidos numa campanha político-religiosa,
que não poderia ser diferente, em se tratando de Israel.
Nos seus últimos dias, ainda no auge do sucesso quando
a campanha mostrava-se possivelmente vitoriosa, com adesão
totalitária das massas populares, Jesus começou
ter conflitos com seus seguidores mais íntimos.
A razão da discórdia era simples: Jesus havia se
sustentado durante quase um ano de ministério ambulante
(Mateus, Marcos e Lucas, enquanto por João, três
anos), às custas dos pobres e colaborações
secretas de pessoas de posses, pelas suas mulheres e alforriados
(Lucas 8:1-3), pois que era rejeitado em público pelos
ricos; todavia quando a campanha estava prestes sair-se vitoriosa,
Jesus foi procurado e voltou-se justamente para aqueles ricos,
aceitando-os agora em sua companhia, numa descarada negociação
político-financeira [ou aceitação de colaboradores
adesistas de ultima hora].
Historicamente é impossível comprovar a existência
de algum homem deus, deus humanizado ou situações
do gênero, na face da terra. Jesus Cristo a exemplo de outros
tantos divinizados, também não tem historicidade
comprovada, sem dúvidas tratando-se de personagem mítica.
O estudo em pauta [e subdivisões] fundamenta-se tão
somente nas escrituras cristãs, em torno de uma figura
materializada que os credos insistem torna-la espiritual. Apenas
pelas Escrituras fundamentamos historicidade de Cristo e seus
seguidores mais próximos.
Nenhum dos apóstolos de Jesus teve melhores condutas que
Judas; todos que se aproximaram do mestre, aqueles de primeira
linha e chamados, o fizeram tão somente por interesses
materiais e de poder político.