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III. ANGEOLOGIA

1 - ANJOS BÍBLICOS
Uma idéia nada original

Falar de anjos bíblicos é o envolver-se em mistérios, surpresas e polêmicas, conforme se pode ver e discutir em páginas da Internet [nas Igrejas Cristãs é tabu], a exemplo do texto de Gálatas 3.19 que relata o Decálogo [a Lei] entregue a Israel por meio de anjos, feito não mencionado na narrativa do livro Êxodo.

Outra passagem de difícil entendimento, I Corintios 11:10: “por isso a mulher deve trazer na cabeça o sinal de sua dependência, por causa dos anjos”, a nos sugerir os tempos que os anjos enamoraram-se pelas filhas dos homens, Gênesis 6:2 e 4, única indicação cabida na visão de certos exegetas bíblicos.  

Também não é de fácil compreensão quais os mistérios dos Evangelhos [I Pedro 1:12] que os anjos anelam tanto saber e porque.

Mais um texto enigmático, referente às ações de anjos, está na contenda entre o arcanjo Miguel com Satanás, a disputarem o corpo de Moisés [Judas 1:9], num interessante incidente não descrito no Antigo Testamento. Oras, tal episódio, no entanto, encontra-se no apócrifo “A Ascenção de Moisés”, a indicar com isso que aquele incidente deve ter mesmo ocorrido, tanto que através de Judas, alcançou o cânon neotestamentário; aliás, citações de apócrifos parecem especialidade de Judas [no verso 14], quando diz d’uma profecia de Enoque, também não relatada no Velho Testamento, mas, descrita no conhecidíssimo apócrifo, “Livro de Henoc”: “eis que é vindo o Senhor, com suas santas miríades” ou “milhares de seus santos anjos”.

Anjos, na qualidade de mensageiros ou mesmo intermediários entre divindades e os homens, sempre fizeram parte do contexto histórico de todos os povos, culturas e tradições.

Anjos guardiões, protetores, vingadores ou executores de terríveis sentenças, bem como muitos demônios, são bastante comuns entre os hebreus, e quase todos, historicamente, absorvidos de outras gentes, com as quais manteve contatos mais ou menos prolongados.

Algumas divindades estrangeiras, a exemplo do deus cananeu Baalzebul – Baalzebud ou simplesmente Belzebu, I Reis 16:31 e referências –, [alguns estudos recentes apontam-no de origem fenícia], também cultuado pelos Filisteus e outros povos, foi transformado em príncipe dos demônios para os hebreus, e assim assimilado pelos cristãos [Mateus 10:25, Marcos 3:22 e Lucas 11:15-18 e 19.

O Anjo do Senhor, quase sempre Teofania de Jeová ou do Senhor Deus, muitas vezes não foi menos danoso aos inimigos de Israel [II Reis 19:35] que os piores demônios de nações estrangeiras; tanto que é denominado de Anjo Exterminador em Êxodo 12:23 – Destruidor [omitida a palavra anjo] na versão Almeida.

À exceção única dos Saduceus [Atos 23:8] a crença nos anjos era generalizada entre os judeus do primeiro século; alguns estudiosos acreditam que tal disseminação foi em parte pelas dominações estrangeiras, mais ou menos seguidas, com seus deuses, anjos e demônios, em outra pela vacância de profetas por praticamente quatrocentos anos, com isso a necessidade de outros mediadores.

A Bíblia contém muitos indicativos de anjos intermediando Deus e os Homens, os tais anjos anunciadores ou, literalmente, mensageiros. Interessantes as tais anunciações de nascimentos como o de João e do próprio Jesus, no Novo Testamento [Lucas 1:19 e 26], e também de Isaac [Gênesis 18:10] e Sansão [Juízes 13:3] como alguns exemplos do Velho Testamento. Isto gerou o culto primitivo aos Anjos da Anunciação, parecendo nada surpreendente a presença física de alguns deles aos seus contatados e, aparentemente, também sem nenhuma dificuldade de serem reconhecidos; de alguma maneira, quase sempre a pessoa sabia quando se tratar de anjo.

Efetivamente Colossenses 2:18 sinaliza adeptos de angiolatrias [diversas formas de cultos aos anjos] entre os primeiros cristãos, todos evidentemente perniciosos à nova fé, tanto que na Carta aos Hebreus [1:4-7 e 13; 2:2, 15 e 16], o autor procura estabelecer a superioridade de Jesus sobre os Anjos, como necessidade de diferenciar a mensagem de Cristo daquelas tidas como dos anjos, das crendices judaicas que infestavam as Igrejas do primeiro século.

A exortação contida em Tito 1:14 parece claramente, também, referência a angiolatria, como fenômeno religioso que provocou intempéries até entre os gálatas [Gálatas 1:6-9]; oportuna, ainda, mensagem posta em II Corintios 11:12 a 15, a ratificar as preocupações postas.

Nos Cultos aos Anjos, nos primeiros séculos da Igreja, destacam-se singular posição para o “Anjo da Guarda”, que, segundo se acreditava, tomava mesma aparência de seu protegido, situação relatada em Atos 12:15.

O Anjo da Guarda advém de crença assiro-babilônica, portanto bastante anterior a Cristo, onde o deus Marduk determina à divindade [menor] Kerub [Cheroub, querubim, com significado original touro], ser anjo tutelar de um herói filho de rei, empenhado numa determinada missão. Gênesis 28:29 traz anjos executores das sentenças de ira divina, também no papel de protetores; da mesma maneira Deus ordena anjo protetor para Israel [Êxodo 32:34] e para guarda de seus servos, como em Salmos 91:11 e referências.

Para análise dos assuntos, mesmo que superficialmente e apenas tendo a Bíblia como fonte única de consulta ou referências, faz-se necessário primeiro o entendimento do que são os anjos e analisa-los, sem dogmatismos, como seres espirituais.

2 -  ANJOS DA GUARDA
Seres Espirituais

A doutrina dos seres espirituais bíblicos segue logicamente a doutrina de Deus, pois são eles fundamentalmente os ministros da providência divina. Essa doutrina permite-nos conhecer a origem, existência, natureza, queda, hierarquia, obra e destino dessas entidades espirituais.

Quase sempre sob rígidas ordens divinas, alguns desses seres se interessam pelo bem estar dos homens, outros, porém, estão empenhados em promover o mal, ainda que sob o manto e aparato de boas ações. Muitas pessoas questionam se existem realmente tais espíritos ou anjos, quem são eles, onde se encontram e o que fazem.

Uns são denominados filhos de Deus, os quais estão sujeitos ao governo celestial, com relevantes serviços na história da humanidade e do homem como indivíduo, o que os tornam merecedores de especial deferência.

Existem também aqueles pertencentes à mesma classe de seres, que anteriormente estiveram a serviço de Deus, que agora se encontram em atitude de rebelião contra o Criador, conseqüentemente em prejuízos ao homem.

Os que estudam os espirituais acham-se divididos quanto às doutrinas e teorias a respeito deles; igualmente não há consenso sobre seus atributos protecionistas, pessoais, aos homens. Existem guardiões ou protetores pessoais?

De antemão sabe-se que não são eles elementos de exclusividades judaico-cristãs, posto todas culturas, povos e religiões os possuírem em suas tradições, com os mesmos atributos.

A Bíblia, no entanto, é a única fonte de informação que merece maior confiança ao nível de pesquisa, para o universo cristão, posto possuir respostas para estas e outras questões sobre eles. 

É o que vamos estudar, com citações apenas de alguns capítulos e versículos bíblicos, de livros diversos, para exemplificações e/ou embasamentos.

3 – OS MENSAGEIROS DOS DEUSES
O que seria um anjo?

Mala’k – no hebraico, com significado “mensageiro meu”. O grego Aggelous tem o mesmo significado de mensageiro, sendo deste as traduções bíblicas, daí advindo o ângelus latino que nos deu a palavra anjo.

Mensageiros [ou anjos] são seres espirituais enviados, em se tratando dos divinos, a serviço e favor à salvação [livramento] dos homens [Atos 5:19] e de anunciações [Atos 7:53; Lucas 1:11 a 20 e 26 a 38].

O termo grego “Pneuma” – alma / espírito, é utilizado algumas vezes no Novo Testamento, também para a tradução de anjo, na qualidade de espírito, mais como identificação de anjo(s) mau(s) [Efésios 6:12], espírito(s) imundo(s) [Mateus 12:43-44, Marcos 1:23-28]. 

Algumas vezes mensageiros [anjos] são postos para homens, assim como em certas citações, os anjos são conhecidos como filhos de Deus ou santos, ao lado de outros designativos.

Seres criados

Foram criados por Deus, conforme Hebreus 1:4-6 e 7 e Colossenses 1:15-16. Jó 1.6 diz deles, filhos de Deus, ou seja, criados por Deus. 

Do texto deuterocanônico de Daniel 3, versos 57 a 59, também se refere a criação dos mensageiros. Tal texto inexiste na Bíblia normalmente aceita pelos evangélicos.

Não há precisão quanto à época de tal criação, mas considerando Jó 38:4-7, em que todos os filhos de Deus rejubilavam quando Ele lançava os fundamentos da Terra, certamente antecedem a origem da terra em Gênesis 1:1; se, conforme ensejam alguns exegetas, os céus precedem a terra na mesma Gênesis, não é errado que tenham sido criados imediatamente após a origem dos céus, todavia antes da criação da terra.

Mas eles não existem desde a eternidade, conforme Neemias 9:6 que fala das criações divinas, por escalas ou tempos.

Espirituais e incorpóreos

São diferentes dos homens apesar de assumirem, às vezes, formas humanas a fim de tornar visível sua presença aos sentidos humanos [Gênesis 19:1-3], todavia, sem as limitações da tridimensionalidade, aparecem e desaparecem, e movimenta-se com rapidez imperceptível, como a desafiarem as leis da física.

São incorpóreos [Efésios 6.12] e invisíveis [Colossenses 1:16]. Excepcionalmente um animal viu um anjo [Números 22:27], mas parece não ser regra geral que animais enxergam os espirituais.

Suas representatividades são concebidas, simbolicamente, como seres alados [Isaias 6:2-6]; Ezequiel [nos versos do capítulo 1 do livro do mesmo nome] os retrata também assim.

Daniel 9:21 diz que o mensageiro Gabriel [o mesmo das anunciações neotestamentárias] “veio voando rapidamente”, mas tal citação pode não ter significado literal, podendo ser apenas a compreensão do contatado diante de um fenômeno extrafísico.

Feitos superiores aos homens

Esses seres são superiores em relação aos homens, segundo Salmos 8:4-5. Ainda assim, estão postos a serviço e favor dos eleitos [Daniel 3:28].

Inferiores a Cristo

Por Hebreus 1:4, são inferiores a Cristo [posição sem méritos de discussões quanto a triunidade divina].

Estão subordinados a Cristo [I Pedro 3,22].

Não são perfeitos

Diante de Deus, são imperfeitos, vistos em citações como Jó 4:18, 15:15 e Salmos 89:5-8.

Não sendo perfeitos, são limitados e podem ser finitos. I Corintios 6:3, num texto surpreendente e não de todo entendido, estabelece que eles serão julgados, inclusive com a participação dos homens [dos santos ou salvos, evidentemente].

Não constituem raças

Ponto deveras polêmico: Mateus 22:30 estabelece que o casamento [relação sexual] não é da ordem ou plano de Deus para com os mensageiros, ou seja, não podem propagar sua espécie nem formar raça. Embora descritos como varões em todas as aparições, e denominados sempre filhos [e não filhas] de Deus, são tidos por assexuados [Lucas 20:34-36].

Gênesis 6:2 e 4, no entanto, relata sexo procriador entre aqueles e humanos – filhos de Deus [anjos] com as filhas dos homens. Alguns estudiosos apontam filhos de Deus como filhos de Sete, enamorados pelas filhas de Caim; evidentemente não há sustentação bíblica para referida posição. Os deles gerados sãos denominados “nefelin”, os mesmos mencionados no livro Números, 13:33, óbvio que sobreviventes do dilúvio.

Os textos [Mateus e Gênesis], aparentemente conflitantes, não o são, pois se seres incorpóreos manifestam-se como homem, em tal forma podem, perfeitamente, relacionar-se com mulheres, com possibilidades de procriações, porque assim o fizeram, com descendentes híbridos ou não, embora não seja tal prática estabelecida nem do agrado de Deus.

São seres racionais e morais

Os seres espirituais têm características de pessoalidades, como inteligência, vontade, atividade, e predestinados à salvação ou danação eterna, com o livre arbítrio para opções devidas, caso diferente não haveria razões para I Corintios 6:3.

O fato de que são seres inteligentes parece inferir-se imediatamente do fato de que são espíritos [II Samuel 14:20; Mateus 24:36; Efésios 3:10; I Pedro 1:12 e II Pedro 2:11], superiores aos homens em conhecimento [Mateus 24:36] e, por ter natureza moral, se acham sujeitos à obrigação moral; são recompensados pela obediência e punidos pela desobediência.

Da grande rebelião celestial, a Bíblia fala dos que permaneceram leais a Deus, como seus santos [Mateus 25:31 e referências], e dos rebelados, se refere como homicidas, mentirosos e pecadores [João 8:44 corroborado em I João 3:8-10].

São numerosos

Deuteronômio 33:2, Jó 25-3, Mateus 26:53 Lucas 2:13 e Hebreus 12:22 dentre outras passagens, atestam o imenso contingente de anjos celestiais, muitas vezes denominados de exércitos de Deus.

Denominados Ministros de Deus

Salmos 103:20-21, por exemplo, nos dá idéia do domínio universal de Deus, assistido por seus anjos ministros, ou seja, côo-participes do governo celestial.

Hierarquia

Embora não constituam uma ordem ou organismo propriamente dito, são organizados de algum modo, evidenciado diante dos fatos de que ao lado do nome genérico "anjos", a Bíblia emprega denominações específicas para indicar as diferentes pressupostas classes de anjos, de aceitação em todas seitas cristãs, ainda que sem um entendimento preciso a respeito.

São cinco as classes de seres espirituais, que designam distinções ou funções [postos de autoridade] que ocupam como autoridades celestiais:

Principado – Efésios 3:10 e Colossenses 2:10, do grego archai indica domínio e influencia exercida a nível de grandes regiões.

Potestade –   Efésios 3:10 e Colossenses 2:10, significa poder para determinações jurisdicionais, conforme textos figurativos em Mateus 8:9 e Lucas 23:7. Vem do grego exousiai. 

Trono –         Colossenses 1:16, troinoi em grego ou seja, assento majestático ou de honra.

Domínio –     Efésios 1:21 e Colossenses 1:16. A palavra grega kuriótetes significa poder dominial ou senhorio.

Poder –          Efésio 1:21 e I Pedro 3:22, é a tradução do grego dunameos, para grande força para se fazer cumprir desígnios.

Nisto não há uma ordem rígida determinada, Colossenses 1:16 traz Trono, Dominação, Principado e Potestade, como divisões dos quadros angelicais, enquanto Efésios 1:21 aponta Principado, Poder [Virtude], Potestade e Domínio, e assim, Colossenses 1:16 não informa do Poder [Virtude] e Efésio 1:21 nada diz do Trono, que então poderiam ter o mesmo significado não fosse o posicionamento visto em I Pedro.

Em nenhum dos textos parece haver preocupações e enumerações completas, podendo haver outras classes.

Encontra-se em Efésios 6:12, I Corintios 15:24 e Colossenses 2:15, classes com as mesmas denominações, ocupadas pelos anjos maus. Efésios 1:21 parece inclui-las em conjunto, e sem diferenciações aparentes em Romanos 8:38.

Não há suporte bíblico para compreensão de cada uma das classes, nem como defini-las, e se realmente são classes ou categorias; tudo que disso se faz uso são conjecturas. 

Vistas as classes, são as seguintes espécies de seres espirituais, numa aparente ordem de elevação:

Querubim (ns) – etimologia hebraica Karoub [charoub] com significado de poderoso ou Keroub [cheroub] designativo de touro, ambas nos dá a tradução portuguesa querubim.

Vistos em Gênesis 3:24 com a responsabilidade da guarda do Paraíso, e representados em imagens como observantes do propiciatório [Êxodo 25:18-20].

Em Salmos 80:1, 99:1 e Isaias 37:16, se revelam Trono de Deus, assim como em Hebreus 9:5 são chamados querubins do trono glorioso, fatos que possibilitam indica-los protetores do trono.

Constituem, também, meio do qual Deus se serve para descer à terra a “cavalgar num querubim, a voar” [II Samuel 22:11 e Salmos 18:10].

Como demonstração do poder de Deus, os querubins são representados, simbolicamente, qual seres materializados, em várias formas de conformidade com Ezequiel 1 – que o vidente identifica como querubim somente no capítulo 10:20 do mesmo livro – e Apocalipse 4.

São eles, os querubins, destinados mais que outras criaturas celestes, a revelar o poder, a majestade e a glória de Deus, assim como defender a santidade divina no Paraíso, no Tabernáculo, no templo e nas Teofanias, quando das vindas de Deus para a terra.

Ezequiel 28:14, num dos mais belos poemas bíblicos comparativos, menciona queda daquele que fora um dia, querubim ungido, o qual querendo igualar-se a Deus, em ambições desmedidas, de orgulho, egoísmo, descontentamento, e vicissitudes outras vistas em citações diversas, veio a liderar grande rebelião nos céus, e de lá foi lançado com os seus aos infernos que Deus lhes preparou.

O mesmo livro Ezequiel, 1:5-14 e em todo capítulo 10, descreve querubins semelhantes a animais, com vários rostos e asas.

Serafim (ins) –

Isaias 6:2 citação única, mas suficiente para entendermos Serafim como espécie de anjo muito próxima do querubim, simbolicamente representado em forma humana com seis asas, sendo duas delas para cobrir o rosto, duas os pés, e outras duas prontas para execução das ordens do Senhor. Permanecem em torno do trono do Deus poderoso, como servidores, cantam louvores a Ele e são considerados nobres entre os seres espirituais.

Tem o significado de ardente, srf [hebraico massorético] ou saraph, para os estudiosos, purificadores pelo fogo.

Certos especialistas colocam-no superior aos querubins, e os esotéricos de plantão assim procedem, contudo sem embasamento justificado.

Arcanjo (s) –

Com apenas duas citações bíblicas, em I Tessalonicenses 4:16 e em Judas 1:9, onde inclusive identifica um deles pelo nome Miguel, a palavra arcanjo significa “superior aos anjos”. Alguns indicam que arca teria o significado de chefe, portanto anjo chefe.

 Miguel realmente aparece no comando de anjos [Apocalipse 12.7], mas não está acompanhado da qualidade arcanjo, assim como surge príncipe [sem o designativo arcanjo] em Daniel 10:13-21 e 12.1.

Especialistas deduzem que os arcanjos seriam os principais príncipes em comando dos exércitos divinos; não há nisto nada alem de pressupostos.

Anjo (s) –

São os seres celestiais mais citados na Bíblia [dependendo a versão, ao menos trezentas vezes, quinze delas somente por Jesus], às vezes como designativo para outros seres celestiais; anjo, no entanto e na concepção exata do termo, trata de uma categoria especial de entidade espiritual.

O anjo Gabriel é citado nominalmente nos Velho e Novo Testamento [Daniel 8:16 e 9:21 e Lucas 1:19 e 26].

Um anjo por nome Rafael tem grande destaque no apócrifo Tobias. Outros apócrifos mencionam nominalmente diversos seres angelicais.

Anjos podem, anonimamente, se hospedarem em lares cristãos [Hebreus 13:2]; alguns estudiosos entendem que a passagem refere-se a homens mensageiros e não anjos propriamente.

A prática de culto aos anjos é perniciosa [Colossenses 2:18] e parece ter figurada largamente entre os primeiros cristãos.

A atividade sublime do anjo é a adoração a Deus [Neemias 9:6, Filipenses 2:9-11, Hebreus 1:6 e referencias], mas, também, são prestos ao serviço e livramento dos homens [Atos 10:3-4 e 12:7], regozijando-se com a conversão de um pecador [Lucas 15:10].

Estão presentes na igreja [I Timóteo 5:21], sempre presto a favorecer vigilância protetora sobre os crentes, aliás, postos como exército de seres alados para favorecimentos aos protegidos [Daniel 9:21 e Apocalipse 14:6].

A vigilância protetora, dos anjos sobre os crentes, conforme Salmos 34:7 e, em especial, Salmos 91:11, e o protecionismo às crianças, visto em Mateus 18:10, têm servido de base para a crença em anjos da guarda, mesmo entre os discípulos [Atos 12:5].

Para estudiosos bíblicos não católicos, não se sustentam as idéias de anjo da guarda individual para os crentes, por não terem apoio nas Escrituras. Dizem que a declaração de Mateus 18:10 é geral demais, e que Atos 12:15 mostra apenas haver alguns, mesmo dentre discípulos, que acreditavam em anjos da guarda.

Há de se concordar, no entanto, que o texto de Atos 12 é mesmo bastante vago, realmente a apontar crendice despropositada, mas o descrito em Mateus é claro, o suficiente, em indicar que há sim, pelas palavras de Jesus, um grupo de anjos particularmente encarregado em cuidar das crianças.

Não há como contestar méritos de anjos protetores expressos nos Salmos 34 e 91 citados.

Outrossim, também evidente que o respeito divino devido aos crentes, ao menos aqueles que pertencem a Ele, é o seu valor maior diante Dele, assim como o zelo que lhes dedica, de tal sorte que Ele, Deus, confia-os à guarda de seus anjos ordenados para tais propósitos [Êxodo 14:19], porque também o Criador se serve dos seres espirituais criados para aqueles e outros devidos fins.

A isto, portanto, o correto biblicamente determina Anjos para a Guarda [aqueles designados para tais fins] ou o Anjo que Guarda [em geral os executores da ira divina que, paralelamente, guardam pessoas eleitas de algum mal ou dano], mas jamais Anjos da Guarda.

Temos assim, Anjos que Guardam Ló [Gênesis 19]; Anjo para a Guarda de Israel [Êxodo 32:34], Anjos protetores pessoais [Salmos 34:7], auxiliares para as nações [Daniel 10:13] ou que cuidam de regiões em particular.

Tem anjos enviados para servir os tementes a Deus [Hebreus 1:13]; Deus enviou um Anjo para a Guarda [livramento] de Daniel [Daniel 6:22].

 Numa parábola, um anjo é posto por guardião condutor de alma/espírito [Lucas 16:22].

Sem dúvidas Deus enviou um Anjo para a Guarda de Agar [Gênesis 16:7].

A mais espetacular citação de Anjo para a Guarda encontra-se em Êxodo 23:20-22.

Biblicamente seriam estas as principais citações referentes aos anjos.

4 - ENCERRAMENTO
Gênesis 18:2 aponta para a Teofania onde o próprio Deus, na qualidade de anjo em forma humana, visita Abraão e dele recebe culto. Abraão que não sabia tratar-se do próprio Deus [a nós, identificado no verso 13], cultuou aqueles anjos.

Êxodo 23:20 a 32, já mencionado em partes, traz disposições para a pureza religiosa requisitada, com destaques quanto aos valores do anjo tutelar na monolatria judaica, precursora imediata do monoteísmo.

Entende-se, portanto, que os anjos estavam como intermediários entre Deus e os homens, na cultura judaica, sempre atentos para executarem ordens divinas, bem como intercederem pelos homens junto ao Supremo Criador, vez que o próprio Deus em sua provida misericórdia, dispôs inclusive no Novo Testamento, que à salvação espiritual dos homens concorram também os anjos [Hebreus 1:14]

 

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