Questionamentos milenares que parecem, até o momento, nenhuma resposta satisfatória haver, a despeito das muitas hipóteses pregadas como regras de fé, pelas religiões e seitas.
Lançar-se neste campo, é perder-se nos emaranhados labirintos dos dogmas e postulados; mas, aos vivos, um dia será chegada a morte, onde as interrogações tidas no decorrer da existência, cessarão, continuando as dúvidas apenas para aqueles que ainda não desceram ao profundo silêncio da sepultura, a única certeza da vida.
Não, não existe a verdade científica, satisfatória, de uma vida além-túmulo por religião nenhuma; mas muito menos o materialismo ateu é suficiente, tanto aos doutos quanto indoutos, para comprovar o acabou-se para sempre.
É exatamente neste campo, onde tudo é possível, pois que nada há de definido, que se pode ousar opiniões, mais uma entre tantas, como as que aqui são feitas, sem pretensões de originalidades, porem imbuídas de sérios propósitos para a materialidade na crença da imortalidade.
Principia-se então, naquilo que é o homem, buscando, para tanto, fundamentação físico-química da matéria : H C N O ou combinações moleculares agregando-se a novos elementos, indo do simples (molécula albuminóide) ao complexo (homem) – Dr. Jorge Andréa dos Santos : Enfoques Científicos na Doutrina Espírita – 2ª edição, 1.99l, pela Sociedade Editora Espírita F.V. Lorenz.
Todavia, na concepção do homem feito: um ser orgânico, portanto vivente, que move por si guiado pelas sensações, percepções, instinto e racionalidade. Neste aspecto, o homem é e vive a sua tridimensionalidade (medidas: altura, largura e cumprimento; tempo; e espaço) na mecanicidade universal, e que disto tem consciência.
Para esta consciência, isto é, compreensão de si e do mundo ao derredor, o homem guia-se pelas sensações, interiores e exteriores, e percepções que constituem sua realidade pensante, do instinto à racionalidade: sente, percebe, age, reage e concebe, servindo-se da atividade cerebral.
Para alguns cientistas o cérebro tem suas operações físico-químicas racionais de comando orgânico, mas que por si só não pensa, não tem sentimentos e não raciocina, necessitando de um elemento acionador para tais atividades, isto é, a Vontade, que distingue o ser humano – eu quero, eu faço, eu posso ou o contrário.
Outros cientistas, voltados à materialidade, atribuem aos neurônios as capacidades dos processos mentais – descargas eletromagnéticas dos neurônios – com relação aos sentimentos, pensamentos e raciocínios; porém encontram dificuldades de sustentação de tese, considerando que determinadas condições mentais, não são e nem podem ser resultantes físico-neurológicos, a exemplos das manifestações denominadas psíquicas ou fenômenos PES que transcendem os campos da tridimensionalidade.
Em razão disto, observa-se no meio científico atual como um todo, sensível predomínio da teoria dualista do homem, que sustenta as existências física e mental – espiritual – independentes porém interligadas pelo cérebro, sendo que esta existência mental acha-se representada pela Vontade Inteligente – inteligência e vontade –, cujas ações independem da matéria e para quem o cérebro é apenas mero instrumento.
Da individualidade do espírito, sem a presença das propriedades cerebrais, teríamos os sentimentos de coisas desconhecidas, atuações mentais sobre a matéria – orgânica e inorgânica – e a pré-cognição, como meros exemplos entre tantos outros.
No primeiro caso, Camile Flammarion: A Morte e o seu Mistério – Volume I, publicação pela Federação Espírita Brasileira, l.982 – 3ª edição, relata o caso de uma senhora que, doente, recusou-se ao uso interno de um medicamento, dizendo que tal ser-lhe-ia fatal, contrapondo-se às argumentações do médico presente e receitante; a receita médica determinava um medicamento para uso interno e um outro para aplicação externa, sendo que aconteceu uma troca involuntária dos rótulos, pelo farmacêutico manipulador das fórmulas, um fato comprovado, sendo a paciente salva pelo pressentimento, num episódio onde não ocorreu raciocínio e nem telepatia.
A atuação mental sobre a matéria orgânica ou inorgânica, dá-se em razão do pensamento atingir determinado objeto e nele exercer ação, numa comprovação teórica do quarto estado da matéria, com seus espaços intereletrônicos, por onde caminha o pensamento ou a força mental.
Já para o conhecimento futuro, parte-se para a hipótese de uma quarta ou outra dimensão, anulando-se as leis da física.
São fenômenos alem do alcance científico, porque a individualidade espiritual ainda não pode ser comensurada, pois que suas radiações comprovadas, mostram-se invisíveis aos processos conhecidos de experimentações, salvo exceções.
Para as ciências, dentro do concebido, a energia possui peso, intensidade, dimensão e duração, de natureza eletromagnética, podendo ser visível ou não, e detectada ou não por aparelhos conhecidos hoje, enquadrada na tridimensionaliade; a energia emitida pelo cérebro ou através dele, alem das propriedades conhecidas, pode também extrapola-las, caminhando no espaço e comunicando-se à distância, independente dos limites impostos pelas leis da física, imperceptíveis aos órgãos dos sentidos comuns – tato, olfato, gustação, visão, audição e labirinto – especialistas informam existências de outros mais –, porém identificadas por experimentos comprovados.
Esclareça-se : o fenômeno dessa exteriorização, não se sujeita às leis físicas conhecidas, anulando-as na totalidade, o que tem levado pesquisadores a admitir também uma quarta dimensão do espaço, onde o vazio é nada mais nada menos que o hiperespaço ou o espaço intereletrônico – entre os elétrons de moléculas – ou, ainda, interestelar, considerando que, se o vazio não existe, ele é ou está preenchido pelo plasma – fluído invisível / éter – que permite a condutibilidade eletromagnética emitida.
O Espiritismo Científico, condignamente representado por grandes nomes, nos mais variados segmentos das ciências, tem o éter como fluído psíquico, a determinar a origem da própria existência universal, tido como o verdadeiro estado da matéria, onde os líquidos, sólidos e gasosos são exceções e/ou derivações do estado plasmático original.
Assim considerado, a energia psíquica do homem, princípio inteligente e independente da matéria, é extraída do todo universal e biológicamente interligada à matéria, desde o ato conceptivo, relação do finito com o infinito, como princípio universalista; o ato de existir, como um todo, é portanto produto da vida universal
Aprofunda-se: a mente possui atributos intuitivos, revelados através dos fenômenos de telepatia, criptestesia e da metagonomia, em todas suas extensões, assim como os ativos, caracterizados nos fenômenos físicos à distância. As classificações, divisões e subdivisões são de variadas ordens, como podem ser verificadas na Enciclopédia de Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo, de João Teixeira de Paula.
Estudando a mente e destacando o homem, pela sua racionalidade, dos demais animais, depara-se com duas teorias: a Tricotômica, que admite o espírito como elemento intelectual e, por vezes, independente do elemento efetivo; a alma, que é o princípio vital a dirigir a vida; e o corpo, que é o abrigo daqueles dois elementos. A teoria Dicotômica admite apenas a alma e o corpo, mantendo respectivas funções.
A Teologia vê a primeira teoria, como exclusiva ao homem, enquanto que a segunda engloba demais animais; porém, há divergências entre os próprios estudiosos, sendo que alguns reúnem alma e espírito numa só verdade. Pretende-se, aqui, a defesa Tricotômica para o homem e a Dicotômica para os animais e vegetais.
Avançando, talvez com o mera especulação, pode-se estabelecer o reino mineral como Monotômico (sic), por acreditar ser este reino dotado de um princípio ativo formador, pois que de alguma coisa se formou e seus elementos são compostos, crescendo por justaposições.
Sabendo da mente, de sua força atuadora e organizacional, independente da matéria, e que a antecede sob e sobre todos níveis, sobrevive a esta por ser energia e não se encontrar sujeita às leis físicas; logo, não podendo dissipar-se, tem de continuar sua existência de alguma forma, até mesmo baseando-se em Einstein : a energia pode ser transformada em outras formas de energia ou massa, mas nunca pode se dissipar por completo.