
INCURSÕES PREDATÓRIAS
EM TERRITÓRIOS
INDÍGENAS DO VALE PARANAPANEMA
DIREITOS AUTORAIS
CERTIFICADO DE REGISTRO OU AVERBAÇÃO
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL – MINISTÉRIO
DA CULTURA
ESCRITÓRIO DE DIREITOS AUTORAIS
CELSO PRADO
RAZIAS – INCURSÕES PREDATÓRIAS EM
TERRITÓRIOS INDÍGENAS. . .
PROTOCOLO DE REQUERIMENTO 2006RJ15714
Nº DE REGISTRO 391.422 – Livro 728 Folhas
82
RIO
DE JANEIRO – R.J / Brasil
Autorizada reprodução total ou parcial
com citação da fonte
Edição
disponível em Livro Eletrônico – ebook – Gratuitamente.
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ÍNDICE REMISSIVO
PARTE I: INCURSÕES
PELOS CAMINHOS DO VALE PARANAPANEMA
HOMENAGENS
A todos aqueles que, de uma mane3ira ou outra, contribuíram
para a realização deste trabalho
CONVENÇÕES
Para melhor compreensão de documentos, localizações
e outros esclarecimentos, a seguinte relação
melhor situará o leitor no contexto dos acontecimentos.
APRESENTAÇÃO
Ao pretendermos este trabalho, até onde se encontra,
imaginávamos apenas passeios históricos pelas
antigas cidades do Vale Paranapanema, para assim diminuir,
um tanto, o desconhecimento historiográfico regional
e informar, com documentos dispostos, os primeiros acontecimentos
e as conseqüências dos recontros civilizáveis
ou, mais propriamente, as razias e dadas promovidas pelos
brancos aos índios por mais de três séculos
de conquistas, em nome da civilização e do
progresso.
PORTUGAL:
ANTECEDENTES HISTÓRICOS
Pelas ações na luta contra os mouros a Henrique
foi concedido, por Afonso VI, de Leão e I de Castela,
o título de Conde, a mão de D. Teresa e, com
esta, o dote que abrangia partes do território de
Lusitânia como Coimbra, Lamego, Viseu, Porto, Braga,
Guimarães, Beira, Traz-os-Montes, Galizia e o Castelo
de Lobeira, a seguir acrescido com o restante da Lusitânia
e o reino do Algarve, tomado dos infiéis mouros, para
formar Portugal.
A AMÉRICA MUITO ANTES DA PRÓPRIA
HISTÓRIA
Antes que a Europa estivesse densamente povoada,
o homem já chegava à Indonésia e Austrália
quando, por esta época, elementos fortemente enegrecidos
vindos das regiões savanas passaram pela Europa e Ásia,
para entrar no continente americano, pelo Estreito de Bering,
por volta de 70 mil anos (1), fugindo dos rigores climáticos
que então cobriam de gelos toda a Escandinávia,
norte da Inglaterra, norte da Alemanha e centro-sul da Rússia.
OS
CELTAS ANTES DOS VIQUINGUES – DEPOIS VIERAM OS
PORTUGUES E ESPANHÓIS
A presença
celta em continente americano, séculos antes de Colombo, é hoje
acontecimento histórico inquestionável, inclusive com ciência
da Santa Sé que lhe cobrava impostos e os dízimos da produção
pesqueira. Mas os Celtas não eram os únicos, os Viquingues também
conheciam a América, desde que lá chegaram perseguindo os celtas;
e, se os Celtas se dedicavam à pesca e religião, os Viquingues
optaram pela dominação e o comércio da madeira, trazendo
para a Europa o pau-brasil, igualmente a manter em segredos seus conhecimentos.
Depois chegariam os portugueses e espanhóis.
JUDEUS DESTERRADOS A 25O. DE LATITUDE
DA INSULLA BRASILIAE E OS PRIMEIROS ENTRADISTA
Portugal
sabia de terras suas do outro lado do Atlântico,
antes mesmo da descoberta oficial, porém as considerava
de pouca significação econômica diante
dos produtos do Oriente; no entanto, cumpria-lhe a ocupação
territorial para oficialmente torna-las suas, por isso fez
nelas desembarcar os seus indesejados, judeus e presos degredados,
desde o final do século XV com direitos de retorno à metrópole,
se conseguissem estabelecer vínculos com os nativos
e condições de feitoria, segura e lucrativa,
para o reino português.
PARÊNTESE HISTÓRICO – “EL
REY” COSME FERNANDES PESSOA, O BACHAREL E MESTRE
EM CANANÉIA
Durante séculos o Bacharel de Cananéia foi
apenas uma incomoda lenda que Portugal insistia manter, pois
que admiti-lo por real seria confessar conhecimentos das
terras do Brasil antes do próprio descobrimento em
1500. Posteriormente Portugal concedeu ao Bacharel a distinção
de naufrago aportado em costas brasileiras, só muito
mais tarde a lhe revelar o nome Cosme Fernandes Pessoa, certamente
por não poder apagá-lo das crônicas espanholas
que diziam desse homem, rico e poderoso, a quem chamavam
falador, daí o apelido Bacharel.
DO
ATLÂNTICO AO PACÍFICO PELO VALE
PARANAPANEMA
O Vale do Paranapanema jamais foi sertão desconhecido,
por ser chão de passagem de um caminho desde o Atlântico
[São Vicente] ao Pacífico [Peru e Equador],
depois de vencer os Andes. Tratava-se de uma estrada de oito
palmos de largura [1,76 metros], num trecho de 200 léguas,
ou seja, mil trezentos e vinte quilômetros apenas em
território brasileiro, coberta de gramíneas
especiais que impediam crescimento de arvores, arbustos e
ervas daninhas.
O
SERTÃO NOS CAMINHOS DAS ENTRADAS E BANDEIRAS
O primeiro rendoso comércio no Brasil foi capturar índios
para a escravatura, sendo o Sertão Paranapanema grande
viveiro natural e de fácil caçada, por isso
a presença de tantos bandeirantes e entradistas, portugueses
e espanhóis. Outros apenas passavam pela região
em andanças pelo sertão ou a caminhos do Mato
Grosso, Guairá, Paraguai, Bolívia e Peru.
TRIBOS
INDÍGENAS
NO VALE PARANAPANEMA
Quando da chegada dos conquistadores mineiros na região
do Vale Paranapanema, em 1850, eram quatro as principais
tribos indígenas: os Tupi-guaranis Caiuás,
os Jês Oti-xavantes e Opaiê-xavantes, além
dos temíveis Caingangues. Foram os Botocudos e os
Jê Xokleng ou Guayanã, também habitantes
na região, para alguns um mesmo povo, para outros,
tribos distintas embora aparentadas inclusive aos Caingangues.
1.
GUAYANÃ [XOKLENG]
Não raramente o Guayanã é apontado como
Povo Aweikoma, do mesmo grupo Caingangue, mas com certas
diferenças culturais adquiridas de grupos pioneiros
e mantidas por força de isolamento, como o botoque,
transformadas em tradições que os tornariam
diferentes, porém próximos dos Botocudos. Habitou
as margens do Paranapanema e a região de Avaré,
onde dizimados os últimos Botocudos..
2.
CAIUÁ,
POVO TUPI-GUARANI
Os Caiuás que ocupavam partes do Planalto Ocidental
Paulista, no século XIX, não eram unidades
políticas, parecendo-nos destroços tribais
unificados que adotaram usos, costumes e língua variante
[dialeto] do Abanheenga dos Guaranis, desde os aldeamentos,
por isso os Caiuás compreendidos como Guaranis Independentes.
Quase nada se sabe deles em estado selvagem na região,
talvez nunca tenham existido nesta situação.
3. XAVANTES
Referências históricas apontam o povo Xavante
integrante da família lingüística Jê,
do tronco Macro-Jê, originário remoto do litoral
maranhense, posto em fuga desde a chegada [invasão]
dos colonizadores a seu território, em fins do século
XVI, parte migrando para terras norte e centro do atual estado
goiano, parte em região mato-grossense, entre os rios
Culuene e das Mortes. Aí já em formação
dois grupos que mais tarde se tornariam distintos no Planalto
Ocidental Paulista..
4. CAINGANGUES
Quase toda a imensa área entre os rios Tietê e
Paranapanema, desde as nascentes do Feio [Aguapeí]
e do Peixe, às barrancas do Paraná, dominava
os Caingangues, ameaçadores à presença
do branco invasor de seus domínios, também
intolerantes com outros índios da região, e, às
vezes belicosos até com suas próprias gentes
de outras tabas.
ESTADO
TEOCRÁTICO INDEPENDENTE DO GUAIRÁ [GUAYRÁ]
No ano de 1608, em nome da Santa Sé, a partir do rio
Paranapanema, se levantaram Reduções Jesuíticas
como cidades organizadas, cada vez mais prósperas
e populosas tanto que outros núcleos foram surgindo,
com suas capelas, cemitérios, escolas, casas, oficinas,
olarias, fornos, marcenarias, agricultura diversificada,
pecuária, horti-fruti-granjeiros e um promissor intercâmbio
comercial direto com centros europeus, especialmente Espanha.
RAPOSO
TAVARES, O JUDEU QUE ODIAVA OS PADRES E CAÇAVA ÍNDIOS
Uma carta de 1631 diz que o bandeirante Antonio Raposo Tavares,
indagado com que autoridade aprisionava os índios
e atacava os padres, teria dito que “lhes dava [tal
autoridade] os livros de Moisés”, para muitos,
nestas palavras, sua confissão de fé judaica.
TRAIÇÃO À CAUSA
JESUÍTICA
Para conquistar Guairá era preciso uma pessoa com
autoridade para remover as frentes militares que protegiam
estrategicamente os povoados, e o recolhimento compulsório
de armas e munições em poder dos missionários.
E o próprio governador paraguaio se prestaria a isto.
MOTIVOS
PARA UMA GUERRA INSANA
São diversas as justificativas para a Guerra do Guairá,
como a escravização indígena, a expansão
territorial luso-brasílica ou o ultra nacionalismo
português para a restauração de seu trono,
sem desconsiderar a briga religiosa entre os judeus bandeirantes
e os padres jesuítas, com suas implicações
de causas e conseqüências.
ÀS NUVENS DE FLECHAS O CLARÃO
DAS ARMAS DE FOGO
Produzidos os motivos da guerra, em dezembro de 1628 as missões
jesuíticas sofriam os primeiros ataques bandeirantes,
sem o apoio do governo de Assunção que lhes
requisitou antes todas as armas e munições,
bem como determinou a retirada dos soldados paraguaios, para
assim cair primeiro a redução de San Antonio
a 30 de janeiro de 1629. Depois, uma a uma as demais cidades
jesuíticas de Guairá.
CONSEQÜÊNCIAS
DO BANDEIRISMO
A tomada de Guairá ou o sucesso de Raposo sem dúvidas
incentivou demais entradas em outras regiões além
Tordesilhas. A própria revolução nacionalista
portuguesa de 1640, que conduziu D. João IV ao trono
português, depois de sessenta anos de dominação
espanhola, teve sua inspiração na expulsão
dos espanhóis do território avançado
pelos bandeirantes entre 1628 a 1638.
FAZENDA
JESUÍTICA DE BOTUCATU
Toda a história do sertão paulista, quanto à fixação
do branco adiante de Itapetininga ou, mais propriamente, a
partir dos limites da Fazenda Jesuítica de Guareí para
além da Cuesta de Botucatu, teve início em 1719
quando os jesuítas, através de seu superior o
padre tenente Estanislau de Campos, fundaram a Fazenda Ibytu-Katu
[Botucatu]. Seus aspectos preliminares, os primeiros arranchamentos,
administração dos bens, o confisco e expulsão
dos padres, o despovoamento e a repovoação, são
histórias de uma época. . .