ÍNDICE REMISSIVO
PARTE II: SÉCULO XIX – RECONTRO CIVILIZATÓRIO NO VALE PARANAPANEMA
O
MAIOR DOS DESBRAVADORES DO SERTÃO PAULISTA
Amado pelos amigos, odiado pelos inimigos, mas indistintamente temido por todos,
se era chamado de Pai Velho pelos nativos, a História, no entanto, o
registrou para sempre como O Exterminador de Índios. Bem ou mal, é a
este homem que se deve todo o desenvolvimento do oeste paulista. Seu nome,
José Theodoro de Souza.
INVASÕES PREDATÓRIAS D’ALÉM
SERRA BOTUCATU
Para Antonio Cândido “os estabelecimentos humanos
[brancos] só aparecem (nessa região) em pleno
século 19, sob a forma de fazendas e sítios
polarizados por Tatuí, na maior parte, e por Botucatu
os que se localizavam nas fraldas da serra. (...). Na direção
de Botucatu, o acesso ao planalto se tornava bastante difícil
pela serra, cujos morros fechavam a passagem para o sul,
atingindo também àqueles que vinham de Tietê e
os que desciam de Anhembi e, apenas para o lado de Porangaba
e Tatuí as comunicações eram desimpedidas
para o lado de Bofete; por aí, certamente, penetraram
povoamento e cultura naquela direção”
JOSÉ THEODORO DE SOUZA, CABEÇA
DE ENTRADA
Jose Theodoro de Souza foi o primeiro a entrar e explorar
terras do centro sudoeste paulista, precursor de entradas
de outros tantos sertanistas responsáveis pelo trabalho,
progresso e a valoração regional. Juntos, Theodoro
e seus pioneiros viveram os primeiros conflitos com os índios
e os perigos do dia-a-dia, numa região insalubre e
sem conforto algum para, cinqüenta anos depois, entrega-la
civilizada a seus sucessores.
PRIMEIRAS
FRENTES DE OCUPAÇÃO
Para os historiadores foram os esgotamentos do ouro e os
preços proibitivos das terras quem obrigou os mineiros,
num primeiro momento, se fixarem nos contrafortes paulistas
da Serra da Mantiqueira; depois, outros deles em região
de Araraquara, para enfim o Vale Paranapanema em meado
do século XIX.
FRENTES
DE EXPANSÃO – 1856 / 1864
Theodoro vendeu terras para muitas famílias mineiras,
lá mesmo nas Minas Gerais em 1856, àquelas
que o acompanharam e outras que, compradoras, somente mais
tarde resolveram assumir as propriedades adquiridas. No decorrer
de quase uma década chegaram apenas alguns aparentados,
gente pouca, para se estabelecer adiante do Turvo, já nas
adjacências do rio Novo, e ainda às margens
dos rios Batalha e Alambari, em assentamentos extremamente
complicados.
FRENTES
DE POVOAMENTO – DE
1865 A 1878
Em agosto de 1864 sabia-se inevitável a Guerra com
o Paraguai, por isso a Cruzada Patriótica, cada brasileiro
a se apresentar voluntariamente para defesa da Pátria.
O adesismo foi tão insuficiente que nos últimos
dias do mesmo ano, já se iniciava o recrutamento compulsório
de jovens, adultos solteiros e viúvos, em centros
bastante povoados, igual o sul de Minas, de onde mineiros
saíram às pressas rumo ao Paranapanema, para
escapar do arrolamento obrigatório para a guerra.
ROMPENDO
AS FRONTEIRAS DO SERTÃO PARANAPANEMA
A Guerra do Paraguai otimizou a venda de terras além
das expectativas, mais gentes querendo terrenos férteis
adiante do rio das Anhumas. Foi nesta época que João
da Silva Oliveira, o cunhado procurador de Theodoro, antecipou-se às
pretensões do pioneiro vindo apossar-se de vasta extensão
territorial, da margem direita do rio das Anhumas até a
Cachoeira do Frade na Serra do Diabo [hoje município
de Teodoro Sampaio], com largueza desde o rio Paranapanema
ao divisor do Peixe. Para evitar atritos, Theodoro se voltou,
então, para os lados da Serra do Mirante, Vale do
Peixe, mas lá estava seu genro Francisco de Paula
Moraes como titular de posses.
UM
NOME POR DETRÁS
DAS LENDAS
Theodoro
foi antes de tudo um exterminador de índios
que fez história na região Vale Paranapanema,
juntamente com seu cunhado, João da Silva Oliveira,
seu genro Francisco de Paula Moraes, o Chico Paula, outros
parentes e um grupo de aventureiros sertanistas, sendo muitas
as histórias contadas, verdades ou mentiras, a respeito
deles. Portanto, a saga do pioneiro é rica em incidentes
e sempre despertou polêmica e contradição
em torno de seu nome e da própria existencialidade.
Reproduzimos aquelas que não repugnam à verdade,
através de fontes confiáveis.
FAZEDORES DE FALSAS ESCRITURAS E OS PRIMEIROS
GRILOS
Os mineiros que chegaram com Theodoro, e aqueles primeiros
adquirentes de terras, eram quase todos de boa índole,
de costumes tradicionais, religiosos, não dados às
práticas de violências, honestos em seus compromissos,
que se respeitavam e se conheciam desde antes, quando não
vinculados por algum grau familiar, de compadresco ou parenteiro.
Com a Guerra e suas conseqüências, começaram
aparecer, entre os sertanejos, aqueles em busca de enriquecimentos
rápidos e até ilícitos, através
de falcatruas, daí a surgir malquerenças provindas
dos choques de interesses, até entre os primeiros,
uns e outros a mostrarem facetas desconhecidas, anos depois,
ao se enveredarem para as artes do logro e da indústria
das falsificações de títulos dominiais.
BRANCOS
QUE ATACAM, ÍNDIOS QUE MATAM
Índios lutavam contra índios. Eles eram assim, guerreiros disputando
territórios numa imensidão de terras vazias, sobrepondo-se uns
aos outros até chegar os brancos, com suas armas desiguais e muito mais
poderosas, não só para quebrar aquele ciclo monótono de
guerras tribais, mas também impor o seu modo cruel de tratar inimigos
vencidos. Com o tempo os índios aprenderam matar a maneira dos brancos,
empalando, crucificando, degolando e esquartejando corpos, com isso a espalhar
terror nos primeiros desbravadores do Vale Paranapanema, a partir de Campos
Novos Paulista, e das bacias do Peixe e do Feio [Aguapeí].
A VIDA
NO SERTÃO DO PARANAPANEMA
Tendo indicações de suas terras, os caminhos
até elas eram abertos a facão, foice e machado,
até encontrar o lugar mais ideal para definitiva
instalação. Quase todos que chegaram depois
do grupo primitivo, de 1851, se estabeleceram em terras do
povoado de São José do Rio Novo, exceto os
mais abastados que se fixaram em áreas já civilizadas,
como Santa Bárbara do Rio Pardo, Santa Cruz do Rio
Pardo e Espírito Santo do Turvo, ou na própria
localidade de São Pedro do Turvo. A vida era rude,
simples e perigosa, cabendo apenas a satisfação
das posses de imensas terras, ao lado da esperança
que um dia o progresso chegaria, nem se imaginava como, mas
até lá precisavam conviver com o sertão,
suas distâncias e dificuldades.
PRIMEIROS
NÚCLEOS POVOADORES – [RESUMOS
HISTÓRICOS]
Os primeiros povoados surgiram resultantes da expansão
territorial paulista, através das razias, ou seja,
das invasões predatórias em territórios
indígenas – com ou sem as temíveis dadas,
situações estas combinadas aos sucessivos ciclos
econômicos, da preação indígena,
da monocultura canavieira, do ciclo minerador, do tropeirismo,
da cafeicultura e das aberturas de estradas e ferrovias.
1.
SÃO DOMINGOS – NAS BOCAS DO SERTÃO OESTE PAULISTA
São Domingos [do Tupá] tem suas origens ainda
não de todo reveladas, suas histórias, suas
lendas e os seus mistérios que até hoje aguçam
imaginações daqueles que pretendem suas verdades.
2. BOTUCATU
Como entroncamento de ramais e local de paragem às
margens da vereda Peabiru, “Ibytu-katu” tornou-se
ponto de referência para caminhos a seguir, desde a
chegada dos europeus à América do Sul e tão
logo o uso daquela estrada. Seu nome significa bons ventos
da serra, embora existam outros tantos significados às
formas diferentes de formação das palavras
e pronúncias, quase sempre com o significado toponímicos
de bons ares da serra ou apenas, bons ares.
3.
AVARÉ
Segundo nos atesta Capitão Tito Correa de Mello, a
história que se pretende para a atual Avaré tem
início quando por lá apossaram terras os pioneiros,
Major Victoriano [Vitoriano] de Souza Rocha e o alferes José Domiciano
Santana, a partir de 1850, depois contando com as vindas
de outros posseiros, José Antônio do Amaral,
Generoso Teixeira, Antônio Bento Alves, Jacinto Gomes
de Morais, Dionísio José Franco, Francelino
de Mello e João Antônio de Souza.
4.
LENÇÓIS
Lençóis [Paulista], anteriormente terras de
uma sesmaria de meia légua de cada margem do rio Lençóis,
concedida a Antonio Antunes Cárdia por D.João
VI, Carta de 1818, lavrada em São Paulo, era local
desabitado e livre de ocupações quando o pioneiro
José Theodoro fez o desbravamento da região,
e nela erigiu um pouso ou ponto de apoio na rota para o sertão.
5. SANTA BÁRBARA [DO RIO
PARDO]
A região de Santa Bárbara do Rio Pardo foi
apossada por alguns membros do bando de José Theodoro
de Souza, participantes do combate aos índios em 1850/51,
o que bem parece de acordo com as informações
do professor José Ricardo Rios, que o pioneiro descendo
o rio fundou Santa Bárbara do Rio Pardo, região
dividida entre os representantes das famílias Bernardino
de Souza, Marques Valle e Dias Batista.
6. AGUDOS
Não se sabem nenhum nome entre os primeiros posseiros
das terras de Agudos, certamente membros do exército de
José Theodoro de Souza, comprometidos na guerra aos índios,
a partir de Avaré, entre 1850/51. Aparentemente tais
posseiros seriam empregados de Faustino Ribeiro da Silva,
nascido mineiro, rico fazendeiro botucatuense, investidor
de alguns de seus homens na aventura de José Theodoro
de Souza e do amigo Capitão Tito Corrêa de
Mello.
7. TIMBURI
Em 1799, a sabendas, certo Francisco Ferreira dos Santos,
sua esposa Maria Prudência de Oliveira ou Maria Ferreira
e o filho Antonio [ainda criança] chegaram aonde atual
município Timburi, provenientes de Ouro Fino, Minas
Gerais, após rápida permanência em Jaú [SP].
O rancho, onde residia Francisco Ferreira, situava-se seis
quilômetros acima da confluência dos rios Itararé e
Paranapanema, local daquele município.
8. SANTA CRUZ DO RIO PARDO
Santa Cruz do Rio Pardo Historiografia
Cronológica para o Século XIX
9. PIRAJU
O povoado Piraju [antes Tijuco Preto] situado “na rota
de antigos caminhos tropeiros, e da penetração
acelerada de pioneiros na metade do século 19 (...)”;
aliás, Tijuco Preto seria a semelhança dos
sons da expressão guarani Teyquê-pê que
significa Caminho de Entrada. Pelas indicações
trata-se dum picadão aberto por tropeiros, em direção
a Botucatu, para escapar da fiscalização e
pagamento de taxas sobre os animais que traziam do sul do
país. Também um Aldeamento Indígena.
. .
10.
SÃO PEDRO DO TURVO
Em 1847 o desbravador José Theodoro de Souza, em sua
primeira incursão pela região, teria escolhido
o lugar aonde São Pedro do Turvo, para sua moradia
junto dos familiares, a simbolizar sem dúvidas a ousadia
do pioneirismo como referência e caminho àqueles
interessados em demandar o sertão. Não era
apenas lugar de pouso habitado por um punhado de humildes
lavradores, e sim uma verdadeira fortaleza onde moravam
os parentes do pioneiro e seus principais homens de guerra,
intrépidos sertanistas matadores de índios
que garantiam a segurança não só do
lugarejo, mas de todos que desejam terras protegidas, o máximo
possível.
11. CAMPOS NOVOS [PAULISTA]
Consta que em 1852, na exploração de suas posses
a partir de São Pedro do Turvo [Capela de São
João Batista], Theodoro fez acampamento nas proximidades
de um riacho que denominou Água da Barraca. Pouco
mais adiante viria encontrar o rio que chamou de Novo, onde
fez levantar uma cruz, sob invocação de São
José, ficando a localidade sob denominação
de São José do Rio Novo, e a partir daí a
história do povoado e o avanço sertanejo para
o sertão, mesmo diante dos freqüentes conflitos
com indígenas, aos poucos afugentados ou exterminados.
12.
CONCEIÇÃO DE MONTE ALEGRE
Na ultima década do século XIX, dizem os historiadores,
ninguém tinha vida tranqüila em Campos Novos
ou Platina senão membros do partido político único
da região. Mesmo dentro do território da Comarca
era preciso estar sempre vinculado a subchefes do partido
dominante na sede. Conceição de Monte Alegre,
porém, contrastava a realidade do restante da Comarca,
pois cada habitante tinha sua moradia própria, o seu
emprego ou profissão “assim não dependiam
de chefes políticos para se manterem nos immoveis.
(...)”.
13. BAURU
A primeira referência histórica ao nome Bauru – Terra
dos Baurus, adiante de Botucatu e da Serra dos Agudos, consta
do ano de 1750, quando o bandeirante Manuel Lopes pretendeu
por lá, lavouras e cercados de gados para abastecer
monçoeiros que faziam uso do Tietê (1). Os silvícolas
cognominados Beuruz, não admitiram a fixação
de Lopes nem de sua gente naqueles territórios, entre
os vales dos rios posteriormente designados Bauru e Batalha,
onde abundavam os pássaros uru – galináceos
da família dos faisões, e a ubá – tipo
de planta herbácea utilizada para se fazer cestos,
jacás e balaios.
14.
ESPÍRITO SANTO DO TURVO
A região que corresponde ao vale dos rios Pardo e
Turvo começou a ser colonizada a partir de 1847, com
a chegada inaugural dos mineiros integrantes do bando de
José Theodoro de Souza, que ficaram pela região
até chegada das primeiras famílias, Não
se sabe, portanto, por quem e quando surgiu a informação
que José Theodoro de Souza e um grupo seu, esteve
na região de Espírito Santo do Turvo em 1842.
Menos ainda, o que efetivamente foi fazer por lá.
15. IPAUSSU
O sertanista Tenente Urias Emygdio Nogueira de Barros [1790-1882] “foi
senhor dasseguintes sesmarias: (...); Rio Verde, na Faxina;
Antas, em Lençóis, onde hoje está a
povoação da Ilha Grande [hoje Ipaussu] no município
de Santa Cruz do Rio Pardo; (...)”. Conforme considerações
históricas, a Sesmaria [das] Antas [Ilha Grande, atual
Ipaussu] foram outorgadas a Luiz Pedroso de Barros, e depois
repassadas a José Monteiro de Barros, avô materno
de Urias. Por volta de 1860 chegaram os bugreiros João
Antonio Justino, vulgo João dos Santos, e João
Correa de Miranda.
ESCRAVIDÃO INDÍGENA
E OS ALDEAMENTOS NO VALE PARANAPANEMA
Foram diversas as leis proibitivas de guerra ao índio
e sua escravização, a primeira delas ainda
em de 1570, lei parcial por permiti-la sob referida alegação
de "guerra justa", quando no ano de 1609 achou-se
por bem ratificar o direito indígena à liberdade,
sem nada lhe acrescer às garantias individuais. Outras
leis vieram, em diferentes épocas, e não bastaram,
até que em meado século XIX optaram pelo sistema
de aldeamento oficial indígena, cabendo ao administrador
repassar aldeados aos brancos, interessados em colaborar com
a Instituição na educação e profissionalização
do bárbaro, com isso a mascarar, de certa forma, a
matança e o tráfico de mão de obra escrava
indígena.
ESCRAVIDÃO NEGRA NO SERTÃO
PARANAPANEMA
Registros em Botucatu, Lençóis [Paulista] e
Santa Cruz do Rio Pardo revelam a existência de escravos
negros no Vale Paranapanema, inclusive seu aumento entre
os anos 1873 a 1880, em conseqüência às
chegadas de famílias brancas abastadas, quando então
cessaram registros de entradas e, mais que isso, quase todos
os fazendeiros declararam gradativamente libertos os seus
escravos negros, a partir de 1881, mediante os primeiros
contratos de trabalho livre, celebrados e registrados em
cartório. No Vale Paranapanema, em 1890, ainda tinha
escravo negro pagando o preço de sua liberdade antecipada.
IMPLANTAÇÃO
CAPITALISTA E OS CAMINHOS DA INTEGRAÇÃO
Os acontecimentos contam a história: o Brasil com
a Guerra do Paraguai e conseqüências posteriores,
endividou-se com a Inglaterra – financiamento da guerra,
o custeio do governo-igreja e senado vitalício, a
emissão de moedas, a inflação, os problemas
militares e escravistas, todos como exemplos da crise que
envolveu diversos segmentos sociais e setores econômicos
da vida nacional. O Brasil buscou socorro internacional,
com garantias suficientes para o capital estrangeiro nele
ampliar presença, através de grandes investimentos
junto ao governo e aos grandes empreendedores nacionais,
facilitando o crédito e financiando o desenvolvimento
industrial vinculado à economia cafeeira, abertura
de estradas terrestres e férreas, e a criação
de gado.
GRANDES
NOMES PRECURSORES DA HISTÓRIA
DO VALE PARANAPANEMA
Este capítulo ilustra uns poucos nomes dentre aqueles
muitos que construíram a grandeza do centro-sudoeste
paulista, posto cita-los todos exigiria dicionário
enciclopédico. Escolhemos alguns líderes
que fizeram histórias locais, regionais ou mesmo na
província, destacando os coronéis, alguns padres
e outros que deixaram histórias, por algum motivo,
como Serodio [Serôdio] – o padre que amou mulheres
e com elas gerou filhos; ou o indefectível José Soares
Monteiro, cuja profissão era matar homens por encomendas.
- CAPITÃO TITO CORREA DE MELLO – QUEM
FEZ A HISTÓRIA ACONTECER - A “Era
Tito” em Botucatu começou por volta de
1847, o “(...) jovem mineiro que residira em
São Paulo, Rio Claro, Itu, Itapetininga onde
tomou por esposa uma filha de José Gomes [Machado]
Pinheiro, razão direta da sua vinda para as
terras que o sogro possuía (...).”.
- ALFERES
MANECO DIONÍSIO – O MAESTRO
DA POLÍTICA - O
Alferes Manoel Marcellino de Souza Franco – Maneco
Dionísio, comprovadamente a maior expressão
política de todo Vale do Paranapanema, no século
XIX e princípios do XX, sem o uso da truculência,
da força das armas, das proteções
compradas ou dos comprometimentos escusos, tão
comuns na época dos coronéis.
- FRANCISCO
SANCHES DE FIGUEIREDO O MAIS PODEROSO DOS CORONÉIS - Dono
absoluto do poder em toda Comarca de Campos Novos [Paulista],
do Coronel Sanches [Sancho] contam horrores, tanto
capaz de enfrentamentos aos índios quanto implacável
com os adversários, sem perder a ternura com
aqueles que lhe eram subservientes e correligionários,
porque o meio assim exigiu dele, um homem destemido,
progressista e fadado a ser líder.
- CORONEL
ANTONIO EVANGELISTA DA SILVA – A
TRAJETÓRIA E O DESTINO DE UM HOMEM - O Coronel
Tonico Lista, como era conhecido, herdou todo patrimônio
político do Coronel Botelho, fazendo-se o todo
poderoso da ainda vasta comarca de Santa Cruz do Rio
Pardo, com o apoio e o temor dos pobres, a simpatia
e servilidade dos ricos e o respeito dos adversários.
Arguto colocou seus interesses pessoais juntamente
com os da comarca que dirigiu, numa projeção
nominal tanto política quanto econômica.
- ATALIBA
LEONEL: O ULTIMO DOS CORONÉIS
ATÉ FOI GENERAL - Enérgico,
organizado e líder, Ataliba meteu-se no universo
dos coronéis para se fazer um deles, de grande
mando e prestígio, pregando a união de
seus pares em torno de um nome para representá-los
politicamente junto ao governo de São Paulo,
e esse nome era o seu, o mais letrado de todos os chefes
políticos regionais do oeste paulista.
- FRANCISCO
JOSÉ SERÓDIO – O
PADRE QUE AMAVA AS MULHERES E COM ELAS GEROU FILHOS
E FILHAS - Padre Seródio
[Serodio] começou fazer história no sertão
oeste paulista, em 1872, quando nomeado pároco
em São Domingos [do Tupá], então
cabeça eclesiástica adiante de Botucatu,
para os novos povoados [Capelas] que iam surgindo no
sertão pós-entrada avassalante dos entradistas
mineiros em meados do século XIX (3). Seródio
foi pároco em São Domingos num primeiro
período de 15/03/1872 a 31/05.1872 – quando
substituído, e de janeiro de 1873 a setembro
ou dezembro do mesmo ano.
- FREI MARIANO DE BAGNAIA - Frei
Mariano foi o nome religioso adotado por Saturnino, nascido
na localidade de Bagnaia, província de Viterbo [Itália],
que chegou ao Brasil em 1847 através das Missões
Estrangeiras no Brasil para catequização
ao índio, até ser feito prisioneiro de guerra
no Paraguai, onde torturado até o limite da resistência
humana antes de ser liberto para viver uma das mais comoventes
histórias do Vale Paranapanema.
- FREI
MANOEL – O HOMEM-DEUS DO SERTÃO -
Não se sabe exatamente quando, nem onde, o nortista
Manoel Izabel recebeu o chamado de Deus para o ministério
de salvação, pois que ele já surge
Frei Manoel e pregador pronto, por volta de 1892, vindo
lá dos lados do Paraná para chegar em Piraju
e depois Campos Novos [Paulista], anunciando o fim dos
tempos e o estabelecimento do reino divino nas férteis
terras do Paranapanema
- JOSÉ SOARES MONTEIRO [VULGO VALDOMIRO
BANDEIRA JUNQUEIRA] – MATADOR DE
HOMENS -
A maioria dos crimes de José Soares Monteiro,
ou Valdomiro Bandeira Junqueira, ficou impune, pois
eram crimes de empreitada a favor de mandatários
regionais ou locais, em algumas ocasiões. Chamavam-no
Justiceiro e a ele são atribuídos muitos
assassinatos à traição, frente
a frente e crimes misteriosos, cuja autoria jamais
pode ser confirmada, mesmo todos cientes que eram feitos
de Valdomiro Bandeira.
- DE
JOSÉ ORTIZ DE OLIVEIRA E DESCENDENTES – O
mineiro José foi o pai de Salvador Ortiz do Oliveira,
um dos desbravadores do sertão onde hoje a região
de Paraguaçu Paulista. Também de José Ortiz
de Oliveira descende o autor deste trabalho.
ADENDAS
Pela dinâmica das pesquisas e descobertas é quase impossível fechar um trabalho de história, onde são tantos os acontecimentos, que muitos nos chegam apenas tardiamente. Por se tratar de estudos que subsidiam a história do Vale Paranapanema – século XIX, não é justo privar o leitor ou o estudioso de tais outras informações, razões quais optamos por uma adenda, até reunião de material suficiente para algum novo capítulo ou acrescimentos àqueles necessários.
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