O universo visível, porem incompreensível, teria de ser obra dos deuses, morada dos deuses; o caos, o nada, era a casa dos demônios que, furiosos, intervinham na natureza pelas catástrofes, quando estas não eram castigos dos próprios deuses.
Tudo isto porem tinha de ter uma história, pois que a dualidade deus/demônio, não podiam coexistir dentro do belo e do bom ou, no feio e no mal.
Antes existira um céu invisível, belo e bom, pela vontade dos deuses, regido pela paz e harmonia, sem conturbações, onde o espaço e tempo não eram comensurados, até que surgiu a agitação, a tremenda explosão expansionista que deu cores a um universo nervoso, com formações e choques contínuos, surgindo mundos incontáveis.
Do cataclismo resultante, a terra se formou e, de seus abalos, foi aquietando-se, para surgimento da vida, porque assim, também, quiseram os deuses.
Com o decorrer dos tempos, e foram tantas eras, o homem apareceu, como um capricho dos deuses, sobrepondo-se às adversidades reinantes, criando seus questionamentos, buscando razões, fabricando seus mitos, buscando na dualidade os seus motivos de sucessos e fracassos.
No princípio o conjunto dos deuses criou os céus, e a terra - Gênesis Bíblica l. l. Na presente citação acha-se colocado e a terra numa clara alusão que o homem tinha, na época do escrito ou transcrição do texto, a terra como consequência de um princípio, ou seja, um período iniciado pelos deuses – Elohim, astronômico e evolutivo, oriundo de uma agitação, aglomeração de matéria cósmica, condensada sobre si mesma e que deu origem ao big-bang, quiçá surgido de um big-crunch, como um universo então em expansões explosivas, dando nascimento às galáxias, nestas as estrelas e entre estas, o sol com seus planetas e corpos outros dentro de seu sistema, enfim a todo este Cosmos ainda turbulento que o homem, hoje, ainda principia conhecer.
Onde não havia nem céus e nem terra, soou a primeira palavra dos deuses, e toda a vastidão da eternidade estremeceu – Mitologia Maia: Mistério do Desconhecido, Tempo e Espaço, publicado pela Abril Livros, 1.993.
Antes que o céu e a terra tomassem forma, tudo era vago e amorfo – citação mesma obra, referente a um manuscrito chinês. Observa-se aqui, paralelo com a Gênesis Bíblica l. 2, Ora, a terra mostrava ser sem forma e vazia.
O Caos dominava em toda a parte, e o grande espírito planava por cima de tudo – dos Quíchuas, Peru, citado por Alexandre Braghine: O Enigma de Atlântida, 1.959.
Dos textos acima, verifica-se que povos antigos, geograficamente separados, civilizações sem aparentes intercâmbios e com desenvolvimentos culturais específicos, possuem proximidades religiosas tão evidentes, que até podem ser confundidas umas com as outras. As formações do universo, céus e terra, são tão idênticas em suas descrições pelas mais diversas culturas, que é possível fundi-las sem perdas das essências. Estas histórias são encontradas entre os povos gregos, fenícios, celtas, escandinavos, sumerianos, babilônicos, egípcios, astecas, maias, incas, africanos, asiáticos, outras tribos americanas que as não citadas, australianos, maláios / polinésios e insulares.
Mas os paralelismos e analogias não ficam apenas nos mitos das formações, encontrando-se, também, no surgimento – criação – do homem e animais, no jardim paradisíaco, na rebelião dos deuses (anjos ou, filhos dos deuses) e consequentes expulsões, na tentação e queda do gênero humano, na perda da graça, na promessa redentora com a vinda, senão do próprio deus, do filho, na separação dos povos e da terra, e uma série de outros pormenores, não aceitáveis hoje como simples coincidências ou meras similitudes.
Hoje, a evolução linear da teoria de Darwin, acha-se ultrapassada, com seus ramos em becos sem saída da evolução, recorrendo-se então à evolução ramificada – policêntrica ou difusa; e esta é uma questão complicadora para explicações de tantas coincidências de ordens religiosas, que parecem todas ter um tronco comum de origem, da mesma maneira que a filologia aponta para as classes de linguagem, étimo único.
É importante verificar que, desde tempos remotos, a tendência do homem – inclusive o atual -, em fazer-se animal tropical, claramente observável nos seus trajes, habitações, alimentações, parecendo sempre procurar atmosferas e temperaturas dos trópicos, fazendo calor artificial necessário para seu bem estar corpóreo, independente dos milhares ou milhões de anos transcorridos, seja nos gelos, seja nas tórridas regiões; adaptou-se mas não evoluiu termicamente.
Tem-se, então, que o homem é animal tropical e africano, até nova ordem, quando aconteceu um grácilis que escalonadamente foi ao hábilis para espalhar-se por todos os continentes, em evolução rumo ao homem atual.
Mas e o atavismo religioso único? Iniciou-se com um antepassado humano, advindo de uma única família, ou teve um elemento civilizador?
Necessita o homem de origem única para ter história semelhante?
Na verdade, a religião está tão intrinsecamente ligada à história humana e desenvolvimento das civilizações, que torna-se praticamente impossível separa-las nas origens.
Se a etimologia aponta para uma única origem todas as classes linguísticas existentes, se o homem é um tropical africano de um único ramo racional, sobrevivente para diversidades posteriores, é notório que as primeiras formas religiosas tem, obrigatoriamente, de possuir traços e elementos comuns.
Considere-se para o homem primitivo: primeiras deparações inteligentes e sensações do até nunca mais, diante da morte que teria de ser, castigo dos deuses ou ciladas do inimigo; o enigma dos primeiros sonhos com os mortos que surgem tão vivos nas florestas, nos rios, nos ares – voando – dando conselhos, admoestações, ou simplesmente mostrando-se ou participando; e as observações climáticas favoráveis ou desfavoráveis e as inundações imprevisíveis.
O homem da antiguidade foi testemunha, ao longo dos tempos, de muitos acontecimentos catastróficos, desde as agitações naturais em seus cataclismos, até de ataques inesperados e provocadores de fugas, ou expulsões de algum lugar ideal – paraíso perdido – de férteis terras entre rios; o homem viu e sentiu o crescimento desproporcional de suas famílias – tribos – e os primeiros desentendimentos (engodos, homicídios e guerras fratricidas) e divisões tribais.
Para assimilação de usos, costumes e crenças, era preciso linguagem, sendo esta impossível sem raciocínio, e determinadas habilidades para atividades diversas. Para a religião eram obrigatórias todas aquelas situações, sobretudo porque era a forma religiosa, o princípio regedor legal da instituição comunitária, com suas leis, proibições e obrigações participativas, alem da responsabilidade primária pela historicidade do povo.
Com as separações tribais e avanços ou regressos culturais, o sistema religioso foi sendo adaptado, com retóricas, de acordo com circunstâncias e regiões: ora a terra era solidão e caos, e as trevas cobriam o abismo, mas sobre as águas adejava o sopro dos deuses – Gênesis Bíblica l. 2, que demonstra uma nítida influência mesopotâmica – fartura de águas – contrastante com a aridez descrita em Gênesis 2. 5, a criação de Yavé opondo-se a Elohim, seguramente sob influência palestínica; não há, contudo, perdas nas essências históricas entre os dois relatos, notoriamente justapostos sem a ousadia de fusão.
Também são religiosos os textos que cantam a epopéias gloriosas de um povo, dos vitoriosos antepassados elevados à condição de deuses ou semideuses - divinização humana -; que lamuriam derrotas, quase sempre amenizadas; que choram mortes e doenças; ou que se referem à perda de um paraíso glorioso. Nestes textos sagrados estão criados os mitos, os bons deuses e os maus, todos poderosos e responsáveis pelos acontecimentos. À incompreensão das coisas ou mistérios naturais, era atribuída responsabilidades às forças sobrenaturais.
Dentro destes aspectos coube ao homem deduzir, como ser intelectivo, os princípios criacionistas e de destruições, dentro das figuras de retóricas e imaginativas do bem e do mal, onde a um deus ou deuses benfazejos e criadores, cabiam opositores às obras.
O mundo era, sempre foi e o será, a concepção subjetiva dos aspectos do aquilo que não é bom, certamente é mau (palavras do cantor e compositor Falcão), encarnando-se aí deuses e demônios. A natureza tinha seus elementos de graças e desgraças, e era justo que o homem, desconhecedor dos mistérios, evocasse tais forças sobrenaturais para executar ou cumprir determinações, com óbvios resultados de erros e acertos, com as condicionais dentro dos ritos miméticos.
Desejando continuidade, entre aqui em SIMILITUDES RELIGIOSAS ANTIGAS E ATUAIS. Atenção: esta página contem textos, citações e interpretações religiosas consideradas heréticas pelas Igrejas ou Seitas que professam o Cristianismo e o Judaísmo. Referida página é recomendada para estudiosos e historiadores, além daqueles que pretendem desenvolvimento de Magias.