PARTE II – OS EXTERMINADORES
DO PASSADO
3. AVARÉ
Alguns historiadores parecem não
fazer qualquer ligação
histórica da atual Avaré com Abaré-y,
aquele aldeamento exterminado numa razia promovida por José Theodoro
de Souza, a mando do Capitão Tito Correa de Mello. Também
nenhum interesse aparente de pesquisas quanto ao mencionado
lugarejo de nome Abaré, relatado na obra de Jean-Claude
Valla, desde época pré-cabraliana, como ponto
de pouso ou que seja mera citação, às
margens da estrada Peabiru.
Posto isto, a história que
se pretende para a atual Avaré tem início quando
por lá apossaram
terras os pioneiros, Major Victoriano [Vitoriano] de Souza
Rocha e o alferes José Domiciano Santana, a partir de
1850, depois contando com as vindas de outros posseiros, José Antônio
do Amaral, Generoso Teixeira, Antônio Bento Alves, Jacinto
Gomes de Morais, Dionísio José Franco, Francelino
de Mello e João Antônio de Souza
(1).
Atesta o Capitão Tito: “Foi ele [Vitoriano], com
o auxílio de outros posseiros, quem, em 1861, ergueu
uma capela com o nome de Nossa Senhora das Dores do Rio Novo.
Em 1862, o Major Vitoriano e seu vizinho o compadre Domiciano
Santana vieram a Botucatu e me procuraram para levá-los à casa
do tabelião Francisco Antônio de Castro. Aí redigi
a escritura de dação que ambos faziam, na parte
em que seus sítios dividiam, cortados por um riacho
ou córrego, de um terreno de quarto de légua
(ou 27 hectares) para o patrimônio de Nossa Senhora das
Dores. Essa escritura foi lavrada em 15 de maio de 1862. Nesse
tempo já havia um cruzeiro em frente da capela e oito
casinhas de pau a pique, cobertas de sapé. Foi esse
o princípio da vila de Nossa Senhora das Dores do Rio
Novo, cuja capela foi inaugurada em 10 de julho de 1861, dizendo
a primeira missa que ali se realizou com a licença do
Sr. Bispo, o vigário de Botucatu Padre Joaquim Gonçalves
Pacheco”
(2).
Foi a partir da
tomada da região de Abaré-y
e instalações das famílias sertanistas
pioneiras, que os fatos notáveis de Avaré, então
Rio Novo, têm seqüência histórica,
evidentemente nada fácil em seus pontos conflitantes
ou onde as lendas sobrepõem-se àquilo que se
pretende por oficial.
Manuel [Manoel] Marcelino de Souza Franco, o Mestre Maneco
Dioniso
(3), explica o nome Rio Novo para povoado:
“A denominação de “Rio Novo” dada à nascente
povoação, foi por ficar mais próxima do rio desse nome,
bastante conhecido, o qual nasce na proximidade de Avaré e que na opinião
de pessoas competentes, não é cordilheira aquela, mas serra distinta.
E a origem daquele nome, dado ao rio, segundo tradição, foi por
terem os antigos posseiros, quando o atravessaram no verão, em conquista
da nova Canaan sonhada, nos ínvios sertões da margem direita
do Paranapanema, encontrado reduzido a pequeno regato, quase seco, sem corrente,
fenômeno hidrográfico conhecido em certas regiões mais
ignorado pelos intrépidos e ingênuos posseiros, que, decorridos
alguns meses, em seu regresso, pelo que, estupefatos, exclamaram: ”Rio
Novo” e o denominaram assim, como faziam os lugares por onde passavam,
aproveitando o mais simples acontecimento ou mais superficial observação
para a escolha do nome pelo qual devia ser conhecido o local”
(4).
A primeira eleição para a Câmara de Rio
Novo ocorreu aos 26 de fevereiro de 1876, eleitos os indicados
ou impostos pela líder monarquista Bárbara Fé do
Nascimento, que alguns preferem
por cujo prestígio foram
eleitos, o filho da matriarca Major Francisco Theobaldo Pinto
de Mello [Presidente], o aparentado Francisco Pereira de Souza
[Vice-Presidente], os membros José Pinto de Andrade
Mello [também filho], José Carvalho de Oliveira
[primo], José Pereira da Silva [sobrinho] e o jovem
protegido Manoel
Marcellino de Souza Franco - Maneco Dionísio [Secretário],
sendo a festiva posse aos 27 de março de 1876
(5).
Bárbara Fé do Nascimento, mulher de Francelino
de Mello – viúva desde logo naquele sertão,
exerceu poder absoluto em Rio Novo [Avaré] por mais
de vinte anos, tanto em liderança pessoal de mando quanto
nas eleições provinciais, sempre a levar de vencida
seu figadal opositor, o republicano Coronel Eduardo Lopes de
Oliveira.
Uma lenda, certamente, dá conta que Coronel Eduardo
estava praticamente vencedor no pleito municipal de 1876, quando às
vésperas agonizava a matriarca, e Maneco Dioniso percorreu
com seus companheiros, casa a casa da zona rural, convidando
a todos moradores para o funeral tido por certo, ou, não
o sendo que rezassem por ela, na missa de corpo [vivo ou morto]
presente, no dia 26 de fevereiro. Bárbara ainda estava
moribunda num catre lá na Igreja - sacristia, como a
despedir-se de todos durante a missa, quando Maneco faz emocionado
discurso sobre as qualidades caritativas de Bárbara
Fé, com apelo final que o ultimo desejo dela era ver
eleito seu filho Theobaldo, família e indicados [entre
eles o próprio Dionísio]. E o povo, ainda sob
forte comoção, pelos votantes elegeu todos os
membros da família de Bárbara Fé.
Após a missa iniciaram-se as eleições,
urnas colocadas em próprios da Igreja com os votantes
a passar próximos do leito de enferma com aquele olhar
de piedoso agradecimento.
Finda as votações, Bárbara Fé do
Nascimento saiu-se vitoriosa, e ainda vivia, sobreviveu mais
um ou dois dias e, surpreendentemente, recuperou a saúde,
e dela ainda se ouviu falar em 1890.
- Corre história paralela que a matriarca teria mesmo
morrido naquele dia 26 de fevereiro 1876. Não temos
informações seguras dos acontecimentos, senão
que o pleito municipal foi real, bem como a relação
dos eleitos.
Também faz parte do anedotário histórico
de Avaré [Rio Novo] que o Coronel Eduardo, culpando
o padre pelo revés político, mandou jagunços
agredi-lo e coloca-lo fora do lugar. Aproveitaram o momento
que o reverendo cura saíra para atender um enfermo,
quando o cabecilha o acercou e perguntou como bater num padre
sem cometer pecado. O padre ciente das intenções
disse que todo sacerdote era um representante de Deus, e somente
podia ser agredido acima da cabeça. Esperto, o chefe
dos jagunços mandou virar o padre de cabeça para
baixo e bater-lhe à vontade por todo o corpo.
As gentes da matriarca chamavam de Farrapos os agregados do
Coronel, perdedor na Revolta dos Liberais de 1842 contra os
Conservadores. Aqueles que seguiam o Coronel, diziam que os
monarquistas de Avaré eram os Cascudos [Casca Grossa],
ou seja, renitentes ao avanço republicano nas Américas
e submissos ao Cabeça Coroada [D. Pedro II]
(6).
- Eduardo Lopes de Oliveira saíra fugido de Sorocaba,
com toda sua parentela, e somente depois de quase duas décadas
chegou a Rio Novo. Durante todos aqueles anos permaneceu
anônimo na região entre Itapetininga e Botucatu
até que lhe surgiu oportunidade de se fixar na nova
e promissora região.
Com o advento da república, os seguidores do Coronel
Eduardo Lopes procuraram ir à forra contra os monarquistas,
determinando expulsão de Maneco Dionísio da cidade,
mas uma revolta popular, pacífica e sem precedentes
no sertão, trouxe de volta Maneco quatro meses depois,
para reassumir suas funções de Tabelião
(7).
Com tão grande manifestação de apoio popular,
a ousadia e inteligência de Maneco Dionísio, aliado à Igreja
local igualmente monarquista, extrapolou limites em fazer prevalecer
por tempos leis monarquistas não revogadas pela República,
por entender e defender que antes de nova Constituição
aprovada, sancionada e outorgada, o governo republicano arbitrariamente
já desmembrava do estado e destituía de qualquer
função oficial os atos da Igreja.
Exemplo disto foi que em Avaré não funcionou
a proclamação republicana, antes de vigorar a
nova Constituição, que determinava fosse respeitado
o recém-criado sistema de cartórios, como responsável
pela constituição oficial do registro civil,
ou seja, para nele se proceder a assentos de nascimentos, casamentos
e óbitos, antes realizados pela Igreja a quem também
competia o registro paroquial de terras, as eleições,
recenseamentos, definições de áreas populacionais
e demais atos convalidados pelas leis desde os tempos coloniais.
Consta nos anais de Avaré a recusa paroquial de se cumprir
ordens republicanas que determinavam os sepultamentos, só fossem
realizados depois de cumpridas as exigências policiais
de identificação do morto, da causa morte notificada
pela autoridade responsável pela higiene e saúde
do município, ou morte confirmada por duas testemunhas
idôneas, e por fim a competente Certidão de Óbito
expedida pelo Cartório (8). A tal ordem se opôs
o padre [Antonio Gomes Xavier], conforme a descreve o Professor
José Leandro Franzolin:
“Também dessa época é o impasse
criado entre a Câmara
e o Padre Antônio Gomes Xavier que evocando do púlpito o edital
de Maneco Dionísio, recusava-se a obedecer as ordens do novo governo,
que mandava que os sepultamentos só fossem realizados depois de expedido
um alvará pelo Cartório e cumpridas as exigências policiais
de identificação do morto e da “causa mortis” notificada
pela autoridade responsável pela higiene e saúde do município.
E sob a evocação de que o cemitério era propriedade particular
da Igreja, prosseguia os enterramentos segundo os cânones da Igreja.
Afinal, como representante da Cúria o padre afirmava estar defendendo
o patrimônio de Nossa Senhora das Dores. Essa atitude valeu-lhe a antipatia
do Poder Político e a Câmara dirigiu denúncias ao Bispo
e ao governo do Estado. Entretanto, bem orientado por Maneco Dionísio
o Padre Xavier também escreveu ao governador Américo Brasiliense
que em resposta a ambos, cobrou energicamente que a Igreja e a Câmara
Municipal (que ele mesmo havia guindado da situação de Vila do
Rio Novo para Cidade do Avaré) que se ajustassem sem agastar e sem prejuízos
para a população” (9).
E o impasse ganhou notoriedade em todo território paulista,
somente resolvido com a destinação de outra área
para o Cemitério Municipal.
Outra notável discussão pós-república
entre a Igreja e o Poder Público em Avaré, pode
ser mais bem compreendida em relatos da própria Câmara
Municipal, “a Igreja continuava, e fazia questão
de continuar fiel à tradição monarquista;
fato que acabou por instalar uma séria desavença
com a Câmara Municipal. Os resíduos desse fato
estão presentes no Museu de Avaré, em papéis
autênticos e em transcrições de publicações
que permitem ressuscitar e de romancear. Num desses documentos – transcrição
de um edital publicado na edição do dia 1º de
Maio de 1890 – “...faz saber a todos os interessados,
que em virtude da decisão do Governo do Estado, de 07
do corrente e Aviso de 11 de fevereiro de 1886, competindo-lhe
e não à Câmara ou à Intendência
a administração dos terrenos do patrimônio,
de ora em diante é a Mesa Administradora da Irmandade
de Nossa Senhora das Dores, através de seu provedor
que concederá datas de terrenos para edificações,
mediante foro rascavel e, oportunamente venderá ditos
terrenos (...) “. Como Provedor, assina o edital o mesmo
admirável homem público, Maneco Dioniso que,
por esse tempo não exercia cargo na vereança" (10).
Num documento de próprio punho, datado de 26 de fevereiro
de 1891, o cidadão Carossa Domenico (Domingos Carozza) “(...)
requer ao Sr. Provedor da Irmandade de Nossa Senhora das Dores
do Rio Novo a concessão de uma data que se acha devoluta
fazendo divisa com a data do Sr. Salturmi Domenico com a rua
que segue pelo lado de cima e do lado do Matadouro com o Ribeirão
e em caso efetivo (...)” (11). O pedido, que pela República
deveria ser dirigido ao Poder Público constituído,
foi deferido pela Irmandade que cuidava dos bens locais da
Igreja, e o solicitante tornou-se um próspero industrial
na área de pastifícios.
Enquanto
não revogadas pela república, uma a uma conforme
circunstâncias, as leis do império prevaleceram
em Avaré.
4. LENÇOIS PAULISTA
Lençóis Paulista, anteriormente terras de uma
sesmaria de meia légua de cada margem do rio Lençóis,
concedida a Antonio Antunes Cárdia por D.João
VI, Carta de 1818 lavrada em São Paulo, era local desabitado
e livre de ocupações (1), quando o pioneiro José Theodoro
fez o desbravamento da região, e nela erigiu um pouso
ou ponto de apoio na rota para o sertão.
- Antes de Antonio Antunes Cárdia os pouso e porto
de Lençóis já figuravam na rota dos
bandeirantes e dos caminhos religiosos, dentro de sesmarias
da família dos Campos Bicudo, porém certas
como devolutas quando Cárdia as recebeu para nenhuma
atenção, tanto que nunca demarcadas nem apossadas
conforme exigências legais. Estavam, de fato, terras
abandonadas e apenas a velha estrada e o porto ainda eram
utilizados pelos passantes.
Muitas informações históricas regionais
dão conta que José Theodoro de Souza, “O
bandeirante conhecido como Matador de Índios e que
chegou a dizimar tribos indígenas inteiras a golpes
de facão”, chegou à região de Lençóis
em meados do século 19, perseguindo índios, limpando
os caminhos para os primeiros povoadores, mas o fundador seria
tal Francisco Alves Pereira, de acordo com a maioria dos historiadores
regionais (2).
Para Nelson Faillace, sobre a obra Lençóis Paulista
e suas Origens, “Realmente a figura de José Theodoro
de Souza é de suma importância para o conhecimento
de nossa história. Foi ele o grande desbravador, aquele
que, vindo das Minas Gerais, adentrou por estes campos e matas,
abria picadas, enfrentava os índios, fundava capelas
e requeria posses das terras que desbravava (...). No nosso
caso específico é notório que os primeiros
cidadãos a aportarem estas paragens, foram Francisco
Alves Pereira e seus companheiros” (3).
Alexandre Chitto (4) afirma que o fundador de Lençóis
foi Francisco Alves Pereira, que por acaso chegou àquelas
paragens, supostamente quando participava de uma expedição
de Itu a Goiás, via rio Tietê, da qual se desligara
por desentendimentos, predominando consenso que Francisco chegou
a Lençóis com a mulher e filhos, escravos e mais
alguns acompanhantes mineiros, para se instalar num local que
denominou Bairro dos Lençóis. Seria um lugar
por ele já conhecido anteriormente, quando fizera parte
de expedição em reconhecimento de terras para
ocupações.
Para Donato, Lençóis seria inicialmente local
de “pouso na rota para o sertão” que atraiu
gentes tão logo a Câmara de Botucatu oficializou
o local e para lá incentivou moradores, “entre
eles Francisco Alves Pereira que imprimiu tal impulso ao lugar,
que logo passou a reivindicar serviços públicos
(...)” (5).
De Francisco Alves Pereira quase nada se sabe, posto que nenhum
documento até hoje foi encontrado que possa comprovar
sua origem, porque chegou, ou para onde se mudou após
deixar Lençóis, por qual razão partiu
e, menos ainda, onde foi sepultado. Dele sabe-se apenas
que durante anos conviveu, harmoniosamente, com outros moradores
do local, mas a ninguém jamais revelou sua história,
e os antigos que o conheceram apenas informaram que o acompanhava
uma mulher e três crianças que não traziam
o sobrenome Pereira, o que faz aumentar ainda mais o mistério
em torno desse pioneiro.
A história oficial de Lençóis Paulista,
a partir do século XIX, informa ter sido ela parte integrante
do território de Botucatu, elevada à condição
de Freguesia em 28 de abril de 1858, pela
Lei n° 36, sob a jurisdição da comarca de
Itapetininga até o ano de 1866. Aos 25 de abril de 1865,
pela lei n.º 90, Lençóis foi elevado à categoria
de município, sob jurisdição da Comarca
de Botucatu entre 1866 a 1877, quando guindada também
a Comarca conforme lei de n.º 25, de 7 de maio de 1877,
com efetiva instalação em 20 de outubro do mesmo
ano.
A lei 635, de 22 de julho de 1899, transferiu a sede da Comarca
para São Paulo dos Agudos, secundada pela lei n° 785,
de 15 de julho de 1901, que determinou o cancelamento de Comarca
de Lençóis, passando a chamar-se simplesmente
de Comarca de Agudos. Lençóis novamente viria
recuperar sua emancipação política pela
lei 2456, de 30 de dezembro de 1953, cuja reinstalação
ocorreu aos 25 de janeiro ao ano de 1954.
Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, “a
freguesia que data de 28-4-1858 fora criada sob a invocação
de Nossa Senhora da Piedade, que é padroeira da cidade,
não se conhecendo com exatidão, em que data foi
criada a paróquia, devendo, no entanto, ter sido por
volta do ano de 1865, quando teve na paróquia o Re.
Padre Antônio de Santa Ana Ribas Sandin seu 1° pároco,
isto de 26 de fevereiro de 1861 até 2-7-1865” (6).
Lençóis, como comarca de todo oeste paulista
em formação, pelo menos num tempo, exemplos de
Bauru, Agudos, Pederneiras, Santa Bárbara do Rio Pardo,
Macatuba, Santa Cruz do Rio Pardo, São Pedro do Turvo
e Campos Novos, também foi, por longos anos, porto fluvial
[Tietê] como via de escoamento mercadorias produzidas
no sertão (7), rivalizando-se comercialmente com São
Manuel e a própria Botucatu.
A importância de Lençóis
Paulista, na penetração
e povoamento dos primeiros cinqüenta anos do oeste paulista,
foi de tal relevância histórica que cada município
daquele século a registra, de uma maneira ou outra, em
suas próprias origens.
5. SANTA BÁRBARA DO RIO PARDO
A região de Santa Bárbara do Rio Pardo foi apossada
por alguns membros do bando de José Theodoro de Souza,
participantes do combate aos índios em 1850/51, o que
bem parece de acordo com Francisco Marins quanto aos avanços
daquela tropa a partir da Serra de Botucatu (1), mais as informações
do professor José Ricardo Rios, que o pioneiro descendo
o rio “fundou Santa Bárbara do Rio Pardo” (2),
região dividida entre os representantes das famílias
Bernardino de Souza, Marques Valle e Dias Batista.
Cinco anos depois da conquista, já registradas suas
posses em 31 de maio de 1856, José Theodoro viajou
para Minas Gerais para trazer povoadores, e os trouxe, sabendo
nós que “Atraz, nas vertentes do Rio Pardo ficaram
o Cel. Francisco Dias Baptista, José Marques do Vale,
Jorgino Marques, João Gonçalves Ferreira, José Ferreira
Maciel, Carlos Bernardino de Souza, Joaquim Luiz Dutra, José Pinto
Cardoso etc. Mas José Teodoro de Souza quiz ir adiante” (3).
Destes, Cel. Francisco Dias Baptista, José Marques do
Valle, Carlos [Carrito] Bernardino de Souza, juntamente com
Pedro Dias Batista [Capitão Apiaí], estão
entre os primeiros moradores e fundadores oficiais de Santa
Bárbara do Rio Pardo.
Diz a história das origens da atual Estância Hidromineral Águas
de Santa Bárbara, que José Marques do Valle,
sua mulher, seu filho Mizael e mais doze crianças, partiram
da cidade mineira de Carmo do Rio Claro, em setembro de 1856,
acompanhados ainda dos jovens irmãos Salustiano Bernardino
de Souza e Carlos Bernardino de Souza [apelidado Carrito],
rumo a São Domingos [do Tupá], visando as férteis
terras às margens do rio Pardo. Uma semana depois, também
de Minas Gerais partiria a família de Pedro Dias Batista,
chefiada pelo [Coronel] Francisco Dias Batista, com dezoito
pessoas, familiares e escravos, para o mesmo destino (4), cujas
caravanas se encontraram em Botucatu e juntas chegaram a São
Domingos, em janeiro de 1857, rumando a seguir para as margens
do rio Pardo, onde aquelas famílias levantaram a Capela
de Santa Bárbara e doaram terras para o patrimônio.
- O nome Santa Bárbara vincula-se à esposa
de José Marques do Valle que, organizada a caravana
em Minas Gerais, adquiriu de um artesão, em Ouro Fino,
pequena imagem de madeira em estilo barroco, daquela padroeira,
da qual todos eram devotos. Levantada a capela entronizou-se
a consagrada sobre o altar.
Sob certos aspectos, proximidades de datas e publicações
oficiais, a história de Santa Bárbara se confunde
com a de São Domingos, tanto que alguns entendem aquelas
mesmas famílias também fundadoras de São
Domingos: “A caravana chegou ao município de Agudos,
dando início à fundação de uma
pequena Paróquia, denominada São Domingos do
Tupá, nas proximidades do distrito de Domélia” (5),
então Santa Cruz [da Boa Vista]. A confusão aprofunda-se
quando outros pretendem Santa Bárbara e São Domingos
por um só núcleo, vista em matéria publicada
pelo Projeto Brasil que informa Santa Bárbara “fundada
em 20 de Abril de 1858, por Francisco Dias Batista e Pedro
Dias Batista, como São Domingos, formada por um grupo
de migrantes oriundos do Sul de Minas Gerais” (6).
- Tais situações são confutadas pela
história, posto São Domingos com origem anterior
a 1850, enquanto Santa Bárbara surge como povoado
apenas em 1856/57.
Giovannetti menciona que, no ano de 1867, Santa Bárbara
do Rio Pardo tornou-se vila (7), elevada à categoria
de município em 1876, pela Lei nº 82, conquistando
assim a emancipação político-administrativa.
Segundo Donato, Santa Bárbara era “já povoado
razoável quando (1885) foi desmembrado de Botucatu,
levando São Domingos para compor o próprio município” (8).
A primeira missa celebrada em Santa Bárbara ocorreu apenas
em 1874, pelo padre visitador, o espanhol Julio Augusto Gonzáles,
que permaneceu no local durante uma semana, atendendo aos fiéis
e celebrando batizados e casamentos
(9).
6. AGUDOS
Não se sabem nenhum nome entre os primeiros posseiros
das terras de Agudos, certamente membros do exército de
José Theodoro de Souza, comprometidos na guerra aos índios,
a partir de Avaré, entre 1850/51. Aparentemente tais
posseiros seriam empregados de Faustino Ribeiro da Silva, nascido
mineiro, rico fazendeiro botucatuense, investidor de alguns
de seus homens na aventura de José Theodoro de Souza
e do amigo Capitão Tito Corrêa de Mello.
A história agudense tem início oficial por volta
de 1853, quando algumas propriedades, em verdade grandes extensões
de terras para cultura no Ribeirão da Batalha e Barra
do Córrego do Veado, Água Parada, Ribeirão
Grande e Cervo Grande, são adquiridas dos pioneiros
pelo mineiro Faustino Ribeiro da Silva, que também aquistou,
posteriormente, outra propriedade de campos e matas na localidade
denominada Conceição.
Faustino era riquíssimo, tinha escravos e trouxe com
ele um grupo de mineiros como trabalhadores livres em troca
de terras, na então Capela de São Paulo dos Agudos,
denominação em honra ao orago Paulo e por achar-se
situada na Serra dos [Morros] Agudos, parte do sistema da Serra
do Mar. O fazendeiro Faustino Ribeiro da Silva faz doação,
de mais ou menos treze alqueires de terras à Igreja,
para Capela e futura Freguesia.
- O fazendeiro Faustino foi Vereador e Intendente em Lençóis,
quando nomeado Arruador para a localidade de Bauru.
O local apresenta sinais de povoamento maior, pelos idos de
1862, quando a Freguesia de Lençóis é separada
de Botucatu “e a pequena localidade de Agudos é incluída
como um dos quarteirões de Lençóis” (1).
Nos anos de 1890 chegam os paulistas vindos de Lençóis,
Delfino Alexandrino de Oliveira Machado e seu genro, o Capitão
Benedicto Ottoni de Almeida Cardia (2), este tido por descendente
e herdeiro do antigo sesmeiro Antonio Antunes Cardia (3).
Com impulso cafeeiro São Paulo dos Agudos, já conhecido
Distrito Policial, é elevado à condição
de Distrito de Paz, do município e comarca de Lençóis,
pela Lei nº.514, de 02 de agosto de 1897. Em 27 de julho
de 1898, pela Lei nº. 543, o Distrito de Paz se torna
Município, com sede na vila de igual nome, desmembrando-se
de Lençóis e, aos 20 de fevereiro de 1899, tem
instalado sua primeira Câmara Municipal, com o Coronel
Joaquim Ferreira Souto para Presidente, e Benedito Otoni de
Almeida Cardia para Intendente (4).
Pela lei 635, de 22 de julho de 1899, “a Comarca que
originalmente tinha sede em Lençóis Paulista
(criada pela Lei nº 25 de 07 de maio de 1877) foi (...)
transferida para São Paulo dos Agudos a qual, pelo mesmo
instrumento legal, foi elevada à categoria de Cidade” (5).
Em 1901, pela Lei nº 785 de 15 de julho, a Comarca de
Lençóis Paulista passou a denominar-se Comarca
de Agudos. Em 1955 o Município de Lençóis
Paulista retornou à condição de Comarca,
separando-se de Agudos.
A Lei estadual 975, de 20 de dezembro
de 1905, simplificou para Agudos a toponímia da cidade,
do município e do
distrito de São Paulo dos Agudos (6).
6.1 AGUDOS EM FOCO
Para melhor compreensão do nosso estudo, daqueles outros
tempos, Agudos tem destacada importância pelos seus vínculos
político-administrativos com Lençóis,
Bauru, São Domingos [do Tupá], Piratininga, Bandeirante
[atual Paulistânia] e Santa Cruz do Rio Pardo, esta no
ato representada pelo antigo Bairro Santa Cruz da Boa Vista
[depois Dona Amélia e, finalmente Domélia].
Destarte, vejamos então o histórico oficial de
Agudos (7) a partir de 16 de dezembro de 1910,
quando lhe é anexado o distrito de Piratininga, desmembrado
do município de Bauru, pela lei estadual nº 1225.
A divisão administrativa do Brasil de 1911, compõe
o município de Agudos com os distritos de Agudos e Piratininga.
A lei estadual nº 1395, de 17/12/1913, desmembra de Agudos
o distrito de Piratininga, elevado então à categoria
de município.
Pela lei estadual nº 1494, de 29/12/1915, desmembrado
do município de Lençóis, o Distrito de
Tupá é anexado ao município de Agudos.
Pela datação final de ano, costuma-se dizer aquela
anexação ocorrida em 1916.
Nos termos da divisão territorial brasileira, de 1933,
o município de Agudos é constituído pelos
distritos Agudos e Tupá. Depois, pelo decreto nº 6789,
de 23/10/1934, os bairros de Santa Cruz da Boa Vista e Bandeirantes,
são constituídos distritos e anexados ao município
de Agudos.
- O bairro Santa Cruz [da Boa Vista] pertencia ao município
de Santa Cruz do Rio Pardo, tratando-se de núcleo
residencial rural. Referido bairro já era conhecido
por Domélia, corruptela de Dona Amélia, a proprietária
da fazenda onde se situava o núcleo residencial.
Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro
de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como no quadro anexo
ao decreto-lei estadual nº. 9073, de 31 de março
de 1938, figura o referido município, com quatro distritos:
Agudos, Bandeirantes, Santa Cruz da Boa Vista e Tupá.
Decreto Estadual de nº. 9775, de 30 de novembro de 1938,
traz por Quadro Anexo [Administrativo / Territorial], em vigor
para qüinqüênio 1939-1943, que torna extinto
o distrito de Tupá e seu território passa integrar
o do distrito de Agudos, ficando o município constituído,
assim, dos seguintes distritos: Agudos, Bandeirantes e Dona
Amélia (ex-Santa Cruz da Boa Vista). Conforme vista,
num mesmo ato decretatório não só o distrito
de São Domingos [do Tupá] deixa de existir, como
o distrito de Santa Cruz da Boa Vista passa denominar-se Dona
Amélia.
Pelo decreto-lei estadual nº 14334, de 30/11/1944, o
distrito de Dona Amélia tornou-se Domélia e o
distrito de Bandeirantes a denominar-se Paulistânia.
Em divisão territorial datada de 1o. de julho de 1950,
o município é constituído de três
distritos: Agudos, Domélia (ex Dona Amélia) e
Paulistânia (ex-Bandeirante), assim permanecendo em divisão
territorial datada de 01 de julho de 1960.
Pela lei estadual nº. 9330, de 27/12/1995, o distrito
de Paulistânia desmembra-se do município de Agudos,
elevado à categoria de município.
Em divisão
territorial datada de 15 de julho de 1997, o município é constituído
de dois distritos: Agudos e Domélia, assim permanecendo
sua divisão
territorial datada de 14 de maio de 2001.
7. TIMBURI
Em 1799, a sabendas, certo Francisco Ferreira dos Santos,
sua esposa Maria Prudência de Oliveira ou Maria Ferreira
e o filho Antonio [ainda criança] chegaram aonde atual
município Timburi, provenientes de Ouro Fino, Minas
Gerais, após rápida permanência em Jaú [SP].
O rancho, onde residia Francisco Ferreira, situava-se seis
quilômetros acima da confluência dos rios Itararé e
Paranapanema, local daquele município.
O casal teve, depois, os filhos Emigdio, Bento e José Maria
Ferreira. Viúva, Maria Prudência teve ainda os
filhos João e Sebastião.
A história relata que a família viveu várias
décadas sem nenhum contato com a civilização,
explorando as margens do rio Itararé, apossando-se bacias
de vários córregos e correntes dágua,
inclusive partes no atual estado do Paraná, mas marido
e mulher não podiam apresentar-se para legalização
de direitos sem receios de traírem suas presenças
(1).
Entretanto, a biografia de Timburi aponta “(...) Francisco
Ferreira dos Santos e seus companheiros, pois consta que, aposseando
a água que nasce onde está a sede da Fazenda
Domiciano, a qual na barra também se chamou Ribeirão
do Saltinho e das Cinco Ilhas, chegando ao alto da serra em
um domingo, declararam que esta parte seria para São
Domingos, do que não se lavrou documentos” (2),
porque Francisco temia ser reconhecido.
- Hoje não se excluem presenças de outras gentes
em Timburi, desde os primeiros tempos de Francisco, até porque
a rota do contrabando de muares passava por partes da propriedade,
e a presença do pioneiro não podia deixar de
ser notada. Talvez ele mesmo soubesse daquelas terras, desde
antes, nalguma viagem tropeira.
Não se tem conhecimento se os homens de José Theodoro
de Souza chegaram por lá, quando das razias contra Caiuás
e Botocudos em Avaré, mas naquele ano já havia
morrido Francisco Ferreira dos Santos, e dos seus haveres consta
que “em 1850 os irmãos Joaquim e José Ribeiro
Tosta registraram a posse das terras com a partilha dos bens
apurados” (3), porque Francisco não pode antes
fazê-lo “por haver cometido grave delito em Ouro
Fino (...)” (4). Outros posseiros também fizeram
o registro de suas posses em Faxina – atual Itapeva.
Sabemos que Francisco Ferreira dos Santos vendeu parte de sua
propriedade, aproximadamente ¼ da área total
de Timburi – medida por base no ano de 1922, à margem
direita do rio Itararé, a Benedito de Tal – vulgo
Chapéu de Couro, que de pronto as repassou para João
Batista de Paiva, transação registrada em escrituras
com a data de 06 de novembro de 1849, em Faxina (5).
- Chapéu de Couro figurou como posseiro. “Sendo
Francisco Ferreira dos Santos um criminoso, as posses eram
registradas por outros, entre os quais, além dos Tosta,
Pedro Rodrigues, João Antonio Leal – conhecido
por João Delgado, e seu irmão Daniel. João
Rodrigues, Salvador Rodrigues e Juca Euzébio” (6).
Os caboclos se entendiam, e não temos conhecimento
de algum tipo de desavença entre eles por questões
de terras.
João Batista de Paiva e sua esposa Maria Rita Borges
vieram de Alfenas [MG], com oito filhos e numerosos escravos,
destacando-se de sua prole Francisco [de] Paiva que fez, na área
que lhe foi destinada, um retiro para criação
de porcos, o que veio trazer por Retiro o primeiro nome para
a região, “cujas terras foram transferidas a vários
sucessores da família até Pedro Dias Ribeiro” (7),
doador de pequena área para formação
de patrimônio em torno da primeira capela erigida.
Diz-nos antigos relatos que “Francisco de Paiva, filho
de casal de Alfenas, vendeu este terreno [aonde viria se instalar
o Distrito de Timburi] a Ildefonso José de Mello, que
vendeu para Antonio Pinto da Fonseca, e este a Antonio Theodoro
de Souza, cujos herdeiros a venderam a Pedro Dias Ribeiro,
que fez a primeira doação para o Patrimônio
Eclesiástico (...)” (8), intenção
vinda de comprador a comprador, para o povoado rudimentar já existente
desde os tempos de Francisco Ferreira dos Santos e seus companheiros.
Por indicação do Capitão Tito Corrêa
de Mello famílias chegaram adquirindo posses de herdeiros
e sucessores. “A posse de Água Preta foi feita
por João Antônio Leal; a água do Poço
do Dourado foi apossada por Domingos Antônio de Lima
e da Areia Branca por João da Cruz Pereira. A Água
do Palmital pertenceu, inicialmente, a José Alves Machado,
do Rio de Janeiro, que por sua vez foi vendida a Domingos Pereira
Fernandes, de Botucatu, a cujos herdeiros pertenceu a maior
fazenda deste Município. Um deles, o Major José Pereira
Fernandes, deu ao Retiro o nome de Santa Cruz do Palmital.
Estava, assim, estruturada a povoação do nascente
Distrito” (9), onde se ergueu outra capela ao centro
de uma área doada à Igreja para formação
do novo povoado, extinguido que foi o antigo Retiro.
Santa Cruz do Palmital tornou-se Distrito de Paz do município
e comarca de Piraju, pela lei 869 de 21 de agosto de 1903,
publicada apenas em 11 de outubro de 1916, já com a
nominação Timburi [Timbury] (10) em razão
de grande quantidade de madeira com esse nome na região.
- A historiógrafa Marileide assinala um nome intermediário,
entre Santa Cruz do Palmital e Timburi, posto que “(...)
existe na cidade, em, poder do Sr. Lindolfo Camargo Alves,
um documento de escritura pública de compra e venda
de um imóvel, no livro de notas n° 03 fls. 62
e verso 63, referência a um terceiro nome, dado ao
referido distrito, de Santa Cruz do Paraíso datado
de 20 de abril de 1901 tendo como vendedores Manoel Simões
da Silva e sua mulher Maria Pereira de Brito, e como comprador,
Antônio Martins Estevão; transação
feita no valor de um conto de réis. Esta escritura
foi feita pelo tabelião Manuel Luiz Valim” (11).
Aparentemente trata-se de erro cartorário ou de informação.
Timburi atingiu a sua emancipação política,
através de um plebiscito, pela lei 233 de 24 de dezembro
de 1948, e sua primeira eleição em 13 de março
de 1949 com posse aos 02 de abril do mesmo ano (12).
8. SANTA CRUZ DO RIO PARDO
Clique aqui para ver na integra Santa Cruz do Rio Pardo Historiografia
Cronológica para o Século XIX
8.1 RETROAÇÃO HISTÓRICA
Às vezes confunde-se Santa Cruz do Rio Pardo com o
bairro Santa Cruz [da Boa Vista] – atual distrito de
Domélia, município de Agudos, citada em 1857,
nas proximidades de São Domingos [do Tupá], também à beira
daquele caminho que, vindo de Botucatu e por São Domingos,
descia em direção ao rio Paranapanema, pelo Vale
do Pardo, caminho este que das proximidades da atual Santa
Cruz do Rio Pardo pretendia-se uma senda em direção
a Campos Novos Paulista.
- Historicamente o lugarejo Santa Cruz da Boa Vista, conhecido
por Bairro de Santa Cruz, é o atual Distrito de Domélia,
com nome intermediário, Dona Amélia, que lhe
foi dado pelo Decreto Estadual 9775, de 30/11/1938, simplificado
depois para Domélia, em 30/11/1944, pelo Decreto-Lei
Estadual 14334 (28). O bairro pertenceu à jurisdição
político-administrativa de Santa Cruz do Rio Pardo,
até sua anexação ao município
de Agudos pelo decreto 6789 de 23/10/1934.
Intentado pelo bandeirante Bartholomeu Paes de Abreu em 1721,
referido caminho foi largamente utilizado nos tempos dos jesuítas
botucatuenses, e sobre ele se assentou parte da estrada projetada
pelo governo Morgado de Mateus em 1771, com arranchados à sua
margem daquele trecho aberto pelo menos até onde a atual
Santa Cruz do Rio Pardo, conforme atestam documentos oficiais
e tão bem já nos informou Hernâni Donato.
Havendo arranchamentos e estando o lugar, da atual Santa Cruz
do Rio Pardo, a meio caminho da estrada [picadão] que
chegava ao Paranapanema e era princípio de outra, rumo
a Campos Novos, admite-se para Santa Cruz do Rio Pardo ao menos
algum ajuntamento de ranchos em 1771, local de pouso e parada
aos passantes, como bem nos dá prova a carta-ofício
de 12 de fevereiro de 1771, do governador de São Paulo,
que obriga ajuda compulsória dos moradores “arranchados
ao longo do traçado previsto” (29), ao encarregado
de abrir o caminho de Botucatu à barra do rio Pardo.
Não existe informe algum quanto tempo tenha durado aqueles
arranchamentos, nem o que foi feito dentro da sesmaria de Antonio
de Almeida Taques [1772] – outorgada à família
por volta de 1725/1730, que abrangia terras além do
rio Pardo até sua barra no Paranapanema, portanto inclusa
Santa Cruz do Rio Pardo. A assunção de Martim
Lopes ao governo de São Paulo, fez desaparecer muita
das realizações e obras pretendidas pelo seu
antecessor, o Morgado de Mateus, a partir de Botucatu, como
o abandono oficial do pretendido caminho para Guatemy em 1777,
quando tomado e destruído o presídio [forte]
Iguatemi, e certamente o cessar de incentivos aos incipientes
arranchamentos do Vale do Pardo.
- Já a partir de 1776 o governador Martim Lopes se
encarregou de desmanchar qualquer obra de seu antecessor,
apagar-lhe os vestígios, desmoraliza-lo e de vez sepultar
os projetos e realizações, a tornar o sertão
a partir de Botucatu em completo abandono, possivelmente
um ou outro indivíduo arranchado, talvez alguma família
embrenhada em suas matas.
Comprova-se, por documentos e citações históricas
já postas, que o fazendeiro João Álvares
de Araújo, por volta de 1730 ou pouco depois, tenha
se posicionado além do rio Pardo, onde se pretendeu
em 1771 a confluência dos caminhos à barra do
Pardo e início para Campos Novos, que o Morgado de Mateus,
governador da Província de São Paulo confirmou
abertura em 1772, até o entroncamento nas imediações
de Santa Cruz, parte menor daquilo que até onde desejava
realizar.
Desconhecendo continuidade ou não de conjuntos de ranchos
onde hoje Santa Cruz do Rio Pardo, cabe registro que ali nada
mais pareceu existir, naquilo que se pode acreditar de um pronunciamento
na Câmara Municipal de Itapetininga, de 15 de agosto
de 1845, quando o fazendeiro botucatuense e vereador em Itapetininga,
capitão José Gomes Pinheiro Machado, se pôs
a reclamar condição de freguesia para Botucatu,
por ser “(...) inegável que aquele território
tem propriedade para berço de uma populosa vila, porque
a abundância de campos, além de outros que se
poderão descobrir, boas matas de cultura, fertilizada
de vertentes colocadas entre dois poderosos rios, Paranapanema
e Tietê, clima salubre e abundância de peixe e
caça, a cana, café, fumo e algodão têm
aí franca vegetação, além do terreno
que vai findar nas margens do Paraná”. O vereador
acrescenta que “Onde faz barra o rio Pardo no Paranapanema
há um extenso terreno coberto de matas de cultura muito
boas, e apropriado o lugar para edificar-se uma colônia
estrangeira, lugar salubre (...)” (30).
Compreende-se
disto a pretensão de se fixar colônias
de estrangeiros no Vale do Pardo, mais propriamente na altura
de Santa Cruz do Rio Pardo, a deduzir Hernâni que “A
ser exata a notícia que da terra fornece o capitão
José, além da criação do gado, era
já regular o cultivo do algodão e do fumo e, mesmo,
começava aparecer a do café” (31).
9. PIRAJU
O povoado Piraju [antes Tijuco Preto] situado “na rota
de antigos caminhos tropeiros, e da penetração
acelerada de pioneiros na metade do século 19 (...)” (1),
aliás, Tijuco Preto seria a semelhança dos sons
da expressão guarani Teyquê-pê que significa
Caminho de Entrada (2). Pelas indicações trata-se
dum picadão aberto por tropeiros, em direção
a Botucatu, para escapar da fiscalização e pagamento
de taxas sobre os animais que traziam do sul do país.
Diante do exposto é possível o início de
Piraju, com seus primeiros arranchamentos, por volta de 1800, fato já existir
a tal estrada que atravessava suas terras e servia de acesso aos viajantes
do sul para diversas localidades, como os Campos do Paiol e a Serra de Botucatu.
Por ser ponto de passagem e graças à fertilidade do solo, certamente
uns e outros colonos foram ali se estabelecendo, tomando posse e construindo
os primeiros ranchos de moradia.
Em seu histórico sobre Piraju, o autor Oswaldo de Almeida
cita o erudito Escragnolle Doria, para quem “em 1847 veio para a região
que hoje pertence a Itaporanga um frade capuchinho, Frei Pacífico Montefalco,
como guia espiritual que, atravessando o rio Itararé, se fixara nas
proximidades do rio Verde. O referido frade fundou um patrimônio, sob
o orago de São João Batista, sendo possível, então,
que as famílias dos Gracianos e dos Faustinos tenham procedido de Itaporanga
para Piraju onde se estabeleceram” (3).
São certas as presenças das famílias Graciano
e Faustino, ao lado da Nunes, em região de Piraju, no ano de 1859, quando
da chegada de Joaquim Antonio de Arruda, com a família, os escravos
e agregados. Joaquim Antonio de Arruda, parente do Barão do Rio Branco,
chegou a Piraju vindo de Tietê, em 1859, passando por Rio Novo [Avaré],
Três Ranchos [Cerqueira César], São Bartolomeu [São
Berto] e Manduri, até avistar-se com as três famílias precursoras
para ajustes de divisas, aparentemente recuando Nunes para a região
de São Berto e Manduri, onde se tornou próspera família,
deixando de fazer parte da história de Piraju.
- Domingos Faustino de Souza, João Antonio Graciano
[este de Cambuí – MG] e Nunes – incerto
o prenome, se têm por membros da expedição
de José Theodoro de Souza, na Guerra aos Caiuás
e Botocudos em 1850/51, compensados com terras na região
de Cerqueira César, estendidas desde São Berto
e Manduri às margens do Paranapanema – Piraju,
no intuito que aquelas terras não viessem ser retomadas
pelos índios, nem apossadas por aventureiros que logo
chegariam àquelas paragens (4).
Com as doações das famílias de Joaquim
Antonio de Arruda, João Antonio Graciano e Domingos
Faustino de Souza (5), fundou-se o patrimônio a que foi
dado o nome de São Sebastião do Tijuco Preto,
em fins de 1860, alguns dizem em honra ao santo de devoção
da família Arruda, tanto que o patriarca trouxera consigo
uma imagem esculpida em madeira, que ainda hoje existe na Matriz
local. Outra versão diz tal nome em virtude de uma imagem
de São Sebastião, datada do século XVII,
encontrada em poder dos índios que habitavam a região
(6).
Antigos relatos, no entanto, dão conta que a imagem
de São Sebastião pertencia ao aldeamento indígena
existente nas proximidades desde 1854, sendo tal levada pelo
pioneiro Joaquim Antonio de Arruda, ou a ele cedida pelo administrador
José Joaquim Alves Machado. Entretanto, alguns dos índios
não concordando com a troca ou cessão, tiraram-na
do altar e a retornaram para a aldeia, então invadida
de assalto pelos brancos, com extrema violência e à força
das armas retomando a imagem.
Alguns relatores abrandam a história, que a imagem fora
trocada por ferramentas e objetos de utilidade para a aldeia,
e posta no altar da capela de onde foi retirada por alguns índios
discordantes, revoltando-se um grupo de brancos que recuperou
a imagem, quase à força (7).
Oficialmente a existência do Aldeamento Indígena
de Tijuco Preto, fundado em 1854, nenhum historiador parece
associar o início de tal instituição com
alguma povoação branca nas imediações,
senão a partir de 1859/1860. Também os relatórios
oficiais da Câmara Municipal de Botucatu, co-responsável
com Itapetininga pelo Aldeamento, ou atos de ofícios
da Direção, nada prestam quanto algum possível
povoado nas adjacências antes de 1859.
A primeira missa, como fundação ou consagração
do povoado, foi realizada no dia 20 de janeiro de 1861, sendo
oficiante o capelão Frei José Loro, de Itaporanga,
numa capela na confluência das três posses dos
doadores, onde já construídas as primeiras casas.
Em
1866 foi construída uma outra capela, em substituição
a anterior, bastante tosca com vigas de madeiras encaixadas nos esteios de
cantos, para apoiar as paredes, partes de barro e tijolos. Esta capela tornou-se
a primeira matriz quando, em 29 de agosto de 1872 deu-se a criação
da Paróquia de São Sebastião do Tijuco Preto, que passa
pertencer [1877] à Comarca Eclesiástica de Santa Cruz do Rio
Pardo, até sua elevação também como Comarca Eclesiástica,
quase ao final do século XIX.
Em
1871 foi criado o distrito de "São Sebastião do Tijuco Preto",
pertencendo ao município de São João Batista do Rio Verde
(Itaporanga), mas sua sede eclesiástica até a emancipação
foi Santa Cruz do Rio Pardo, a partir de 13 de janeiro de 1873.
São
Sebastião do Tijuco Preto tornou-se vila em
25 de abril de 1880 e município no mesmo ano. O governo
da Província de São Paulo concedeu-lhe o nome
tupi-guarani de Piraju – Peixe Dourado, em 1891, a pedido
da Câmara
Municipal de São Sebastião do Tijuco Preto. A
comarca foi criada em 1892.
10. SÃO PEDRO DO TURVO
Em 1847 o desbravador José Theodoro de Souza, em sua
primeira incursão pela região, teria escolhido
o lugar aonde São Pedro do Turvo, para sua moradia junto
dos familiares, caso viesse se apossar daquela terra.
Nos anos 1850/51, conforme já referências e documentos
indicados, o pioneiro José Theodoro de Souza estava
com seu bando a praticar razias em territórios indígenas,
desde as margens do rio Abaré-y ao de Lençóis,
Batalha, Peixe, Pardo, Turvo e Paranapanema, enquanto seus
familiares eram trazidos de Minas Gerais, em segurança,
para as regiões do rio Turvo.
O pioneiro e a comitiva se encontraram em São Domingos
[do Tupá], no mês de junho de 1851, para continuidade
de viagem até o local que escolhera para si e os seus,
que viria denominar Capela de São João Batista,
hoje a São Pedro do Turvo.
Theodoro e comitiva chegaram pelo caminho situado no espigão
entre os rios Pardo e Turvo (1), ou seja, o leito da antiga
trilha jesuítica do século XVIII, depois passagem
oficial militar de 1772, cujo trajeto passava “nas vizinhanças
da hoje Santa Cruz do Rio Pardo (...)” (2), onde a comitiva
fez pouso antes de prosseguir viagem para São Pedro
do Turvo.
“Assim é que, pelos meados do ano de 1851, José Teodoro
de Souza e sua comitiva atingiu estas paragens [São Pedro do Turvo];
rezam as crônicas que eles aqui chegaram no dia 26 de junho de 1851,
onde deliberaram, dada a fertilidade das terras, a abundância de água
e de madeiras de lei, erigir a primeira povoação que seria, não
só a base, mas também o quartel general de seu arrojado empreendimento.
Isto em região então habitada pelos índios Xavantes” (3).
Termo legal de transmissão gratuita de domínios
indica que José Theodoro de Souza e esposa, Francisca
Leite da Silva, “doavam dentre os seus bens que possuíam
entre os rios de nome São João e o ribeirão
de nome São Pedro, da barra deste em o rio São
João, subindo por eles acima de um e outro lado a distância
de um quarto de légua, isto é, o terreno que
fica compreendido dentro do rio São João e Ribeirão
São Pedro, para neste terreno se edificar uma capela
e freguesia dedicada ou invocada a São João Batista”.
Referido documento foi lavrado aos 27 de abril de 1852, no
Cartório de Paz da Freguesia de São João
da Boa Vista do Jaguari, agora São João da Boa
Vista, da Sétima Comarca da Imperial cidade de São
Paulo (4).
O nome Capela de São João Batista logo seria
mudado para São Pedro dos Campos Novos do Turvo, por
volta de 1857, pela existência anterior de outra Capela
São João Baptista [depois São João
Batista da Faxina, São João Batista do Rio Verde
e, finalmente, Itaporanga]. A denominação São
Pedro não confundiria com Capela de São Pedro
porque esta passou a se chamar, na mesma época, Santa
Cruz do Rio Pardo.
Arruda Dantas informa que Theodoro “localizou os companheiros
nas imediações do local, estabelecendo cada um
em águas que vertiam para o rio Turvo, próximo,
e São João, e cuidou de efetuar as primeiras
plantações para garantia do abastecimento da
arrojada aventura” (5). Trabalhar a terra de imediato
era garantia não só da sustentação
do grupo, como também, de manutenção de
posse.
O pioneiro Theodoro fixou por ali residência até sua
morte em setembro de 1875, pouco depois de ver o local ser
elevado à condição de Distrito de Paz
São Pedro dos Campos Novos do Turvo, município
de Lençóis, em 5 de julho de 1875, pela Lei Provincial
de número 4. Em 24 de fevereiro de 1876 foi o Distrito
transferido para o município de Santa Cruz do Rio Pardo.
- Por um período de quatro anos, 1864-1868, José Theodoro
residiu em atual Campos Novos Paulista, localidade também
por ele fundada.
A importância de São Pedro do Turvo no século
XIX, certamente foi não apenas por nela residir o então
maior latifundiário da Província de São
Paulo, mas pela instalação de base de apoio aos
sertanistas e quartel general para os bugreiros, além
de centro de comercializações de terras, entre
1851 a 1864, a todos quantos pretendiam avançar o sertão.
Pela Lei Estadual 181 de 29 de maio de 1891, o Distrito foi
posto a município, na condição de Vila,
desmembrando-se de Santa Cruz do Rio Pardo, porém somente
a receber foros de cidade aos 19 de dezembro de 1960, conforme
Lei 1038.
São Pedro dos Campos Novos do Turvo, pela divisão
administrativa do Brasil em 1911, teve o nome reduzido para
São Pedro do Turvo. Pela divisão administrativa
de 1933 e as territoriais em 1936 e 1937, o município
ficou composto de dois Distritos: São Pedro e Ubirajara
(antiga localidade de Caçador), este desmembrado e elevado
a município pela lei estadual nº 223, de 24 de
dezembro de 1948.
Pelo Decreto-Lei Estadual
nº 9073, de 31 de março
de 1938, São Pedro do Turvo tornou-se componente ao termo
judiciário de Santa Cruz do Rio Pardo.
10.1 IMPORTÂNCIA REGIONAL
São Pedro do Turvo simboliza sem dúvidas a ousadia
do pioneirismo de José Theodoro de Souza, como referência
e caminho àqueles interessados em demandar o sertão.
Não era apenas lugar de pouso habitado por um punhado
de lavradores, e sim uma verdadeira fortaleza onde moravam
os parentes do pioneiro e seus principais homens de guerra,
intrépidos sertanistas matadores de índios que
garantiam a segurança não só do lugarejo,
mas de todos que desejam terras protegidas, o máximo
possível.
Durante o período do pioneirismo oeste paulista adiante
do rio Turvo, entre 1851 a 1875, São Pedro foi sede
principal das compras e vendas de terras, cabeça de
sertão e empório comercial, para onde afluíam,
também, os habitantes já mais adentrados no sertão,
ainda antes de Campos Novos e Conceição de Monte
Alegre se revelarem bases importantes como pontos avançados
e de segurança aos desbravadores.
Apesar de sua importância sertaneja e condição
de ultima sentinela da civilização do Sertão
Paranapanema, São Pedro do Turvo era um núcleo
habitado quase somente por parentes e agregados do pioneiro,
por isso com poucas casas. Não prosperou muito em mais
ou menos meio século, pois em 1904, escreve Cornélio
Schimidt – Diário de uma viagem pelo sertão
de São Paulo, a vila tinha 77 casas e em torno de 500
moradores – Publicação Anais do Museu Paulista
Tomo XV, 1961, páginas 423.
Não era muito mais que nos tempos do pioneiro. Após
a morte de Theodoro, em 1875, o povoado viu partir seus primeiros
filhos para a chegada de outras pessoas, adquirentes de terras
já desbravadas. Os pioneiros, aos poucos, venderam
suas terras, a bom preço, para se aventurar em novos
lugares que se povoavam.
Na virada do século XIX para o XX, São Pedro
nada lembrava a base de apoio e quartel general de Theodoro,
porém desde 1876 por lá se estabelecera José Ferreira
da Silva, o Silvinha, como primeiro chefe político local
cuja relação com o poder provincial contribuiu,
para desmembrar São Pedro de Lençóis,
de certa forma auxiliando Santa Cruz do Rio Pardo ser guindada às
condições de vila e município. Em 1891
conseguiu que a própria São Pedro ganhasse foro
de município.
Com a morte de Silvinha, Coronel João Pedro assumiu
o mando político local, com pretensões regionais
em oposição ao Coronel Tonico Lista, até ser
vítima de assassinato em 1908, sendo suspeito pela execução
do crime o Coronel Marciano José Ferreira.
Coronel Marciano marcou época no sertão e dele
nos fala Amador Nogueira Cobra, Em um recanto do sertão
paulista, Typ Hennies Irmãos – São Paulo,
edição 1923, às páginas 217, grafia
da época: “Viera de São Simão para
o Paranapanema, em companhia de outros parentes, entre os quaes
o cel. Antonio Evangelista da Silva, chefe político
de prestígio em S. Cruz do Rio Pardo, onde há pouco
morreu assassinado; Virgilio Ferreira, Lydio Ferreira e outros
residentes em Salto Grande; Azarias Gomes Ferreira e Joaquim
Ferreira de Lima , em Platina, além de filhos e genros,
residentes no Turvo [São Pedro do Turvo]. Por questões
políticas tornára-se inimigo do chefe de Campos
Novos [o Coronel Francisco Sanches de Figueiredo], depois de
ter sido, por alguns annos, companheiro deste e também
chefe. Retirou-se, por isto, para o vizinho município
[São Pedro do Turvo]”.
Com o misterioso desaparecimento do Coronel Marciano em 1911
- adiante descreveremos o assunto, fez-se chefe político
o Coronel Manoel Marques Vieira e, no distrito de Caçador
[atual Ubirajara] pertencente ao município de São
Pedro, o Coronel Porcino de Lima, ambos aliados do Coronel
Antonio Evangelista de Souza.
O lugar teve participação na formação
desenvolvimentista do Vale Paranapanema, sem experimentar as
conseqüências desta evolução por ser
núcleo essencialmente familiar, enquanto viveu o pioneiro
José Theodoro de Souza até 1875.
Seu ingresso
no cenário sertanista já estava defasado
em relação a outras regiões, pois que a
civilização já ia adiante de Conceição
de Monte Alegre.