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8. “Ora Tomé, um dos doze, chamado o Gêmeo. . .” (João 20:24)

Tomé é um o apóstolo conhecido muito mais pelo seu gesto de incredulidade quanto à ressurreição de Jesus, que por quaisquer outras obras pessoais.

De Tomé, algo porém nos chama atenção quanto ao seu cognome: Dídimo (João 11:16) com significação de Gêmeo. A Bíblia não nos dá nenhum esclarecimento do porque ser Tomé chamado de Gêmeo, e alguns estudiosos – nada sérios evidentemente – referem-se até que ele seria irmão idêntico de Jesus.

Para entendermos o porque daquele chamamento, encontramos resposta apenas no apócrifo conhecido como ‘O Evangelho Segundo Tomé, o Dídimo’ (8), cuja justificação [intróito] diz: “São estas as palavras secretas que Jesus, o Vivo, proferiu e que Tomé, Gêmeo de Judas, escreveu:” (9)

A lógica nos indica que esse tal Judas, gêmeo de Tomé, devia ser alguém bastante conhecido e importante para simplesmente ser citado nominal, sem necessidade de nenhuma outra referência para época, o que nos permite concluí-lo uma das personagens, Judas ou Teudas, certamente o mesmo que servira de inspiração a Lebeu.

Citações acima poderiam parecer vagas, não fosse uma referência bíblica quanto ao caráter revolucionário e coragem de Tomé: “Vamos nós também e, [se preciso], morramos com ele” (João 11:16). As palavras de Tomé ocorrem num momento de discussão entre os apóstolos e Jesus, quanto a viabilidade ou não de se caminhar até Betânia, onde Lázaro, amigo pessoal do Rabino, estava enfermo, e as discussões davam-se porque os judeus pretendiam matar o Mestre, ou faze-lo prisioneiro. O ‘vai não vai’ acalorado provocou adiamento, de dois dias, para viagem do grupo em direção a Betânia.

Uns ‘entendidos’ referem-se a ocorrência gramatical, que permitiria duas interpretações de referido versículo, tanto com significado de ‘morrer assim como morto estaria Lázaro’, ou ‘morrer com Jesus, se necessário, nas mãos dos inimigos’. O texto é de fato demonstração da coragem de Tomé, mesmo diante às perseguições e ‘aos perigos por parte dos judeus’ em relação a Jesus e os seus (10), conforme comprovam antigos manuscritos (11).

Então Tomé tinha consciência daquilo que o esperava dentro do grupo de Jesus, onde possíveis confrontos armados ou ataques de guerrilhas, não seriam novidades ou coisa para se temer diante de inimigos, tanto os entreguistas quanto os dominadores, afinal já fora treinado e certamente veterano em enfrentamentos da ordem, quando militante nos campos de batalha, junto a seu irmão gêmeo.

Também, Tomé não acreditar no Mestre ressuscitado seria bastante compreensivo e justificável, afinal seu gêmeo fora também um Messias que, uma vez morto, jamais retornara ao mundo dos vivos.

Notas
(8) - Apócrifos – Os Proscritos da Bíblia – Editora Mercuryo – 1989, páginas 317 e seguintes, transcreve referido Evangelho compilados por Maria Helena de Oliveira Tricca.
(9) - Tradução livre pelo autor, respeitando-se usos e costumes da época quanto às nominações individuais. Oras, a Bíblia não menciona nenhum Judas (Teudas, Tadeu, etc) Tomé, e quando identifica Tomé o faz dizendo ser ele Gêmeo e aí, de quem, infelizmente o copista omitiu no livro canônico, ninguém o fazendo porém no apócrifo, cujos textos mais antigos já seriam conhecidos no século III, nos papiros de Oxyrhynchus – referência esta da obra acima descrita (8).
(10) - PIBR (Bíblia) – Notas Explicativas, página 1346/A
(11) - Tratam-se de cópias, posto nenhum original bíblico [Antigo e Novo Testamento] chegou até os dias atuais.

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