Tamanho da fonte    
9. “E Jesus passando adiante dali, viu um homem que se chamava Mateus, assentado na alfândega” (Mateus 9:9)

Mateus Levi, era publicano em Israel, o que eqüivale dizer cobrador de impostos e responsável pelos serviços aduaneiros, entre outras atividades próprias da função, a favor dos romanos, portanto nada que fazer em companhia dum bando inexpressivo de galileus, políticos exaltados, sempre em caminhadas incertas de um lugar para outro, como se em fugas constantes ou para despistar e fugir de perseguidores.

Senão por interesses políticos, e seu ato de seguir Jesus bem o demonstra, Mateus não foi nenhum bom convertido religioso, vista quando, em vez do arrependimento pela vida de exploração ao próximo que levara até então, promove grande festa de despedida, com outros publicanos e autoridades (Lucas 5:29), como a apostar no êxito da missão libertadora à qual se engajara, por deferência especial de Pedro, embora já conhecesse Jesus desde tempos do Batista.

O que levaria o empresário [pescador] Pedro relacionar-se com o odiado Mateus cobrador de impostos, a ponto de ambos participarem duma mesma tão arriscada jornada?

Embora detestado pela população produtiva de Israel, especialmente de Cafarnaum onde era autoridade fazendária, Mateus sem dúvidas tinha todo aquele prestígio que o dinheiro pode ofertar, posto ser rico, além de contatos com gentes mais poderosas e autoridades diversas, enfim um homem estudado e bem relacionado, o que fazia dele espécie de embaixador do Nazareno e seu grupo.

Foi certamente pelo prestígio de Mateus e os recursos financeiros, investidos por ele e seus amigos, para o sucesso da campanha de Jesus, que Pedro deferiu seu ingresso junto ao seleto círculo do Rabino, evidenciando a materialidade consubstanciada da ambição de ambos.

Tanto Pedro quanto Mateus, evidente Mateus muito mais, apostaram num grande negócio, optando pelo incerto triunfo da empreitada, desde que deixaram a segurança de seus empregos.

Pedro, empresário da pesca, decepcionado com o destino final do Mestre, retornaria àquilo que era seu (João 21), para novamente abandonar, aí sim definitivamente, a profissão de pescador. Por seu lado, Mateus perderia toda a segurança que o emprego lhe dera, provavelmente conquistada pelo dinheiro ou pelo prestígio, senão ambos.
 Voltar     Imprimir
DESENVOLVIMENTO E HOSPEDAGEM DE WEBSITES