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RAZIAS
INCURSÕES PREDATÓRIAS EM TERRITÓRIOS INDÍGENAS DO VALE PARANAPANEMA

ADENDAS

1. DO LENDÁRIO JOSÉ THEODORO DE SOUZA - FOTOS

A região oeste de São Paulo, adiante de Botucatu, tem história civilizacional a partir de 1847, quando José Theodoro de Souza fez o primeiro reconhecimento desde as cabeceiras do rio Pardo à sua barra no Paranapanema e deste até ao ribeirão das Anhumas, pelo divisor do Vale do Peixe.

De 1851 a 1856, dentro de referido território, o pioneiro fez as localizações de todos rios afluentes dos principais tributários do Paranapanema, para fins de registro paroquial das terras sem ocupações primárias realizado aos 31 de maio de 1856, na localidade de Botucatu.

Repassadas as terras entre o rio Tietê e Paranapanema, desde Avaré [Rio Novo] às margens do rio Turvo, anos de 1851 / 1856, o pioneiro repartiu o restante da propriedade em três grandes glebas, a saber, do Turvo ao Pari-Veado, do Pari-Veado ao rio Capivara, e deste ao ribeirão das Anhumas, pondo terras a venda, gradativamente, conforme a procura, incrementada desde a Guerra do Paraguai.

Em 1870 Theodoro colocou a venda terras a partir do rio Capivara, concentrando-se maiores procuras na região de Conceição de Monte Alegre, nas imediações dos rios São Mateus, Capivari, Sapé, Alegre e Água das Mortes.

Dentre os tantos arranchamentos naqueles lados do hoje município de Paraguaçu Paulista, destaca-se o de José Theodoro de Souza Junior – filho do pioneiro e conhecido por Theodorinho, na Água das Mortes, visto nesta cópia de foto (1).

Não se pode falar da conquista do Vale Paranapanema – oeste paulista, sem fazer aparecer o nome de José Theodoro de Souza, figura aqui vista numa raríssima cópia de foto (2), onde sentado entre o filho Theodorinho, à direita, e dois jagunços à esquerda. A foto original é anterior a 1875 – ano da morte do pioneiro.

Às exceções do Professor José Magalli Ferreira Junqueira, autor da obra "Santa Cruz do Rio Pardo - Memórias - Subsídios para a história de uma cidade paulistana", e de Alexandre Chitto - "Lençois Paulista Ontem e Hoje [edição de 1972]", nenhum outro historiador menciona, nem aparece em qualquer documento oficial paulista, o casamento de José Theodoro com dona Maria José.

Segundo Certidão abaixo (3) o casamento existiu, mas dele nada se sabe até o momento, nem se aconteceu algum filho de referido consórico.

2. GENEALOGIA [MATERNA] DO AUTOR

Conhecidos os ascendentes do autor, pela avó paterna, coloca-se à disposição sua genealogia materna, a principiar pela figura principal da mãe, Maria de Lourdes Freiria [Prado] filha de Salvador Henrique da Freiria e de Maria Severina de Jesus. 

Salvador Henrique nasceu de Antonio Henriques Cardoso e de Messias Baptista da Silva. O casal teve nove filhos, seis com sobrenome Henrique Freiria, um Henrique Malta, um Henrique Pio e um Silva. Não consta nenhum registro Henriques, conforme grafia e assinatura do pai.

O sobrenome Henriques Cardoso trata-se de patronímico, filhos de Henrique, seguido de toponímico, chão cheio de cardos – terreno cardoso. Henriques e Cardoso, associados ou, são sobrenomes comuns a judeu-ibéricos. Igualmente, alguns judeus – cristãos novos adotaram sobrenome Silva – região das silveiras, antecedido de Baptista – a identificar batismo ou batizado.

Dos sobrenomes dos filhos de Antonio Henriques Cardoso e Messias Baptista da Silva, ao Malta pretende-se a condição social da família em Portugal; Pio indica devoção – situação de cristão novo; Silva uma homenagem à família da mulher; enquanto Freiria uma referência à Freguesia de igual nome em Torre de Vedras, Portugal, de onde vieram os antepassados, certamente entre as famílias judias registradas em Minas Gerais, como cristãos novos, no período de 1712 e 1763 (1)

Estudos indicam que as famílias Henriques, Cardoso e Baptista Silva, provenientes de Portugal, tem histórias no Brasil desde o período colonial, estabelecidos principalmente em Minas Gerais, por exemplo, os Henriques residentes em Pitangui, onde também os judeus portugueses, Pereira da Cunha, Rodrigues, Roiz [Ruiz], Nogueira, Silveira e Bicudo. Para os lados de Ribeirão do Carmo [Mariana] residiam os Cardoso, Miranda, Almeida de Sá, Dias Fernandes, Rodrigues Pinto, Roiz [Ruiz], Pereira Chaves, Oliveira Mattos, Pereira da Cunha, Mendes. Em Minas de Arassuahi [Araçuaí], são identificadas as famílias judias: Fernandes Pereira, Costa e Silva e Henriques (2).

Maria Severina de Jesus, mulher de Salvador Henrique da Freiria, era filha de Antonio Feliciano Terra e de Lúcia Severina da Silva.

Antonio Feliciano Terra, nascido no ano de 1888 em Conceição de Monte Alegre [hoje Distrito de Paraguaçu Paulista], de Sérgio Feliciano Terra e Adelina Inocência de Carvalho [ou Nogueira].

Sérgio Feliciano Terra nasceu de Antonio Feliciano Terra [o avô] e Ana Severina Nogueira. Adelina, mulher de Sérgio, era filha de Severino de Souza Nogueira e de Cristina Nogueira de Almeida, com a seguinte ascendência:.

  • Severino de Souza Nogueira era filho de Severino de Souza Nogueira e Simplires Generosa da Silveira.  Cristina Nogueira. Cristina era descendente de Joaquim Romualdo de Almeida e Hypolita Josefina Nogueira.
  • Hypolita Josefina Nogueira, filha de Antonio Feliciano e Ana Severina, portanto, irmã e sogra-avó de Sérgio.
  • Severino de Souza Nogueira, marido de Simplires, era filho de João de Souza Nogueira e de Maria Teodora Monteiro de Barros.
  • João de Souza Nogueira e sua mulher Maria Teodoro Monteiro de Barros eram pais, também, de Maria Teodora Monteiro de Barros que foi casada com João Nepomuceno Terra.

Antonio Feliciano Terra e Ana Severina Nogueira, avós de Antonio Feliciano Terra, são filhos dos irmãos Manoel Francisco Terra [ele] e João Nepomuceno Terra [ela], descendentes de Manoel Francisco Terra, nascido em 1745 – Prados [MG], filho do português Domingos Francisco Terra e de Isabel Pires de Moraes – nascida em Guarulhos – SP. .

Manoel Francisco Terra, no ano de 1769, na Ermita de São Bento [antigo município de Lavras – MG], casou-se com Ana Vitória de Jesus, natural de São João Del Rey, filha do Capitão Domingos Rodrigues Barreiros e de Jacinta Bernarda da Conceição. Tiveram nove filhos, e o testamento de Manoel, datado de 1809, se encontra no museu de São João Del Rey.

A família de Manoel Francisco Terra e Ana Vitória de Jesus se estabeleceu no município de Carrancas, no antigo local Sertão Dourado depois Fazenda dos Terras. Às exceções de João Nepomuceno Terra e Manoel Francisco Terra, os demais filhos e descendentes se espalharam por diversas localidades de Minas Gerais, por exemplo, Carrancas, Luminárias e Formiga,

Por volta do ano de 1800, os irmãos João Nepomuceno e Manoel Francisco emigraram para os sertões de São Paulo, entrando por Casa Branca e Cajurú, ficando seus parentes pelos municípios de São Simão, Franca, Cravinhos, Mococa, Ribeirão Preto, Igarapava, Itapetininga e São Miguel Arcanjo. Na década de 1870 alguns membros da família estavam contados entre os pioneiros na região de Conceição de Monte Alegre.

O histórico da família de Antonio Feliciano Terra, bisavô do autor, foi obtida graças ao brilhante trabalho e gentileza de Antonio Galvão S. Terra, através de correio eletrônico e do sítio http://www.familiaterra.com.br.

3. O SANTO MENINO DA TÁBUA

A história religiosa de Antonio Marcelino, o “Menino da Tábua” – também conhecido por Toninho, consta originária de Pitangueiras, depois Nossa Senhora do Patrocínio e, por fim, Maracaí, interior de São Paulo, no final do século XIX ou início do XX, nascido prematuro [7 meses], porém aparentemente normal. Seus pais eram humildes lavradores, e teve outros irmãos sem anomalias físicas. Foram os seus pais, Sebastião Rodrigues de Oliveira e Geraldina Maria de Jesus.

Desde logo os pais perceberam que a cabeça do menino desenvolvia normalmente, mas o corpo não crescia na mesma proporção, por certo portador de alguma de deficiência física pouco esclarecida.

Outro fato observável e comentado, menino se agitava muito se posto numa cama, rede ou qualquer outro lugar, num choro sofrido e continuado, só a se aquietar sobre uma tábua de lavar roupa, que parecia melhor se adaptar ao seu corpo disforme. Alimentava-se apenas de leite e água.

A família era bastante religiosa, e já em vida Antonio Marcelino realizava vários milagres de cura, até sua morte aos 45 anos de idade, às 18,00 horas do dia 31 de agosto de 1845, conforme Certidão de Óbito [nº 3073], e que a tradição diz ser em igual dia e hora que Toninho nascera quarenta e cinco anos antes. O corpo de Toninho foi conduzido naquela mesma tábua que lhe serviu durante quase meio século, e com ela foi sepultado.

A tradição também diz que Antonio Marcelino jamais viu a luz do sol, porque não saía de um quarto escuro. Reza a lenda que ele jamais usou roupa, mesmo em tempos de rigoroso inverno e recusava até coberta sobre o corpo. Se o colocasse vestido à força, misteriosamente desfazia-se das roupas sem ninguém perceber.

São muitos os ditos milagres do Menino da Tábua, todavia a Igreja observa tudo isso com bastante cautela. Se não os aceita oficialmente, da mesma forma não impede a lucrativa peregrinação de fé popular, uma verdadeira romaria de pedintes de graças, ou de agradecidos, diante de seu túmulo.

Não se discute fé. Se a entendêssemos e bem pudéssemos dimensioná-la, deixaria a crença de ser fé para tornar-se Ciência.

Esse é o resumo daquilo seria a história do Menino da Tábua, que há décadas tem sido atração religiosa para romeiros de todo o Brasil e até do exterior [Paraguai e Argentina], que nos fins de semanas e feriados agitam a pequena Maracaí, para muitos a cidade do consolo espiritual.  

Na capela, onde jaz sepulto o Menino da Tábua, e na Sala das Bênçãos [ou dos Milagres] estão expostos muitos objetos, fotos e presentes que a ele são dedicados como forma de agradecimento testemunhal.  Ali constam relatos que provam curas miraculosas e muitos pensam requerer do Vaticano, seja concedido, ao Menino da Tábua a honra de Servo de Deus, já com vistas à Beatificação pela constatação de pelo menos um milagre comprovado pela Medicina – dizem,  na pessoa de uma enfermeira da cidade de Assis, curada de câncer após pedido ao Menino da Tábua.

Os mais antigos da região, obviamente não católicos e nem crédulos aos feitos de Antonio Marcelino – em vida e em espírito, dizem que tão logo o menino apresentou os primeiros sintomas de deformidade física, o Padre Francisco José Seródio imaginou transformar aquele sertão num pólo religioso, ao perceber que o menino tinha certa tendência para obediência e atos programados. Ensinou-o, então, comunicar-se com o mundo exterior sem excessos, apenas aquilo que realmente fazia comover os observantes.

Teria sido Seródio o primeiro a divulgar milagres de Marcelino, naqueles tempos em que sacerdote era obrigado a saber um pouco de tudo, inclusive das artes de curar, e ele tinha o seu Chernoviz bom o suficiente para curar certas moléstias sem precisar de médicos, e o padre aplicava seus conhecimentos com medicamentos mais ou menos seguros, que devidamente foram colocados presença do Menino da Tábua.

A tradição do menino que recusava vestimentas sobre o corpo, conta os antigos céticos, também foi artimanha de Seródio ao observar que o menino não reagia a beliscões, calor ou frio, para assim deixa-lo num lugar mais escuro ou à meia-luz, próximo de uma parede, onde bastava mover um tirante de sob a tábua para tirar a coberta, lençol ou túnica de sobre o menino.  

Quando Seródio permanecia na região, o Menino ficava na Sacristia de sua Igreja; quando não presente deixava o pequeno com os pais, devidamente instruídos para uma peregrinação regional, promovendo rezas e a angariar donativos que Antonio Marcelino retribuía sempre num tartamudeado DEUSOVANÇOE – Deus abençoe.. Nestas saídas Toninho permanecia sempre sobre a tábua, no assoalho do carro de boi ou de um carroção, porém vestido, e aí não tirava a roupa para não mostrar as vergonhas.

Anos depois, já morto Seródio, os capuchinhos abandonaram o Aldeamento de Campos Novos, deixando os índios que se matassem entre si ou fossem massacrados pelos brancos, para "tomarem de assalto" a paróquia de Conceição de Monte Alegre e institucionalizar o culto ao Menino da Tábua, dando causa a acirrada disputa entre Conceição e Maracaí, que manteve para si a guarda daquela família abençoada, cujos membros não trabalhavam, só oravam.

A família também brigava pela posse do milagreiro, uma guerra silenciosa, oculta, conduzida de tal forma a contribuir para o menino virar lenda. Os pais morreram e o irmão mais velho tomou para si a extenuante tarefa de correr a região, em dias da semana, com intenções não tão católicas de dar bençãos aos necessitados em troca de donativos. Aos domingos, quase sempre, e dias de festas religiosa e obrigatoriamente Marcelino ficava na Igreja a abençoar a romaria sertaneja.

A morte do Antonio Marcelino não diminuiu seus encantos senão para a família, agora obrigada a se virar no trabalho. A Igreja, enfim, triunfou quanto a posse do garoto, porque a ela cabe os cuidados da alma.

Uma das principais orações ao Menino da Tábua, a Oração dos Endividados, diz: “Oh! Menino da Tábua [cita-se ou não o nome Antonio Marcelino precedido do qualificativo Santo], já ouvi falar muito em você e seus milagres; por isso estou aqui lhe pedindo ajuda na minha vida financeira. Ajude-me Menino da Tábua, que este seja o ano de realizações para a minha vida, que eu consiga colocá-la em ordem, pois quero e preciso pagar todas as minhas dívidas, me dê forças e sabedoria para saber conduzir a situação até resolvê-la uma a uma. Obrigado. Eu sei que você vai me atender e interceder por mim junto a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo e a Virgem Maria”; após a oração se deve rezar um Pai Nosso, uma Ave Maria e um Glória ao Pai, geralmente comprometendo-se o solicitante em retornar para agradecer ou ajudar uma instituição de caridade.

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