O mundo das Magias sempre interessou ao homem, desde a antiguidade, pois que este sempre buscou interações com espíritos benéficos e maléficos, com intenções evidentes de domina-los e torna-los inofensivos a si, porém estupidamente dispostos a ataques e defesas em favor daqueles que os conquistaram, através de práticas secretas e cabalísticas.
A Magia ainda hoje, apesar de tantas correntes, distingui-se por dois métodos:
- Magia Branca ou Teurgica, que trata da vida espiritual do homem, das entidades celestiais e suas influências no mundo da materialidade, também sobre o próprio ser humano em sua pisquê, bem como a maneira de contata-las, sempre por motivos e sentimentos elevados. Os que estudam ou vivem a Magia Branca, são denominados de Magos.
- Magia Negra ou Goécia, em princípio seria toda prática de ações opostas à Teurgia; alguns autores denominam seus praticantes de Feiticeiros ou Bruxos.
1. MAGIA BRANCA E SUA PRÁTICA
A Magia Branca, na opinião de muitos estudiosos, tem duas formas distintas de práticas, a saber:
- Direta: o atendimento às necessidades, próprias ou de terceiros, levando-se em conta a índole do espírito solicitado, e que o indivíduo esteja em condições (merecimentos por exemplo) de receber aquela Magia;
- Indireta: quando determinados espíritos luz são solicitados, isto é, recebem ordens para ações específicas de benefícios ou defensivas, em favor do solicitante ou para quem este almeje serviços.
Todas rezas, orações, pedidos e promessas a santos protetores, em interesse próprio ou a favor de terceiros, são práticas mágicas e delas se esperam sempre resultados favoráveis e rápidos. É uma Magia Simpática, onde existe o predomínio do amor, das regras de moral e espírito de fraternidade.
Na antiguidade, Magia confundia-se com Religião, e realmente esta nasceu das práticas mágicas, das evocações, invocações e esconjuros aos espíritos da natureza; a Magia estava presente quando dos cultos totêmicos, acompanhou o animismo, e sem dúvidas foi o grande alicerce para as primeiras grandes religiões, eivadas daquelas praticas mágicas, destinadas ao agrado dos deuses.
A Magia é tida como a mãe de todas as Ciências, pois dela nasceram a Alquimia, as Ciências Médicas, a Astrologia e todos conhecimentos que se acham à disposição do ser humano. Ninguém ignora que da Alquimia surgiram a Farmácia, a Química, a Botânica, a Medicina com seu empirismo inicial e posterior evolução, etc; da astrologia ergueu-se a Astronomia, e assim por diante.
Para conquistas do saber teúrgico, deve o postulante dedicar-se aos estudos das divindades (teogonias), ou seja, saber delas e como invoca-las, com uma série de rituais e indumentárias, que vão desde a higiene pessoal, abstinência (alimento, sexo e bebida), orações e súplicas, às vestimentas de conformidade com a entidade pretendida ou em razão do culto estabelecido (de jubileu, ação de graça, luto, gala, etc).
A Magia não admite ausência de fé em suas práticas e feitos, seus rituais são severos, para que se possa conquistar as virtudes mágicas cósmicas, sem as quais é pura perda de tempo do postulante.
Para cada exercício teúrgico existe um preceito correspondente, e este, embora com variantes de um culto para outro, é sempre fator preponderante para resultados positivos.
O bom Mago tem o Universo como o seu deus, na compreensão de que ele, como ser humano, não existe apenas pela ancestralidade, pois que sem a Terra, Sol, Via Láctea, enfim todo o Cosmos, jamais existiria; o Mago se interage com todas as forças da natureza e a respeita.
O Universo é a Energia Vitalidade – Princípio Ativo Gerador – e a Consciência Cósmica é a Energia Mãe, que procria Energias Filhas e Filhos, que são todos elementos da natureza e necessários à vida, seja ela animada ou inanimada, e o Mago que sabe disto é sempre capaz de poderosas realizações.
De tradição inicialmente oral, depois na forma escrita, desde a antiguidade a Magia reveste-se de um secretismo somente dado a conhecer aos seus Iniciados. O homem revestido de poderes mágicos, sem dúvidas é capaz de prodigiosas operações, pois que conhece e bem sabe das relações metafísicas.
Existem Escolas e mais Escolas Iniciáticas, algumas místicas, outras essencialmente Esotéricas (fechadas) cujos conhecimentos são repassados apenas aos seu filiados e, ainda assim, numa elaborada – às vezes complexa – escala de graus, onde o Iniciado evolui conforme o saber, tempo e fidelidade às regras.
Também são conhecidas as tais Escolas Exotéricas, inicialmente abertas ao público, onde o indivíduo encontra todas as condições de aprendizado e evolução, cada vez mais crescentes, até ingressar junto ao restrito círculo dos Iniciados, onde a partir de então, o esoterismo torna-se fundamental.
Outros tipos de Escolas são comumente citadas, como certas Ordens Místicas, Sociedades Fraternas, Seitas Secretas, Movimentos Gnósticos e Irmandade Cósmica Universal, entre tantas existentes, que torna-se quase impossível que algum pretendente ao Mundo das Magias, não venha encontrar de pronto uma Ordem que lhe satisfaça necessidades, pois que o difícil é escolher.
O pretendente pode todavia desenvolver seus talentos sem filiar-se a algum grupo, algo um tanto difícil, cansativo, às vezes oneroso, mas plenamente possível; uma pessoa religiosa, de firmes convicções, dificilmente não pertence a alguma seita qualquer, todavia existem aqueles que desenvolvem suas crenças sozinhos, embora falta-lhes o convívio com outros iguais, assim como as trocas de experiências.
Para o candidato particular à Magia, é preciso desenvolvimento adequado de certas práticas projeciológicas, para que possa penetrar no Universo da Consciência Cósmica, onde adquirirá conhecimentos necessários à sua formação; também é extremamente necessário a aquisição ou o despertar das faculdades paranormais, por exemplo a Criptestesia, ou seja, o conhecimento extrasensorial daquilo que não se acha sensível aos sentidos comuns ou de seus duplos, e de outros fenômenos que se enquadram ou são estudados pela Parapsicologia; as demais coisas certamente virão por si.
2. MAGIA NEGRA SEM MISTÉRIOS
A Goétia Ou Goêcia – Magia Negra, sempre despertou encantos sobre o homem, seja pela sua eficiência, rapidez e aparente facilidade para atingir propósitos. Ela é o lado mal, numa visão simplista, que todos nós temos e, por tememos tanto soltar de maneira direta contra nossos oponentes, preferimos escudar-nos no manto diáfano de uma entidade qualquer, de esquerda.
Na verdade, a ação dessa entidade poderosa, nada mais é que a própria projeção do mal que existe em nós, onde a força expressa do desejo, o ódio sentido do momento, sem dúvidas a Magia Negra pode causar danos irreparáveis na pessoa que pretendemos atingir. A Magia Negra nos dá a sensação do poder que às vezes a sociedade insiste em negar-nos.
É opinião dos Magistas, que a Magia Negra é apenas Magia, pois que fundamentalmente não existem a Negra e Branca, sendo tudo uma simples designação de circunstâncias; o que é bom para um pode não ser, necessariamente, tão bom para outro, pois quase sempre, quando pedimos algo em nosso favor, também quase sempre alguém sofre os prejuízos. Vejamos algumas situações corriqueiras:
- Você solicita aprovação num concurso público, não importa por qual tipo de Magia, mas pede e é aprovado, às vezes em detrimento de uma pessoa que não fez pedido algum – apenas estudou e bem mais que você; para você um bem (mesmo que não precise tanto daquele serviço), para outro um mal tremendo;
- Você deseja uma pessoa, faz trabalho de amarração e consegue seu intento, trazendo para si aquela pessoa que não lhe queria mas, que repente sentiu-se impulsionada para estar ao seu lado, ainda que para viver sem paz depois de determinado período, impotente para reações, anulada em seu íntimo, reprimida e arrependida; para você um bem, uma conquista para satisfação do próprio ego, como aquisição de um brinquedo que depois enjoa e deixa do lado, enquanto para a pessoa, algo nada bom.
- Se num trabalho pedido e feito, você fere, prejudica, aleija ou mata alguém indefeso, você simplesmente eliminou um inimigo e isto por certo lhe é bom, enquanto para a pessoa, familiares e próximos dela, pode ter sido algo ruim;
- Um concorrente seu, num ramo de atividade qualquer, você o anula plenamente, isto é bom para você, talvez não para ele.
Nestes aspectos, todos os conceitos de bem e mal são bastante subjetivos, muito particular de indivíduo para indivíduo. Portanto não existe Magia Branca ou Negra, pois que tudo é Magia.
Alguns estudiosos dizem que estes atos não são Magias, todavia não conseguem explicar então o que é Magia, senão uma maneira para se conquistar realizações, ou atingir objetivos. Oras, não devemos ser hipócritas e fingir ignorância, pois que sabemos perfeitamente bem que, desde o princípio o homem sempre procurou subjugar e eliminar seus oponentes, ou conquista-los para escravização, mental ou mesmo tê-los sob seu inteiro domínio e dispor, necessários até para a própria sobrevivência daqueles, subservientes assim às satisfações de seu amo – no caso você – nos mais torpes desejos.
Alguns entendidos em Magias e que se dizem Magos Teúrgicos, na verdade Magos de Plantão ou de páginas de livros – nem todos naturalmente – definem por Mago apenas os que praticam a Magia Branca e de Feiticeiros os que promovem a Magia Negra, o que sem dúvidas é um absurdo.
Mago é todo aquele que sabe das forças realizadoras e delas se valem para seus propósitos, enquanto o Feiticeiro igualmente sabendo do existir daquelas forças, no entanto deixa-se usar por elas, portanto assim duas classificações bastante distintas. Também, por outro lado, todo e qualquer Mago Branco tem que necessariamente conhecer a tal Magia Negra, pois que sem isso seus trabalhos perdem eficácias – igualmente vale a recíproca. É bom no entanto compreender que Magia não é Religião, e o que se vê por aí são certas misturanças infundadas, mas qualquer Religião tem o seu lado mágico, através de certas práticas reservadas aos Iniciados ou Sacerdotes.
Coexistindo todavia Magia e Religião no entendimento popular, não podemos fugir desta realidade e ignorar que a fé ou crença, não venha realizar-se em favor de quem solicita, vez que para a Magia são fundamentais fé e crença naquilo que se propõe.
Todos podem ser atingidos pelo furor da Magia Negra? Pergunta nal qual muitos insistem e as respostas são as mais desencontradas possíveis.
Eu respondo que sim, desde que desguarnecidos, incrédulos ou incapazes de um bom e eficiente combate.
Muitos confundem Cultos Satânicos com Magia Negra, e outros até mesmo acreditam que em rituais da Goêcia praticam-se sacrifícios humanos, o que é um tremendo absurdo. Sacrifícios humanos foram mais ou menos comuns na antiguidade, tanto para os deuses como aos demônios, substituídos posteriormente por animais, depois pelas simples oferendas – algumas ainda permanecem até os dias atuais como forma de agrado às entidades. Culto a Satanás é Religião a uma divindade, não Magia, ainda que a valer-se de práticas mágicas.
Trabalho lançado na porta de uma casa, aqueles outros postos nas encruzilhadas e cemitérios com nomes, de desafetos ou não, na verdade não passam de impressionismos ou ignorância de quem o faz, pois que um trabalho é feito em local próprio e adequado, e jamais um bom Mago deixa evidências ou identificações, ainda que venha fazer oferendas – para certos clientes o trabalho bom somente tem validade se feito com entrega na encruza. Atente bem, se Magia é segredo, pouco faz se a chamam macumba, uma vez revelado nome ou procedência por si mesma já perdeu efeitos.
Pode-se assim atingir a Magia Negra, da mesma maneira que se conquista a Magia Branca, porque ambas são uma só.
Materialidade na Crença da Imortalidade