Para a primeira questão, a resposta é sim, desde que você creia na reencarnação, mesmo não sendo espírita. Também é possível saber pela mesma condição de resposta quanto à pergunta inicial: se você acreditar, pois caso contrário é pura perda de tempo questionar isso, a não ser que você seja, via hipnose, induzido a crer.
Quanto à terceira formulação, é importante dividi-la em duas para melhor compreensão, e assim teríamos primeiro: Qual a validade da hipnose regressiva?, e depois "De que vale a Terapia de Vidas Passadas?"
A hipnose regressiva até o útero materno, tem grande validade e pode ajudar em muito uma pessoa a compreender sua existência, superar traumas e complexos psicológicos, vencer dificuldades com maior otimismo, e lhe dar melhores perspectivas de vida. Pela auto-hipnose e pela Projeciologia, consegue-se também a regressão com o mesmo sucesso de se atingir o objetivo, isto é, chegar lá, todavia o processo de cura ou de resolutividades, faça exigir necessariamente a presença de um profissional, para que se possa dar trato adequado aos problemas apresentados. A pessoa pode até saber de alguma moléstia em seu organismo ou na mente, mas não como trata-la, pois afinal não estudou para isso ou não adquiriu conhecimentos necessários.
De que vale a Terapia de Vidas Passadas? Aí está um problema que recairá, obrigatoriamente, nas duas perguntas iniciais, para se obter as mesmas respostas, ou permitir uma pergunta chave: você crê na reencarnação? Acreditando, você facilmente atingirá aquela outra vivência terrestre; caso contrário, dependerá muito da habilidade do profissional em faze-la chegar lá, não nos importando como.
Apesar de nos surpreendermos com relatos de pessoas que se descobriram em vidas passadas, com grande exatidão de informações, isto não significa necessariamente, pelo menos em termos científicos, que alguém tenha tido realmente uma vida anterior a esta. Vejamos:
- é fato comprovado que a criança ainda no útero materno, a partir de um certo período, tem condições de ouvir o exterior e de se interagir com a mãe, inclusive psicologicamente, ou seja, captar sensações e reações de sentimentos por exemplo, agradáveis ou não, e disso guardar lembranças que poderão ou não fazerem-se manifestos um dia. Até esse período, pelas ciências, a hipnose consegue atingir, e a capacidade de se voltar até o dito momento conceptivo, dá-se pela simples razão de que todos têm noções, ainda que não profundas, de como ocorre a reprodução humana, sabendo então porque nascem. Depois, já na fase infantil (primeira infância), compreende-se logo o tipo de lar em que vive, com todos seus complexos psicossocial e familiar, inclusive se a própria chegada ao mundo foi um acidente de percurso (camisinha furada, pílula falhada, precipitação de jovens amantes, descuido dos pais), se algo programado num ato de amor e carinho entre duas pessoas que se amam, ou se fruto de uma mera satisfação sexual; também é fácil a criança perceber se é ou não bem-vinda ao lar, e isso tudo são fatores que podem determinar problemas psicossocial e de ordens psíquicas diversas, ou mesmo orgânicas, na adolescência ou na fase adulta.
- Antes do ato conceptivo, onde estávamos? Algumas religiões ou seitas nos ensinam um céu e um inferno, às vezes até um estado intermediário (purgatório, paraíso, etc), e que o espírito é criado por Deus, no exato momento em que se determina-lhe um corpo carnal, que um dia deixará de existir, e àquele espírito imortal é então destinado um daqueles lugares, conforme merecimento aqui na terra, uma teoria horripilante, que avilta razões e mete medos, por não haver uma compreensão certa quanto a isto, muito menos aceitação definida de fatos; alguns colocam que os espíritos já existem desde antes da fundação dos séculos, à espera daquele momento para encarnar, algo ainda mais terrível e que também amedronta a muitos, quanto a uma possível vida além-túmulo, enquanto existem seitas outras que nem esta esperança oferece.
Socorre-nos então a doutrina que todos ficam, após a morte física, em algum lugar próprio para isto, para depois de novo reencarnar, tantas quantas vezes forem necessárias, num processo contínuo de aperfeiçoamento espiritual, moral, intelectual etc, que ninguém sabe exatamente onde isto vai parar, mas que ninguém vai para o inferno ou para o céu assim diretamente, senão, onde estaria a justiça de Deus para criaturas que ele mesmo criou desde o princípio da eternidade (mesmo que o eterno não tenha princípio e ninguém explique como e porque), aliás que nem inferno existe e o próprio céu não é bem assim o que imaginamos ou nos ensinaram crer. Pois essa doutrina reencarnacionista, ainda que herética aos olhos dos cristãos majoritários (crentes e católicos), e não de toda compreendida, parece bastante natural ao próprio homem em sua psiquê, talvez por ser a única que conforta e valoriza o homem para a imortalidade, além de mostrar um outro lado divino.
Pois bem, é essa doutrina inerente à razão humana, que nos coloca, em espírito, nalgum lugar talvez (diversos, conforme as graduações que todos um dia também alcançarão), denominado paraíso, limbo ou Consciência Cósmica, à espera de uma nova oportunidade para regressarmos à Terra, e é nesse lugar que queremos acreditar, ainda que não muito bem definido de como seja ele: – "aqui é igual aí, mas aí não é igual aqui" – dizem os espíritos que se manifestam ou aqueles que se referem lá; então esse lugar, não bem definido – uns dizem que tem casas, ruas, pomares, outros que não, mas que num ponto todos concordam, é um lugar de paz e muita compreensão, onde basta querer para tudo acontecer e estar. Entendendo, ainda que um tanto vagamente esse, diríamos, estágio intermediário ou intermitente, entre uma vida terrestre e outra, não é difícil, via hipnose ou projeciologia, nos referirmos a ele mesmo que sem descreve-lo a contento, e daí deduzirmos algumas situações: A reencarnação atual, foi uma determinação ou livre escolha? Escolhemos o tipo de vida ou isso nos foi impingido? Optamos pelo sexo ou foi uma ordem? A nação, o estado, a família, a condição econômica, a intelectualidade, o tempo de vida, círculo social e de amizades, etc., algum acordo prévio entre as partes que tem que se acertar por aqui, ou algum livre arbítrio de escolha?. As respostas são variáveis de indivíduo para indivíduo, e nelas podem estar presentes alguns dos motivos de complicações na vida atual.
- Uma outra existência: alguns dos regressivos apresentam quadros interessantíssimos de uma outra vida, como datas precisas, idiomas da época, localização de residência e descrição de móveis, pessoas, às vezes nomes de familiares, conhecidos naquele período, vida política, história, vivência e moral, acidentes pessoais e ocorrências outras na vida do indivíduo, etc, e por último a causa morte
Esta ultima colocação, não em desprezo às duas primeiras, tem dado dor de cabeça aos especialistas, especialmente quando as buscas e pesquisas confirmam, senão a exatidão das informações, pelo menos indícios e possibilidades bastante fortes que sugerem reencarnações.
Oras, se não lembramos normalmente de uma vida passada, aliás nem dos primeiros meses ou anos de vida, como explicar?
São várias as respostas, todas sem unanimidade, mas vamos a algumas delas:
- Memória Ancestral: carregamos geneticamente informações de nossos antepassados, e as projetamos em momentos especiais ou provocados, com tamanha precisão, que é como se realmente tivéssemos vivido naquela época;
Pistas sugeridas pelo Hipnotizador: pelos problemas presentes, sem causas aparentes, busca-se para o paciente ocorrências justificáveis numa outra vida, uma existência traumática por exemplo;
- Criptominésia: o indivíduo projeta-se numa outra vida, induzido ou não, e a revive para justificativa de problemas diversos detectados na existência presente, naquilo que acha que deveria ter sido e, para isso soma conhecimentos da vida atual não lembrados pelo consciente, todavia situações certamente vividas na fase uterina, infância ou delas advindas, como as páginas de um livro vistas ao acaso, cenas de relances não retidas na consciência, um momento que passou desapercebido, uma língua estranha que a mãe quando grávida possa ter ouvido, sem nenhuma atenção, mas que marcou o feto, tudo isso são situações que dia podem ser despertas e vir a tona, como se de uma outra existência;
- Consciência Cósmica: repositório de consciência mental comum a todos os homens, também denominada de Consciência Coletiva ou Registro Akáshico, que pode ser atingida ou buscada, filtrada e colocada individualmente. Sendo o pensamento energia emanada ou projetada, tudo o que se pensa ou acontece encontra-se no Universo, em algum lugar de onde provavelmente também tenha se originado, que pode ser alcançado em certos momentos especiais, e passado como se fosse a existência anterior de alguma pessoa;
- Captações Telepáticas: alguém recebe de outrem, ainda que ambos inconscientes do ato, informações necessárias e conhecimentos que o faz pensar numa vivência anterior;
- Projeciologia: retorno inconsciente ao passado, com captações de historicidade e demais elementos da época, que fazem pressupor existência física pessoal anterior; certas projeciologias conscientes sugerem reencarnações passadas, mas todas parecem residir muito mais no fator crença que em provas concretas, embora o indivíduo se veja realmente naquela existência, com precisões de dados;
- Vontade ou Desejo de Ser: o indivíduo fantasia e mascara realidade para aquilo que julga o ideal, uns até estudam detalhes e montam a própria história, às vezes bastante convincentes.
Onde o credo reencarnacista é plenamente aceito, a vivência em vidas anteriores é tida como verdade inconteste, como na Índia e no Tibete, ou mesmo entre seitas cristãs, e nisto parece residir muito mais o fator cultural e crença, embora as maiores evidências partam exatamente desses meios.
A ciência ortodoxa ainda não chegou a um veredicto final e, para ela, são raros os casos que podem e devem merecer atenções mais especiais a respeito.
Por outro lado, crendo na existência de um duplo ou espírito a habitar num corpo humano, com atuações independentes da matéria, ainda que a esta interligado – psicossoma –, certamente que a antecede e a ela sobrevive em algum lugar; argumentam os defensores que, se o espírito já está muito antes da matéria e nela pode habitar, isto pode ser feito tantas vezes quanto desejar ou necessário for.
Assim entendido, uma pessoa pode realmente ter vivido antes na Terra, e nestas circunstâncias, a Terapia de Vidas Passadas, tem validade para a vida presente, estabelecendo-se inclusive que toda e qualquer pessoa tem o pleno direito de visitar esse passado.
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