Para entendimento quanto a mitologia solar é preciso compreendermos,
primeiramente, as origens de algumas histórias ou lendas, que sejam mais
ou menos comuns para diferentes culturas; é sabido que homens da antiguidade
não se identificavam inteiramente com os fenômenos da natureza, e
por isso mesmo divinizavam seus elementos e forças então desconhecidas.
O sol, por exemplo, seria para os antigos a representação mais visível
de uma divindade maior, do deus invisível conhecido como Dyaus Pitar (Deus
Ptah, Pater ou Pai); nesta qualidade o sol estaria, portanto, como filho visível
desse grande deus, símbolo da luz e vida sobre a terra.
Pelas constantes
observações celestes os homens sabiam, pela ótica geocêntrica
da região mesopotâmica e circunvizinhanças, no caso, que o
sol nascia sempre no dia 25 de dezembro, quando a constelação de
Virgem fazia-se à noite, na época, resplandecer com força
maior nos céus, ou seja, no denominado solstício de inverno; esclarecemos
: no dia 22 de dezembro o sol cessava sua marcha rumo ao sul, por exatos três
dias, para então reiniciar jornada em direção ao norte. Estes
conhecimentos não eram restritos unicamente à Classe Sacerdotal
ou a uma Ordem Iniciática formada pelos sábios da época;
quase todos tinham conhecimentos a respeito, todavia a explicação
metafísica e exploração religiosa estaria sempre a cargo
daqueles, num período em que a religião fazia-se predominante sobre
as demais culturas, e então estabeleceram-se os cultos ao deus sol, o filho
do deus criador.
Quando para as primeiras organizações sociais
em forma de cidade- estados, a comunidade como um todo sentia a necessidade natural
de um chefe condutor, guerreiro libertador se necessário, restaurador ou
mesmo formador da nação, e foi aí, que a Classe Sacerdotal
soube fazer seus mitos, dando ao povo o homem ideal de que tanto necessitava,
saído este de suas próprias lides ou alguém encontrado, em
lugares remotos, para que dele se pudesse fazer o líder, um elemento desconhecido,
sem genealogia ou família esta geralmente morta numa cilada pelos
próprios sacerdotes, sendo o indivíduo escolhido, ainda infante,
salvo de uma maneira providencial e entregue aos cuidados de alguma das Virgens
da Ordem, sacerdotisa ou iniciada; talhava-se o perfil deste líder vinculando-o
a antigas profecias, nem sempre tão antigas, escritas e acrescentadas aos
textos anteriores..
Anunciava-se então sua vinda, o próprio
filho de deus, para a organização da pátria, unificação
ou condução dos homens, de conformidade com as necessidades, ou
seja, de acordo com a vontade do deus maior, em atenção aos clamores
de seu povo eleito. Às vezes, e com o tempo isto tornou-se regra maior,
os próprios pais (geralmente pessoas humildes gentes do povo e piedosos)
entregavam o próprio filho, ainda criança, para os serviços
dos deuses, sendo este então devidamente preparado e doutrinado para missões
necessárias.
Assim, numa época determinada este homem especial
seria apresentado a todos, como o esperado e anunciado filho de deus, miraculosamente
vindo ao mundo, para uma obra grandiosa junto ao seu povo; como o sol encarnado
e luz do mundo o prometido tinha como data de nascimento sempre o dia 25 de dezembro
e, para traze-lo ainda mais próximo dos homens, como símbolo ou
elo de ligação entre deus e a humanidade, ditava-se-lhe por mãe
uma das mulheres virgens do templo; para a vinda deste Redentor, os líderes
religiosos determinavam seu perfil que aos poucos era incutido na mente e crença
do povo, usando de místicas, prognósticos e referências escriturísticas
que eles próprios lavravam..
Nestas condições, Jesus
a exemplo de outros tantos redentores, seria um mito o sol filho de deus,
ou então uma criança entregue aos cuidados de alguma Ordem, vindo
destacar-se dentre os demais para a grande e estranha obra de redenção.
Algumas
tendências unificam estas situações: Jesus seria um humano,
revestido de um caráter mitológico de acordo com as tradições.
DOS NASCIMENTOS VIRGÍNEOS,
CERTAS ANUNCIAÇÕES
E AS DIVINAS CONCEPÇÕES
"Eis que uma virgem conceberá,
e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel (que é
Deus conosco". (1)
"Bendita és tu. . .entre todas as mulheres
fostes escolhida para a obra da salvação; ele virá com uma
coroa de luz. . .Virgem Mãe, pois que darás à luz a nosso
Salvador, a quem porás o nome de. . .". (2)
"Disse-lhe
: Exulta-te ó Virtuosa e sê feliz, pois o filho ao qual darás
a luz, é Santo" (3)
"E dará à luz um filho
e chamarás o seu nome. . .; porque ele salvará o seu povo dos seus
pecados". (4)
Nascimentos de filhos de deuses com mulheres virgens,
são fatos assim não tão isolados na história da humanidade;
todas grandes civilizações do passado tiveram seus redentores, heróis
e reis, nascidos de mulheres que ainda não haviam se relacionado, sexualmente
com homem, concebendo portanto por obra e graça do divino espírito
santo de deus; de maneira geral, estas mulheres eram recém casadas ou prometidas,
todavia ainda sem conjunções carnais.
As divinas concepções
quase sempre vieram precedidas de anunciações, enquanto que o ato
gerador em si era a palavra, simbolizada por alguma forma de representatividade
desse mesmo deus, um animal sagrado, uma ave ou simplesmente um raio de luz; grande
parte desses nascimentos virgíneos, fazia parte do cumprimento de profecias
contidas em textos sagrados. Curiosamente todas as religiões aguardavam
um filho de deus, e os teve em seu meio, para certas missões especiais.
Histórias
sagradas, profanas e muito mais as mitológicas, mostram-se bastante ricas
em relatos desses fenômenos, muito próximos uns dos outros : as mulheres
são virtuosas, que ainda não haviam conhecido homem embora casadas,
que se faziam escolhidas de um deus com propósito de vir ao mundo, para
alguma obra redentora junto ao povo; o grande mistério dos cristãos
não foi, portanto, um caso tão atípico ou original assim.
Zaratustra
(Zoroastro), que viveu cerca de mil anos a C., profeta persa e fundador do Masdeísmo
Zoroastrismo, era filho de deus gerado numa virgem; sabe-se que o judaísmo
foi profundamente influenciado pelo Masdeísmo, quando os judeus estiveram
subjugados pelos persas, dele absorvendo muito de seus mitos.
Kristna (Krishna),
na Índia por volta de 575 anos a C., fora concebido por obra de um deus
altíssimo numa virgem. Muitos dos acontecimentos com esse homem deus, foram
repetidos em Cristo, sendo impossível não perceber similitudes.
Também não podemos ignorar certas interações entre
religiões da Índia com as do Irã (Pérsia).
Sidartha
Gautama (Budha), nascido em 568 anos a.C. na Índia, teve por mãe
uma virgem e filho direto de deus. O Budismo tem paralelismos incontestes com
o Cristianismo. E assim o foram Mitra, fundador do Mitraísmo na Pérsia;
Kung-fu-Tzu (Confúcio) do Confucionismo chinês, Hórus
no Egito, Tammuz na Babilônia, Hésus dos druídas, Bedhru (Beddru)
e Mikado no Japão, Crite (Crito) da Caldéia, são alguns poucos
exemplos de um rol de redentores messiânicos, que vieram ao mundo como filhos
de deuses e de virgens.
Júlio César, imperador romano (100
44 a C.), Platão (437 347 a C.), filósofo grego, e
mais uma lista de faráos do Egito, também são frutos de concepções
virgíneas por parte dos deuses. A América pré-colombiana
teve seus homens deuses, assim como todas as demais civilizações
conhecidas e desaparecidas, mesmo dentre os povos mais simples.
Até
meados deste século (XX), o Imperador do Japão era considerado oriundo
de ascendência divina. Ainda hoje, alguns místicos que se levantam,
afirmam ser filhos de deus ou de extraterrestres, nascidos de mulheres virgens;
destes alguns até dizem que já chegaram à Terra enviados
na forma adulta, para as devidas missões especiais.
Muitos dos filhos
de deuses que antecederam Jesus, foram sem dúvidas elementos influenciadores
para a formação do caráter daquele, conforme nos é
apresentado. Um bom número deles não somente nasceram de virgens
por uma divina concepção, como também apresentam outras semelhanças
surpreendentes com a vida de Jesus : nasceram de famílias humildes porém
piedosas, em grutas (cavernas) ou estrebarias, visitados por magos e pastores
que lhe ofertaram presentes em geral ouro, incenso e mirra : estrelas ou
anjos indicavam-lhes o local de nascimento; muitos deles foram apresentados num
Templo onde foram tomados nos braços por algum idoso (santo) visionário;
suas chegadas ao mundo trouxeram mortes aos infantes; foram perseguidos e obrigados
a fugir para outras nações, de onde retornaram, posteriormente,
quando das mortes dos déspotas; perderam-se de seus pais, quando na puberdade,
sendo encontrados posteriormente entre alguns velhos sábios, discutindo
acerca das escrituras sagradas; iniciaram seus ministérios numa idade próxima
aos trinta anos, logo em seguida a uma estadia no deserto, onde jejuaram por quarenta
dias e noites, resistindo a tentações e, por fim, assistidos por
anjos celestiais.
Os meninos-deuses sempre tiveram homens no lugar de pais,
como esposos de suas mães, que intentaram abandona-las tão logo
as souberam grávidas, sem que com elas houvessem mantido conjunções
carnais, somente não o fazendo porque foram avisados por anjos, em sonhos,
para que assim não procedessem, pois os que nelas estavam gerados eram
obras do espírito santo de deus; aliás, anjos também sempre
foram uma constante para ações das famílias sagradas, no
sentido de proteções aos filhos divinos; os homens, pais adotivos,
saem de cena quando os jovens sagrados mostram condições de subsistência
própria. Os anjos do judaísmo, adotados pelos cristãos, são
elementos de outras culturas como a dos babilônios e dos persas.
As
similitudes entre os redentores não cessam : escolheram discípulos,
um dos quais mal caráter e traidor, fizeram milagres inclusive de ressurreições
de mortos, pregaram o reino dos céus e a libertação social
do povo, com lindas mensagens de amor, perdão e resignação;
antes de serem traídos promoveram uma ultima ceia e, de uma maneira ou
de outra, morreram de forma sacrificial para a salvação dos seus
alguns até mesmo na cruz, para ressuscitarem ao terceiro dia, apresentando-se
aos seus, por um certo período, antes de subirem aos céus para junto
do pai celestial, prometendo contudo o envio do espírito da sabedora (espírito
santo), que assim os conduziria até o fim dos tempos, quando então
eles próprios retornariam à terra para pronto estabelecimento de
um reino espiritual eterno.
O que seria a união de um deus com alguma
virgem, para traze-lo ao mundo, e o porque de tantas coincidências?
1. NASCIDOS DE HIEROGAMIAS: UMA PRÁTICA DOS DEUSES
Para
determinadas culturas, já devidamente organizadas e hierarquizadas, a figura
do Sumo Sacerdote tornara-se sagrada e identificada como o filho de deus, posteriormente
elevada à condição do próprio deus encarnado o deus vivo entre os homens.
Nesta situação, o Sumo Sacerdote
na qualidade de um dos deuses sobre a face da terra, tinha entre suas obrigações,
"certos deveres conjugais" (5) com algumas das deusas, no ato representadas
por suas sacerdotisas ou iniciadas, chamadas de virgens (6); com estes relacionamentos
a Ordem visava manutenção da tradição de origem divina,
para o Supremo Sacerdote, e divino seria seu substituto quando aquele, um dia,
resolvesse voltar para a morada celestial; os filhos destes relacionamentos produziam
os chamados filhos dos deuses(7) ou filho de deus com uma virgem, preparados,
doutrinados e sempre destinados às missões especiais ou necessárias.
Pelo
Livro de Tiago, apócrifo conhecido por Proto Evangelho de Tiago, Maria
mãe de Jesus fora entregue pelos pais, aos cuidados do templo, onde permanecera
dos três aos doze anos de idade, quando então prometida em casamento
a um certo José; segundo tradições da época, Maria
continuaria no templo ainda por mais um ou dois anos, até a festa do noivado
primeiro ato legal do casamento, embora a vida conjugal somente viesse
se consumar após as núpcias, um ano depois (no caso de mulher virgem,
tempo reduzido para até um mês no caso de viúva), quando então
o noivo recebia a noiva em sua casa. Durante o período de espera, a noiva,
já chamada de esposa, ainda permaneceria na casa dos pais ou de seus preceptores,
e somente em casos muito especiais, como adultério da mulher ou morte do
noivo, poderiam efetivamente serem rompidos os compromissos assumidos(8).
Acredita-se que Maria, por volta dos doze anos, fora oferecida a José
que somente veio recebe-la esposa uns dois anos depois, estando a jovem já
grávida de deus, ou seja de um Sumo Sacerdote. José a aceitou como
esposa depois de certa relutância, convencido em sonhos (indução
hipnótica ou negociações?) de que o que nela estava, era
obra do divino espírito santo de deus.
Em certas culturas, parece,
seria grande honra algum varão ser pai adotivo de um menino-deus. Também
não eram incomuns certas negociações para que algum varão
viesse aceitar uma virgem grávida em sua companhia.
2. FILHOS ADULTERINOS
Jesus era chamado, pelos opositores, de filho da fornicação(9),
existindo inclusive uma lenda de que Maria concebera seu filho de um soldado (legionário)
romano,(10) por nome Pantheras, com quem se relacionara; a aceitação
relutante de José permitira, contudo, que Jesus viesse ao mundo. A este
respeito, alguns especialistas acreditam : Maria fora repudiada pelo marido, em
razão de adultério com o legionário, justificando-se que
Jesus era identificado mais como o filho de Maria.
Existem efetivamente
relatos judaicos, Tosefta e Baraíta, mencionados no Talmude, sobre um tal
Jesus filho de um certo Panteiri, forma hebraico/aramaica do grego Pantheras,
que todavia refere-se àquele Yeishu ha-Notzri como filho de Pandeira (Pantheras),
daí a realidade de que Yeishu seria bnei Yoseph Panteiri ou bar Yoseph
Panteiri, isto é, Jesus filho de José Pandeira.(11)
Estudiosos
cristãos não concordam nem que Jesus seja filho de Maria com algum
legionário chamado Pantera, nem que a palavra Panteiri seja designativo
de algum José pai de Jesus; para eles Panteiri seria forma hebraica/aramaica
de se pronunciar a palavra grega Parthenos que significa Virgem e, então
Jesus seria filho de uma virgem e não fruto de algum caso amoroso de Maria,
sua mãe, com algum soldado chamado Pandeira, e muito menos de José
Panteiri. Especialistas em línguas antigas (hebraico, aramaico e grego)
não compreendem alguma possível confusão entre os nomes,
destacando-se que os judeus não eram censurados quanto a forma de escrita,
e que Pandeira em sua forma grega Pantheras) é muito diferente de como
se escreve, naquela língua, a palavra Virgem (Parthenos).(12).
Por outro lado, sabemos pela História Judaica, que soldados sob
ordens romanas em represálias às insurreições populares
na Palestina, às vezes invadiam regiões, cidades, vilas e povoados,
dizimando pessoas e praticando crueldades e violências contra mulheres;
com certeza muitas crianças nasceram destas uniões forçadas
(de estupros); José, resignado ou mesmo compartilhando o drama e vergonha
de Maria ou, ainda, aconselhado, assumira a paternidade de Jesus.
Quanto
a primeira hipótese, não a julgamos nada conveniente por serem palavras
o proferidas pelos adversários de Jesus, algo normal, convenhamos, em se
tratando de um ser da estatura de Cristo; preferimos não desmerecer Maria,
mais em respeito a sua dor, caso lhe tenha ocorrido algo do gênero, optando
assim não envolve-la num pressuposto, apenas em defesa de alguma idéia;
outros homens-deuses e suas mães também passaram por tais difamações,
sempre por parte dos inimigos.
Entendemos no entanto, que a segunda colocação
pode ter sido lamentável realidade sofrida por Maria, porém seria
injusto deduzirmos, onde exatamente se calam possíveis verdades dos fatos,
de vez também que nada indicam para aquela possibilidade.
3.
JESUS NÃO NASCERA DE MULHER, APENAS ATRIBUIU-SE-LHE UMA MÃE
Marcion, conforme já citado, não acreditava num Jesus
nascido de mulher; para ele, o deus bom descera à terra, já na forma
adulta, assumindo um corpo apenas aparentemente humano. Esta personagem considerada
herética pela Igreja, foi dos maiores nomes do gnosticismo antigo, desenvolvendo
algumas das principais idéias do docetismo, que aliás já vivenciava com certa originalidade.
Tais acontecimentos não são
assim tão incomuns nas mitologias e textos sagrados, onde determinados
seres surgem na terra numa forma adulta as teofanias(13) , lembrando que
o autor da Epístola aos Hebreus nos adverte quanto a possibilidade de virmos
receber ou mesmo hospedar algum ser não terrestre(14).
Algumas correntes
evoluídas deste pensamento, acreditam no entanto que Jesus fora sim um
homem, nascido de mulher e homem, altamente inteligente e religioso, que tivera
por ocasião de seu batismo, a incorporação de um Avatar
ou de um Entrante, chamado Cristo, para realização de uma obra de
expiação para a humanidade; a partir deste momento Jesus deixara
de ser Jesus para ser o Cristo. Para estes pensadores apenas Jesus era humano
mas não o Cristo, este o verdadeiro iluminado e executor da obra redentorista.
Estas figuras são comumente aceitas, naquelas formas e possibilidades,
observáveis em diversas culturas e formas de religiosidades, como a indiana
e certas correntes espiritualistas.
4. JESUS NASCIDO DE HOMEM E
MULHER
Muitas correntes de pensadores acreditam nesta hipótese,
considerando muito forte a personalidade de Jesus, para que este fosse apenas
um mito. Ressaltam todavia que Jesus fora apenas um homem religioso, ao extremo
de evocar, para si, cumprimento das profecias bíblicas referentes ao Messias
Libertador, realmente acreditando ser este, até o momento da sua morte
quando descobriu-se sozinho; as ultimas palavras de Jesus na cruz seriam claras
referências a este abandono por parte do deus em quem tanto acreditara(15).
Entendem estes pensadores que Jesus, após sua morte, transformara-se,
pela piedade humana e religiosa, no Messias Sofredor e que esta mensagem cativou
corações. Para eles Jesus não fora nenhum deus humanizado
e sim um homem progressivamente elevado à condição de deus
(16).
5. JESUS NÃO EXISTIU EFETIVAMENTE
Opinião
geralmente aceita por muitos estudiosos que não encontraram historicidade
de Jesus; para estes Jesus fora apenas um mito que a religião soube desenvolver
com muita maestria, tomando-o de empréstimo de outras culturas diversas,
unificando histórias com roupagens de originalidades.
Argumentam
estes especialistas que Paulo o Apóstolo tardio, jamais se referiu
a um Jesus histórico, voltando-se única e exclusivamente para um
Cristo Ideal; também crêem que textos bíblicos Antigo
Testamento e outros que não fazem parte do Cânon (17), tenham sido
transcritos muito depois, para formatar uma existencialidade humana de Jesus como
o Cristo Prometido, considerando assim que os primeiros tradutores do cristianismo
promoveram, por determinações ou regras de fé, alguns certos
arranjos com acréscimos de textos, transposições de outros,
deturpando originalidades de documentos antigos.
Outro forte argumento
destes contrários, estaria na ausência histórica de uma cidade
chamada Nazaré.
Estudiosos não cristãos ou mesmo alguns
destes que não se colocam numa fé cega diante das razões
e lógicas, entendem que o Jesus dos cristãos jamais tenha existido
historicamente, quando muito apenas admitindo um Cristo ideal, forjado à
imagem e semelhança de outros Messias de culturas diversas.
Estudando
civilizações do passado e formas de religiosidades de povos da antiguidade,
vemos realmente e sempre, a figura emblemática de algum Messias para cada
gente a seu tempo. É impossível a um exegeta não montar a
figura ideal para Jesus Cristo, sob todos os ângulos e aspectos ideológicos,
ao colher dados positivos dos muitos redentores que teve a humanidade.
6.
CONCLUSÃO
Sem as pretensões de um mero constestador e muito
menos ensejar confrontos com uma estrutura milenar, sedimentada em torno de um
nome conagrado nas cabeças, tem-se que o Jesus Cristo dos cristãos
jamais tenha existido, em termos históricos, sendo todavia inegável
a realidade do Cristo Ideal.
Jesus Cristo é portanto mera figura
à imagem e semelhança de outros tantos redentores de civilizações
distintas; sempre cada povo teve seu Messias à sua época. Não
há um Jesus dos cristãos, homem-deus ou deus-homem, que tenha efetivamente
existido, e o mais próximo dele, Yeishu ha-Notzri, antecedeu-o em décadas,
conforme tradições antigas do povo judeu e transcrições
do Talmude.
A aceitação do Cristo nas cabeças, não
há estudioso que negue - e aqui não interessa qual a seita responsável
-, foi imposta à força, a preço de vidas aos milhões,
tanto pela Inquisição quanto pela dizimação de povos
e civilizações inteiras, a exemplo das gents americanas pré-colombianas,
sem apontar matanças outras ordenadas sempre contra os infiéis ou
àqueles que ousavam contrariar o credo.
Hoje temos de reconhecer
a grande contribuição do Cristianismo nos destinos da humanidade
de agora, sobre todos aspectos legais, sociais e de moralidade entre tantas participações
ativas e dignas dos mais altos valores, o que porém não apagam erros
do passado, onde se cometeram tantas atrocidades, que o holacausto hediondo e
reprovável da Segunda Grande Guerra Mundial, surge apenas como pálida
imagem daquilo que se fez em nome de Cristo, com tantos sacrifícios e horrores
piores; e omais dramático nisso tudo, é que com as vidas se foram
as civilizações.
Cristo, histórico ou ideal - não
importa -, nada tem a ver com tamanha estupidez dos homens, ainda que em torno
de seu nome, como também nada de responsabilidades quanto ao Império
Econômico que se agiganta cada vez mais nos dias atuais, também em
seu nome, como fazem os exploradores da fé, vendedores de ilusões
e os corretores da Imobiliária dos Céus; diz-se com bastante propriedade
que, neste mundo de tantos milagreiros em nome de Jesus, ele é quem menos
faz e fez milagres, até porque milagres não existem, como Jesus
nunca existiu.
Referências:
- Bíblia, Antigo Testamento,
Livro de Isaías 7:14; Bíblia, Novo Testamento, Mateus 1:23.
- Transcrição
da obra de Holger Kersten Jesus Viveu na India , edição
Best Seller, 1986. Anunciação quanto ao nascimento de Krishna.
- Ibidem.
Anunciação do nascimento de Sidartha Gautama (Buda)
- Bíblia,
Novo Testamento, Evangelho Segundo Mateus, 1 21. Anunciação
sobre o nascimento de Jesus.
- Amar Handami Suméria, a Primeira
Grande Civilização da Coleção : Grandes Civilizações
Desaparecidas, publicada por Otto Pierre Editores, 1978, páginas 87 e 88;
diz o autor : "No início do III milênio [a C.], o ensi [Sacerdote
Rei ou Supremo (Sumo) Sacerdote] era submetido a ritos por vezes surpreendentes.
Assim o templo tinha uma câmara especial no alto do edifício : era
ali que o Sacerdote Rei vinha regularmente "consumar a hierogamia",
prática do rei para com a deusa Innana, representada por uma de suas sacerdotisas.
Da sua união dependia a prosperidade da nação. . ." nota : as palavras entre colchetes foram colocadas para esclarecimentos,
enquanto que as entre aspas são postas pelo autor da obra.
- A palavra
virgem, pelo texto bíblico de Isaias 7 14, tem o significado mais
exato de mulher jovem, conforme opiniões de especialistas.
- A Gênesis,
6 2 e 4, que os filhos dos deuses uniam-se às filhas dos homens
e que destas uniões nasceram os gigantes, isto é, homens de saber
e de grandes preparos, os heróis da antiguidade. Ver Bíblia Sagrada,
traduzida pelo PIBR, notas explicativas referentes ao capítulo e versículos
citados.
- Osvaldo Ronis, Geografia Biblica
- Evangelho de Nicodemos, II
4; Apócrifos os Proscritos da Bíblia I, compilados por Maria
helena de Oiliveira Tricca, publicação da Editora Mercuryo, 1989
página 230.
- Danilo Nunes obra já mencionada, página
77, refere-se ao assunto e, em nota de rodapé (15) escreve : 2"Toldoth
Yéshou ou Messéh Taloui, cuja edição mais recente
não tem data de indicação do local da impressão. Talmud.
Segundo Orígenes, Celso teria sabido, em 178, por um judeu, que Maria fora
repudiada por seu marido, um carpinteiro, por adultério, sendo Jesus filho
do solado Pantera (Ob. cit., 2I)".
- Hayyn ben Yehoshua - O Mito do Jesus
Histórico (Internet)
- Ibidem
- Livros bíblicos Genesis e Tobias
referem-se às presenças de seres angelicais na Terra, muitas vezes
representando o próprio Deus (TEOFANIA)
- Epístola aos Hebreus
13:2
- Mateus 27 46 e demais referências; Jesus teria clamado "Eloí
Eloí, lamá sabactani", palavras desconhecidas pelos que estavam
próximos, traduzidas contudo como "Deus meu Deus meu, porque me abandonaste?".
Até o ultimo instante de sua vida, Jesus certamente esperava por um milagre
dos céus em seu socorro.
- Pensamento em contrário do que diz
Challáye, à pagina 217 de sua obra citada, referindo-se a Jesus
: "Seria2 um Deus que a ingênua piedade de seus fiéis teria
progressivamente humanizado".
- Epístola Universal de Judas, em
seu capítulo único, verso 14, que se refere a uma profecia (de Enoque),
não existente no Cânon Bíblico.