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II. DA TEOLOGIA DA REENCARNAÇÃO E DAS MANIFESTAÇÕES DOS ESPÍRITOS

Tratado dos textos sagrados, dos dogmas, das tradições e postulados cristãos
Nota do Autor: O presente trabalho não representa nenhuma posição, a favor ou contra qualquer credo religioso.

Nenhum exegeta bíblico pode mostrar o espiritismo ou o mediunismo na Bíblia, como se palavras traduzidas do grego, simplesmente porque elas não constam em nenhum texto sagrado do judaísmo nem do cristianismo, argumentos que muitos estudiosos cristãos usam para condenação dos dogmas e doutrinas espíritas e de outros cultos mediúnicos, quase todos na erronia denominados espiritistas.

Equivocadamente algumas traduções bíblicas, mais ou menos atuais, empregam aqueles vocábulos como traduções e cópias fiéis dos originais bíblicos, a exemplo de Levítico 9:31 “Não vos vireis para médiuns espíritas” – Novo Mundo das Escrituras, Edição Brasileira 1967 (1). Até o momento, nenhum dos originais bíblicos chegaram aos nossos dias, senão antigas cópias gregas, e nelas não constam espírita, médium, mediunidade ou incorporação, nem nenhum dos outros neologismos próprios do espiritismo religioso que, senão todos criados por Allan Kardec (2), ao menos por ele dados a conhecer em suas diversas obras, e que em nada parece anteceder ao próprio codificador [século XIX].

Embalados que certos termos usuais do espiritismo não podem constar das traduções bíblicas, os “estudiosos” determinam, arbitrariamente, que a Bíblia não traz a reencarnação em nenhuma de suas páginas, obviamente com isso a contraditar dogmas assumidos por certos credos religiosos. Bradam os biblistas calam os espíritas, um e outro pela mesma razão de não saber o que dizem.

O primeiro andamento para compreender a reencarnação e vê-la nas páginas da Bíblia, é saber-lhe o significado ou aquilo que significa o ato de reencarnar.

Recorrendo aos dicionários logo se compreende reencarnar como sendo re + encarnar onde re significa repetição, repetir, tornar a, e encarnar [do latim incarnare] é o que se entende por tomar corpo carnal, o que nos dá a tradução literal de tornar a tomar corpo carnal. 

Tornar a tomar corpo carnal ou de novo nascer, indiscutivelmente é um ato de reencarnar, que consta dos textos sagrados dos judeus e cristãos, conforme primeiramente vista em Mateus 19:28, quando Jesus esclarecia os discípulos quanto à sua missão e objetivos terrenos: – “. . .E Jesus disse-lhes: na reencarnação final, quando o filho do homem se assentar no seu glorioso trono, vós o que me seguistes, também estareis sentados. . .” – N.M.E – ou, “. . .vós que me tendes seguido, quando, na reencarnação final. . .” – Tradução João Ferreira de Almeida.

As traduções bíblicas autorizadas omitem propositadamente a reencarnação, substituindo-a por regeneração ou recriação. Embora regenerar e recriar tenham significados de dar nova vida a, estão elas distantes daquilo que se enseja por reencarnação em termos de doutrina.

A tradução do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em nota referente àquele texto de Mateus 19:28 diz: “na palingenesia final”, grego transliterado “. . . en té paliggenesia. . .”, onde palin [de novo] + gênesis [nascer] vem precedida do artigo grego “té“, para se referir a um retorno singular do espírito, típico de máxima [e ultima] evolução terrena, daí a tradução fiel “na reencarnação final”.

Pela profundidade das palavras, o Rabino revela ser espírito evoluído e ciente de seus propósitos, encarnado quando outros espíritos que lhe seriam auxiliares diretos também se faziam presentes, fisicamente, para aquela jornada, tanto que Jesus está a lhes falar exatamente da reencarnação final. 

Epístola Tito 3:1 a 5: “Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades [hierarquias celestes], que lhes obedeçam e estejam preparados para toda a boa obra; que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda a mansidão para com todos os homens. Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia nos salvou pelo lavatório da reencarnação e da renovação do Espírito Santo. . .”.

O autor de Tito relata uma série de desqualificações de caráter e de procedimentos dos seus professos, advindos de outros tempos, que tanto pode ser daquela mesma geração como de existências anteriores; todavia, posto que diz agora salvos pelos procedimentos da reencarnação, obviamente se trata de erros cometidos em vidas passadas.

Os tradutores e copistas bíblicos, mais uma vez [e sempre farão isto], vertem o grego paliggenesias como regeneração ou recriação em português. 

Texto grego transliterado: "...Ouk ex ergôn tôn en dikaiosunê a epoiêsamen êmeis alla kata to autou eleos esôsen êmas dia loutrou paliggenesias kai anakainôseôs pneumatos agiou " (3) –

Assim traduzido para o português: "... não por obras da justiça que tivéssemos feito, mas segundo sua misericórdia nos salvou pelo lavatório [loutrou no grego] da reencarnação [paliggenesias], e pelo renascimento de um espírito santo". Talvez por descuido intencional, as traduções portuguesas da bíblia dizem “lavagem” em vez de “lavatório”, pois que o grego loutrou significa lugar ou local em que se lava e não lavagem, conforme consta.

Outros textos bíblicos determinam a pré-existência do espírito [alma], como ratificação do fenômeno reencarnatório, posto que a reencarnação é a comprovação da pré-existência do espírito, em outras vidas terrenas, com somatórias de experiências.

No Livro Isaias 49:1-5, por exemplo, a pré-existência da alma é bastante destacada, como experiente comprovada, para certas missões presentes. “O Senhor me chamou desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe.. . .E agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para seu servo, que lhe torne trazer Jacó. . .”.

Moisés também trazia em si um espírito pré-existente, bastante conhecido  conforme Êxodo 33:12 e 17 – “Conheço-te por teu nome, também achaste graça aos meus olhos. . .Farei isto que me tens dito [a entidade após ouvir Moisés], porquanto achaste graça aos meus olhos e te conheço por nome”. Conhecer por nome tem significado bíblico de anterioridade ao nascimento, e este diálogo ocorre entre Moisés e um Sló [Elohi / Eloha o mesmo que espírito], já divinizado pelos hebreus como o ser manifestante mais elevado entre todos, denominado “o deus dos deuses”.

Abraão trazia em si um espírito de outra época, Gênesis 18:19 – “Porque eu o tenho conhecido”.

Isaias 48:8, traz passagem em que se conhecia determinado espírito como infiel e desleal desde antes do nascimento; “. . .porque eu sabia que obrarias muito perfidamente, e que eras prevaricador desde o ventre”. 

A pré-existência da alma [espírito] e seus feitos anteriores a uma presente encarnação, era de aceitação plena no Novo Testamento, conforme se pode ver em João 9, 1-3: “Quando Jesus ia passando, viu um homem que era cego de nascença, e os discípulos perguntaram: "Mestre, quem pecou, para este homem nascer cego, foi ele ou seus pais”.

Lucas 1:15 estabelece, também, a pré-existência do espírito: “. . .cheio do espírito santo, já desde o ventre materno”. Cheio do espírito santo significa, espírito evoluído ou santificado que, na citação, já o era antes do nascer.

Na epistola Gálatas 1:15 “. . .que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou. . .”, relato provável sobre o apóstolo Paulo, que num dado momento, depois de tanto fazer padecer os cristãos, declara-se predestinado para Cristo, desde antes o nascimento, tanto que em Romanos 1:1 se declara “separado para o evangelho de Deus”, e na Carta aos Efésios 1:11, “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”.

Se as citações acima se mostram passíveis de polêmicas, afinal nenhuma delas é anterior à fecundação, Jeremias 1:5 é esclarecedor inconteste da pré-existência do espírito que o habitou: – “Antes que te formasse no ventre, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações, te dei por profeta”.

Alguns outros textos que atestam pluralidade de vidas: Atos 4:26-28; Romanos 8:29-30; I Corintios 2:7 Efésios 1:4-5 e 11.

Sob a óptica cristã, analisada as ocorrências, a reencarnação não somente está mencionada em tantos textos bíblicos, como também plenamente aceita pelos judeus e primeiros cristãos, daí a faculdade e crença que espíritos desencarnados podiam também desencadear certos fenômenos de manifestações, positivas ou negativas, diretas ou indiretas, bastando para tanto apenas um veículo intermediário racional entre os mundos físico e extrafísico.

O culto de consultas aos mortos foi tão florescente e popular em detrimento aos sacerdotismo, que os governos ditadores em nome de Deus, proibiram-no aos judeus. Num futuro mais distante, meados do século VI, alguns nomes do cristianismo viriam não somente proibi-lo aos cristãos, como também declarar banida a doutrina da reencarnação.

A criação da escola de profetas [I Samuel 10:5 e referencias] para formação de iniciados junto ao povo hebreu, foi uma maneira legal de se institucionalizar consultas aos elohim, às vezes denominados deuses, outras demônios, mas sempre a significar espíritos desencarnados ou divindades prestas a algum objetivo junto aos homens.

As manifestações espirituais são comprovadas não somente pelas evocações de espíritos de mortos conhecidos, para alguns favores, como ainda certas manifestações espontâneas ou provocadas de entes espirituais para proteções, tormentos físicos e psíquicos, cumprimento de sentenças ou resgates de vidas anteriores, permissões divinas ou não de possessões de corpos, todas como situações que, se condenadas antes para os judeus e depois aos cristãos, todavia, são encontradas na Bíblia.

Certos textos foram adulterados, outros suprimidos ou substituídos, alguns ainda bastante fáceis de serem localizados e esclarecidos à luz das próprias Escrituras.

1. Comunicação espiritual narrada na Bíblia

A passagem que se encontra em Gênesis 3:1 e seguintes, relata que determinado espírito do mal, serviu-se de uma serpente para atrair e enganar o primeiro casal bíblico, tratando-se da primeira relação, registrada na Bíblia, entre o humano e o espiritual para determinado fim, através de intermediação de um ser vivente.

Alguns especialistas cristãos atestam que um espírito do mal fez uso de ventriloquia à distância, aparentando ser a serpente a falar, enquanto outros afirmam que o próprio demônio se apossou dela, para seduzir o casal a transgredir as leis.

A despeito de ofídio não ter a capacidade de fala nem inteligência, e toda ocorrência estar montada numa lenda que diz do paraíso terrestre e do destino do homem, entende-se ali alguma espécie de relacionamento espiritual / humano, com efeitos produzidos, através de um intermediário vivente.

Pretendem alguns estudiosos, que tradutores e copistas traduziram o hebraico nâhâsch [aquele que faz encantamento, ou feiticeiro quase sempre associado à idéia de praticante de culto ofilátrico] como sendo nâhàsch [serpente], sutis diferenças que dariam, no entanto, ao quadro da tentação, uma história muito mais compreensível (4).

Evidente que é mais complexo explicar o que fazia Satanás [demônio ou espírito do mal] no Paraíso, do que a manifestação dele em si, como difícil seria Adão e Eva, criados para a vida física eterna, compreenderem a morte corpórea como castigo, além do desastre espiritual. Mais absurdo, porém, é a extensão da pena para toda a humanidade.

Manifestação de espíritos [bons ou maus] em animais não parece fato isolado, sendo encontrado também no livro Números 22:24 e 25 ratificado em II Pedro 2:16, que narra certo espírito [da parte de Deus], fazer uso de um muar para repreender um vidente [profeta] não hebreu.

Mateus 8:28 ao 34 e referências, narra espíritos num fenômeno incorporador em animais.

Isaias 13:21 fala dos se’irim (5), em hebraico, como espécie de caprinos hirsutos dos desertos possuídos por espíritos do mal. Conforme traduções bíblicas, aqueles caprinos são denominados sátiros, demônios caprinos ou simplesmente hirsutos, sempre com significado de seres espirituais maléficos.

Levíticos 17:7 traz referências sobre os se’irim, na qualidade de espíritos ou gênios habitantes dos lugares ermos e malditos, que invariavelmente assumiam formas animalescas de longas pelagens, ou que adentravam nos corpos de outras feras, enlouquecendo-as contra humanos. 

2. Consultas aos mortos [ou aos espíritos], intermediações e práticas de artes adivinhatórias, tudo na mesma categoria do profetismo

“. . .a ti, porém, nada de semelhante o Senhor, teu Deus, te permite” – Deuteronômio 18:14.

Para Israel não eram permitidas consultas aos nigromantes, feiticeiros, adivinhos, encantadores, videntes, evocadores de espíritos e outros intermediários e intérpretes entre o mundo terreno e o espiritual, que não da própria nação, conforme estabelecido pela teocracia judaica.

Ao povo hebreu somente eram permitidas consultas espirituais e afins, aos seus vasos consagrados, ou seja, aos homens levantados e autorizados para receber, transmitir e veicular a vontade de Deus.

Levíticos 20:27 determina morte por apedrejamento, a qualquer homem ou mulher, de Israel ou estrangeiro que resida em seu território, que em si tiver manifesto, ou for capaz de reproduzir aqueles dons, sem autorizações. De igual forma, declara morte ao homem ou mulher da nação hebréia, ou residente, que procurar aqueles praticantes em outras nações, ou, ainda, aos praticantes estrangeiros que possam morar no território hebreu, e neste ultimo caso, também morte a quem procurar praticar tais espécies de cultos.   

Qualquer hebreu que, sabidamente, consultava pessoas com os dons ou aquelas capacidades, entre gentes estranhas, os sacerdotes determinavam-lhe impureza legal por abominação ao Senhor, e declaravam-no interdito [Êxodo 22:19], para assim impedi-lo de participar dos atos religiosos judeus. O interditado comum era, quase sempre, morto exemplarmente, por apedrejamento, para não contaminar os demais membros da nação hebréia, com aqueles cultos impróprios. O interdito seria a pena máxima para os hebreus transgressores das leis mosaicas.

Doenças não manifestas exteriormente, eram atribuídas às freqüências naqueles cultos; a sentença de morte era por assim dizer, a extirpação do mal que podia propagar-se no seio da coletividade, e o indivíduo nem precisava ter a enfermidade manifesta, bastando denuncia [comprovada] de sua participação nalgum daqueles cultos proibidos.   

Mesmo sob risco de interdição e morte, a Bíblia não oculta a sempre crescente procura dos hebreus por indivíduos possuidores de dons, inclusive até autoridades do povo, como o Rei Salomão, que cultuou deuses estranhos e a eles levantou altares.  

Evidente que a contaminação de fato temida pelos dirigentes dos hebreus, era a espiritual, que poderia evidentemente quebrar sua unidade nacional, e a teocracia, sob mando ditatorial dos sacerdotes que perderiam os domínios e as benesses do poder.

Também não parecia isto concorrência saudável com as práticas dos iniciados hebreus, donos de um culto excessivamente formal e ritualizado, além impopular e incompreendido pelo povo. Os manifestos estrangeiros pareciam mais diretos, de melhor entendimento e mais fácil assimilação.

Javé, o deus hebreu (6), em nenhum momento, através de seus mensageiros, afirma a impossibilidade das comunicações entre mortos e vivos, bem como respectivas ações, porque isto seria negar sua própria existência e origem; apenas proíbe tais práticas ao povo hebreu, em se tratando de procuras deste entre outros povos, pelos motivos expostos.

Porventura não tinha Israel homens com aquelas mesmas capacidades, devidamente autorizados, para os mesmos determinados fins? Porque o povo hebreu e mesmo os destaques de sua sociedade buscavam cultos estranhos e de estranhas gentes?

Entenderam a complexidade do sacerdotismo, praticamente inacessível às massas, e então buscaram uma forma mais popular de religiosidade para o povo, através dos profetas, conforme visão extraordinária de Samuel, através de profunda reforma religiosa aos hebreus [I Samuel 7:2-6 e referencias], bastante aos moldes dos cultos de gentes circunvizinhas.

Com o profetismo, não haveria razões para o povo hebreu buscar deuses de outros povos, posto que Javé com eles se comunicaria diretamente, e assim o rito lhes foi dado para facilitar consultas espirituais diretas, sem as formalidades e os rigores dos cultos sacerdotais. O povo preferia mensagens diretas e imediatas, através de contatos mais próximos com os intermediários entre o espiritual e o humano.

Nos tempos bíblicos da antiguidade, profeta seria interprete das vontades espirituais, espécie de intermediário consagrado [preparado] entre os homens e os celestiais. O profetismo seria uma instituição legal outorgada por Javé [Deuteronômio 18:9-22, com destaques para o verso 15 que implica profeta no sentido coletivo-distributivo].

Mas, para entendermos mais profundamente o profetismo ou o profeta, temos a necessidade das observações e exposições bíblicas, que adivinho [estrangeiro ou não ao povo hebreu], conforme Gênesis 41:8, era denominação igualmente dada a algum intérprete das mensagens e vontades dos espíritos aos homens. Então um homem adivinho [por profissão] seria da mesma categoria que o profeta, senão de idênticas funções ou, mesmo, sinônimas.

No Livro Isaias 8:19, os adivinhos são colocados igualmente aos nigromantes, ou seja, aqueles que evocam espíritos dos mortos, que mantêm contatos com espíritos em geral, se deixam possuir por eles, trazendo suas mensagens aos homens.

Em Isaias, 47:12, o adivinho, quanto aos atributos e capacidades, é o mesmo que, mago, encantador e feiticeiro, isto é, o que recorre, invoca e recebe [ou tem] em si, poderes do oculto e agem de conformidade com desejos de tais forças.

Os versículos 10 e 11 de Deuteronômio 18, trazem rol de nomes dados aos [hoje] ocultistas, mas tudo parece resumir em certos indivíduos que, de uma maneira ou outra se põe em contato com espíritos e deles se valem para suas práticas.

Jeremias 27:9-10 iguala adivinho e feiticeiro [agoureiro em algumas versões] ao profeta. 

Profeta, de conformidade com I Samuel 9:9, também tem o mesmo significado de vidente, embora a palavra profeta, posteriormente tornou-se termo biblicamente mais aceito para identificar homens de Deus, enquanto vidente e outras classificações viria ser utilizado, quase sempre, para identificar homens usados por forças do mal, embora durante algum tempo todas denominações fossem sinônimas de profeta, ou seja, quase todas com as mesmas grafias em hebraico/aramaico ou no grego antigos, vertidos para o português. . 

Isto reafirma que quaisquer daqueles designativos, estão sempre a significar algum elemento intermediário entre o mundo espiritual e o humano, todos igualados a uma mesma categoria, divina ou não.

3. Setenta homens incorporam espíritos

Alguns biblistas e pregadores procuram minimizar o fato, outros parecem não entender o acontecimento, enquanto a maioria dos cristãos dentre os poucos que entendem referida passagem, acredita que o Espírito Santo foi o único manifestante.

O texto encontra-se em Números 11, a partir do verso 11 até o 30, quando Javé solicita de Moisés setenta anciãos e seus oficiais, para ajudarem o Libertador, que achava demasiado pesado o seu cargo. O cansaço alegado por Moisés é físico e, provavelmente, mental, haja vista ser ele praticamente único líder para atendimento direto a seiscentos mil homens judeus, homens a pé, isto é, somente contados os machos adultos e vigorosos, de conformidade com o verso 21.

Efetivamente:

Para toda aquela multidão, sessenta e oito pessoas, fora do arraial, receberam do espírito que estava sobre Moisés, pelo versículo 25, e puseram a profetizar e praticar atos próprios do dom [vidência, revelações, instruções, consultas, etc]; dois outros escolhidos, receberam manifestos idênticos dentro do acampamento, verso 26, para aqueles e aquelas que não puderam sair.

Receber do espírito que estava sobre Moisés, significa receber em si ou se deixar possuir por espíritos de um conjunto de entidades denominado falange, que a Bíblia diz posto [infundido, insuflado ou penetrado] sobre aqueles setenta anciãos. Não é possível nenhum esclarecimento inteligente, que possa ou venha diferir das hoje denominadas incorporações espirituais.  

É compreendido pelo texto que Josué, ministro de Moisés e posteriormente seu sucessor, não entendeu o que se passava e, ciente que dois profetizavam no acampamento, pediu a Moisés que os proibisse, por alguma possível inveja ou ciúmes, senão, simplesmente por não compreender aquilo que ocorria. O verso 29 demonstra Moisés também alheio aos acontecimentos, com referencia aos dois que ficaram no acampamento, tanto que se encaminha para o local, acompanhado de alguns dos anciãos [conselheiros] do povo, não manifestos por espíritos, para alguma possível constatação e esclarecimentos dos fatos, numa interessante passagem, infelizmente truncada nas traduções atuais, por motivos não esclarecidos.

Setenta pessoas obviamente não prestariam atendimento a todo aquele povo, em questão de horas, como enseja o texto, mesmo se considerado o verso 16 que aponta pessoas auxiliares dos anciãos. É correto tratar-se de intermediários [os anciãos], colocados em lugares estratégicos com seus assistentes, para as consultas e orientações devidas ao povo, missão que pode ter durado um período mais ou menos longo.

Na Bíblia tanto a reunião daquele contingente e os manifestos dos profetas, encerraram repentinamente, sem mostra das reais objetividades, com brusca interrupção e mudança de assunto, considerando os versos 30 e 31.

Atribuir tais manifestos ao Espírito Santo, é desconhecer o assunto e não ter noção mínima dos mais antigos manuscritos e cópias referentes.

O texto bíblico, ora em estudo, é obscuro e desconexo, corrompido e com descaracterizações propositais, além de interrupções arbitrárias. Versões bíblicas diferem significados quanto ao cumprimento daquele ofício, naquilo que algumas traduções diz “nunca mais voltaram a faze-lo [profetizar]”, enquanto outras “[profetizaram] como nunca tinham feito” ou, ainda, “e não cessaram mais [de profetizar]” (7). 

Se o relato está de fato mutilado nem esclarece propósitos, todavia, deixa entender bastante claro que certos homens dentre os hebreus, receberam [incorporaram] espíritos e prestaram serviços espirituais à comunidade.

4. Deus ordena e responde através dos oráculos e dos lançamentos de sortes

Êxodo 28:30 relata-nos as denominações Urim e Tumim, Luz e Integridade ou Perfeição, como duas pedras consagradas, para interessante prática de consultas a Javé, que os iniciados hebreus utilizavam, em favor do povo.

Outras pedras seriam utilizadas para se consultar Javé, não se sabendo exatamente quantas, embora alguns apontem, pelo menos, doze delas representativas das tribos, tomando por base Êxodo 28:17-20. Ao contrário de Urim [Aleph] e Tumim [Tau], não se pode identificar com certeza o nome das demais pedras.

Originalmente, Urim e Tumim designam espécie de técnica divinatória que consistia em “lançar a sorte”, ou seja consultar espíritos ou o senhor [Deus] dos espíritos, segundo o livro Números 27:16, todavia, são desconhecidos os métodos como eram efetivamente feitos os lançamentos, e quais os critérios de interpretação, sendo certo, porém que, uma vez lançadas e, devidamente interpretadas, delas se retiravam respostas e vontades [Números 27:21-23].

As interpretações eram sempre tidas como inspiradas, portanto infalíveis e o livro de Esdras, 2:63, nos revela a seriedade como era tal prática.

As pedras consagradas eram colocadas num adicional do efode [bolsa ou peitoral – Levíticos 8:8], veste sagrada cuja confecção acha-se detalhada em Êxodo 28 a partir do verso 4 e referências; o efode era parte essencial do ato de consultas, porque neles ficavam as pedras oraculares, e quando alguém de importância solicitava o jogo, pedia ao sacerdote iniciado que trouxesse o efode e daí iniciava-se a operação [I Samuel 14:18]. Certo que tal prática era determinada por Javé, os religiosos hebreus não tinham dúvidas ser o próprio Senhor ou algum espírito de sua parte quem respondia através do Urim e Tumim.

O jogo, aparentemente, consistia em lançar pedras e interpretar vontades ou mensagens espirituais, quando não algum espírito permissionário, a inspirar um sacerdote ou profeta, para fazer o jogo e anunciar ao povo: “Assim falou Deus”.

I Samuel 13:41-42, demonstra uma sessão de consultas através do Urim e Tumim, parecendo tratar-se de perguntas objetivas com respostas sim ou não, uma a uma, de forma progressiva, secundada por previsões sucessivas, demonstradas em I Samuel 23:9 ao 13. No capítulo 30 do mesmo livro, versos 7 a 9, relata-se outra rodada de consultas. 

Mas como saber quando não era Deus ou algum enviado quem respondia através do oráculo?

Êxodo 18:22 dá a resposta, num sentido assim, quando alguém falar em nome de Javé e tal palavra não se cumprir, essa é a palavra que Javé não pronunciou.

Balaão não era profeta hebreu [Deuteronômio 23:4], portanto não era profeta de Javé, mas foi usado por Ele [Números 22:5], inclusive numa célebre antevisão do Cristo [Números 24:16-17], embora a situação pela qual ele se fez mais conhecido, sem dúvidas foi da jumenta que o anjo usou para lhe dar uma mensagem falada. De Balaão diria a Epístola II Pedro 2:16 –  “mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta”, de uma passagem firmada em Números 22:24 a 35].

Apesar de algumas experiências com Javé, Balaão [Números 31:16, II Pedro 2:15 e Judas 1:11] foi morto pelo fio da espada [Josué 13:22], porque fez transgredir o povo hebreu.

Os profetas estrangeiros consultavam seus deuses pelo mesmo método dos hebreus; a atividade de Balaão, indica que ele se valia de idêntico sistema oracular de consultar divindades, inclusive ao próprio Javé que lhe respondia, diretamente ou por algum enviado, também pelo mesmo sistema.

O espiritismo kardercista não utiliza lançamentos de pedras para suas comunicações, nenhuma seita cristã atual [daquelas que tem apenas a Bíblia como única regra de fé] se vale de jogos similares para seus contatos com Deus, e todos que usam tais práticas, são considerados adivinhos [prognosticadores], lançadores de sortes, interpretes, magos, feiticeiros, esotéricos, gnósticos, hereges ou, em outras palavras, tais usuários praticam abominações ao Senhor, quando assim procedem.

Alguns cultos mediúnicos e esotéricos, no entanto, praticam jogos daquela natureza, sendo o mais conhecido no Brasil, o jogo de búzios [pequenas conchas do mar] pelo Candomblé, Umbanda, Quimbanda e cultos assemelhados. As runas [em pedras ou varetas] e o i’ching [duas pedras losangos que se complementam, harmonicamente] também são bastante divulgados.

Todos tipos de consultas do gênero denominam-se lançamento de sortes, ou consultas aos oráculos. A Bíblia diz, textualmente em I Samuel 14:42, “lançai a sorte”, num momento em que se necessitava perguntar e ouvir respostas espirituais.

No livro de Jonas [1:7], homens que “não eram de Deus”, lançaram sortes, isto é, consultaram seus deuses, para saber quem lhes traziam desgraças, e a sorte recaiu sobre Jonas, a razão certa dos infortúnios que os levaram à consulta.

Entre soldados, aos pés da cruz, foi lançada sorte para qual deles seriam destinadas as vestes de Jesus [Mateus 27:35, referência especial vista como cumprimento profético de Salmos 22:18].

Saul, rei dos hebreus, consultou Javé [I Samuel 14:26 ao 45], e partes da situação foram definidas através de lançamentos de sortes [“lançai a sorte” – verso 42]. 

José, filho de Jacó, mais conhecido como José do Egito, se confessou adivinho [Gênesis 44:15], através de uma taça, pela qual certamente também interpretava as vontades dos espíritos do Senhor.

Os primeiros cristãos valeram-se da prática oracular [lançamento de sortes], a exemplo da escolha do substituto de Judas [Atos 1:26], pelos apóstolos remanescentes, foi definida pelo lançamento de sortes, e esta recaiu sobre um certo Matias. Tal passagem é tão constrangedora aos cristãos, que nem a colocação tardia da confirmação do Espírito Santo sobre aquela escolha, em algumas versões, minimizou os efeitos, ao contrário, serviu apenas para reafirmar práticas que hoje são condenadas pelos líderes cristãos.

Alguns outros textos bíblicos mostram homens de Deus lançando sortes, com o próprio Javé ou espíritos a lhes determinar o destino, através dos oráculos, a exemplos de Provérbios 16:33, Levíticos 16:8 e I Samuel 10:20-21. 

A culpabilidade dada a um certo Acan e a punição de morte extensiva a toda sua família, foi apontada através do oráculo, assim entendido no Livro Josué capítulo 7:14.

5. Evocação d’um morto que se faz manifesto

I Samuel 28 é a maior dor de cabeça “espiritista” para os cristãos, porque traz com detalhes a evocação, aparição e mensagem de um morto, através de pessoa intermediária [hoje denominada médium], isto tudo, sem deixar nenhuma dúvida aos presentes de ser ele mesmo, o espírito do profeta Samuel, então recentemente morto.

Dizem os cristãos, no entanto, que foi o Diabo, Satanás ou qualquer Demônio, pai da mentira e do engano, quem se fez passar por Samuel, considerando algumas falhas [mentiras] na mensagem dada.

A principal evidência de erro estaria que o recado dado pelo pretenso espírito do profeta não se cumpriu integralmente, exato em I Samuel 28-19 onde diz “amanhã tu e teus filhos estareis comigo”, isto é, todos mortos no dia seguinte, pois Saul teria vivido alguns dias mais, até o suicídio narrado no capítulo 31:4-6, além que somente três de seus filhos, e não todos, morreram nas mãos dos filisteus.

Tal argumento, porém, não resiste a uma análise séria, bastando ler I Samuel 28:1 e 2 para entender que o texto tem como figuras principais Aquis e Davi, advindos do capítulo anterior, num assunto que cessa sem conclusão no verso 2, para retorno somente no capítulo 29 e todo o 30, evidentemente a tratar-se de interpolação de textos.

Assim, a partir de I Samuel 28:3 até o verso 25, o tema deixa de ser o Davi e Aquis naquilo que intentavam, para a narrativa de certas ocorrências vividas pelo rei Saul e alguns de seus próximos, no decorrer de uma única noite [versículos 8 e 25]; tal descrição finda em I Samuel 28:25, para ser retomada, em seqüência, somente no capítulo 31 do mesmo livro I Samuel.

Então no dia seguinte, ou seja, no capítulo 31 a partir do verso primeiro, os relatos informam das mortes dos soldados hebreus e o cumprimento da profecia, dada no capítulo 28:3 a 25, com o suicídio de Saul e a morte de seus filhos, todos diante do avanço inexorável e destrutivo das forças filistéias.

Outra questão levantada pelos cristãos, é que apenas três dos filhos de Saul, e não todos como a profecia deixa entender, pereceram diante dos filisteus.

Não parece ter ocorrido nenhuma falha profética, por não haver determinação de quantos deles seriam mortos, nem a afirmação que todos seriam entregues aos filisteus e mortos, assim como nada diz, também, dos demais membros da família real.  

Óbvio a necessária compreensão da linguagem bíblica, que seriam mortos em combate apenas os filhos envolvidos no conflito direto com os filisteus.

Embasa e justifica este argumento, um outro texto em I Samuel 15:28, onde diz “O Senhor tem tomado de ti hoje o reino de Israel, e o tem dado ao teu próximo [Davi], melhor do que tu”, para entender que tal não ocorreu assim tão imediato como se faz supor, posto que Isbosete, filho sobrevivente de Saul, foi rei de Israel ainda por dois anos, antes que Davi finalmente viesse ocupar aquele trono.

Ainda, na vã tentativa de descaracterizar a manifestação como sendo do próprio Samuel e atribui-la a um demônio, os biblistas argumentam que a pitonisa fez “subir” o espírito, conforme atestado no verso 13, e o que sobe ou vem de baixo são demônios ou espíritos do mal [Isaias 29:4 e Apocalipse 13:11], pois aquele que vem de Deus, vem do alto, conforme Tiago 1:17 e referências.

O significado daquela passagem, porém, é mais próximo com Gênesis 37:35,

I Samuel 2:6, Jó 7:9 e referências outras, considerando ser crença hebréia que todos as almas [espíritos desencarnados] eram recolhidas, ou se recolhiam, num subterrâneo [conhecido como seol ou cheol], tido como morada de todos falecidos.

Uma outra argumentação cristã que não fora Samuel quem conversara com Saul, é que teria sido somente a necromante quem viu o espírito do profeta subir da terra, e que assim declarou, dando entendimento de subjetividade e contaminação coletiva mental indutiva ,de algo não verdadeiro, senão apenas para a intermediária.

A verdade todavia foi Saul quem pediu a “chamada” de Samuel do mundo dos mortos, e a mulher declarou, inicialmente, ver espíritos e deles destacar um, cuja descrição fez Saul compreender estar diante do profeta [verso 14]. O rei, dado entendimentos em I Samuel 10:10 e 11:6 e, especialmente, no capítulo16, versos 14 ao 23, não era nenhum inexperiente no assunto, inclusive tendo em si diversas vezes manifestos de espíritos bons e ruins, todos tidos e ditos da parte de Deus.

A intermediária também não nos parece nenhuma falsária, ao contrário, demonstra ser notória sensitiva, pelos versos 12 e 13, ao descobrir a identidade de seu consulente.

Aos sectários é compreensível desconhecer, mas não os especialistas, que o pronunciado pelo espírito de Samuel [I Samuel 28:17], na verdade é apenas menção repetida daquilo que o velho profeta já dissera, em vida, ao rei [I Samuel 15:28].

Mais importante que os acontecimentos junto à pitonisa e desdobramentos seqüentes, a nosso ver, são os motivos dos reais fatos e situações antecedentes, que levaram o rei Saul àquela consulta, conforme a seguir destacados.

O verso 6 do capítulo 28 declara que Javé se recusou terminantemente responder a uma consulta do rei Saul, porque o rei deixara de cumprir uma ordem divina, e assim perdera a graça de Deus [I Samuel 15:19 a 23], ou por Ele rejeitado. 

A ordem divina que Saul não cumpriu integralmente, era o aniquilamento total dos amalequitas da face da terra, ou seja, extermínio de todos os homens, mulheres, crianças de colos, velhos e animais domésticos, além da destruição geral dos demais pertences –  I Samuel 15 e de 1 a 9. Saul atendeu partes da ordem, matando todo o povo mas, por algum motivo poupando o rei Agague, os melhores animais e, certamente, as riquezas daquele infortunado povo.

Este ato parcial de Saul foi o motivo de Deus rejeita-lo e determinar-lhe a morte, algo terrível da parte de Deus, muito mais pela estúpida ordem dada, que sua própria rejeição a Saul.

E porque Deus quis a destruição total dos amalequitas? Porque séculos antes, um rei amalequita e seu exército resolveram dificultar a passagem dos hebreus por seu território, quando do êxodo do Egito. Claro que o não matarás, o amar seu inimigo e o perdoar tantas vezes quantas necessárias, foram balelas legais, também pouco a importar que o correto seria Saul não ter praticado nenhum ato de violência gratuita contra os amalequitas, tantas gerações depois de uma ocorrência onde já ninguém da época vivia mais.

O arrependimento de Saul, quando exortado de sua “transgressão” pelo profeta Samuel [I Samuel 15:30], não foi considerado por Javé, o terrível vingador.

Deus ao se recusar falar com Saul pelo Urim e Tumim, por sonhos e pelos profetas [I Samuel 28:6], deixou-o sem opções de consultas senão através de algum proscrito especialista na área, mas, conforme parte do verso 3 daquele capítulo, o próprio Saul havia desterrado todos os adivinhos, feiticeiros, necromantes e congêneres de seu reino, no mais absoluto e estrito cumprimento do dever legal, religioso e moral para com Javé, porque esta era Sua determinação legal.

O mesmo verso 3 informa que já era morto o profeta Samuel, e deixa entender o quanto Saul necessitava urgente do conselho ou ordem de Javé, porque os inimigos filisteus estavam prestes a invadir o reino, e o bom senso e costumes lhe recomendavam buscar tais aconselhamentos, antes de quaisquer outras atitudes.

Argumentam os cristãos que Saul deveria insistir em buscar orientação divina, arrepender-se e esperar, pacientemente, a misericórdia de Deus, tudo conforme diz a Bíblia, porém, ele foi logo procurar uma necromante, para assim obter resultados que Javé insistia em lhe negar, pouco importando, os argumentadores, se os filisteus iriam ou não matar hebreus inocentes. Aliás, a punição de Deus não se limitou apenas em atingir Saul, seus familiares e exército, mas a muitos civis inocentes de seu próprio povo.     

Todavia, conforme diz a Bíblia em textos já citados, antes de recorrer à necromante, Saul buscou o Urim e Tumim que lhe recusou respostas [I Samuel 28:6], algo não incomum, a exemplo de certa negativa de pronunciamento da parte de Deus para determinado assunto [I Samuel 14:37], para quase em seguida o mesmo Deus responder um outro tema [versos 41 e 42 do mesmo capítulo 14]. Desta vez, por Samuel 28:6, a recusa de Javé lhe foi determinante para a morte.

Portanto, segundo nos é dado entender pela Bíblia, Saul somente se dirigiu àquela necromante, depois de esgotados todos os meios legais disponíveis entre seu povo, ou seja, quando já não tinha mais nenhum intermediário que lhe conseguisse contato com Javé.

Saul quando resoluto para o ato, sabia com que espírito deveria conversar, o que significa crença naquela possibilidade de contato.

Também não ignorava o rei que, recorrendo a uma feiticeira ou afim, certamente estava a transgredir severa lei mosaica, cuja punição para tal delito era a morte por apedrejamento.

Posto todas rejeições aos argumentos contrários e pelas considerações bíblicas, é impossível negar não ter sido mesmo o profeta Samuel, então morto recente [I Samuel 28:3], quem teve seu espírito evocado por uma necromante, e quem efetivamente apareceu aos presentes, foi por eles reconhecido e deu seu recado antes de retornar ao mundo dos mortos ou dos espíritos, de onde viera.  

O livro bíblico Eclesiástico, aceito pelo credo católico, diz em seu capítulo 46 verso 23, haver sido de fato o espírito de Samuel quem, evocado, se fez presente na sessão de Endor. Daí, o conflito já fica entre os próprios cristãos, que aceitam ou rejeitam o Eclesiástico.

6. A Bíblia admite consultas aos espíritos, através de intermediários

 “Quando disserem a vocês: Consultem os espíritos e adivinhos, que sussurram e murmuram fórmulas; por acaso, um povo não deve consultar seus deuses e consultar os mortos em favor dos vivos?;  comparem com a instrução e o atestado: se o que disserem não estiver de acordo com o que aí está, então não haverá aurora para eles” –  [Bíblia, Isaias 8:19-20, Edição Pastoral].

O livro de Isaias, capítulo 8 e versículos 19 e 20, tem sido usado por críticos cristãos, como advertência proibitiva às práticas de consultas aos espíritos. Cristãos espíritas se calam muitas vezes, talvez por ignorar aquilo que realmente diz o texto, que não somente comprova a possibilidade de contatos com espíritos do além, como admite tal prática.

As diversas traduções bíblicas, para o texto em questão, são bastante diferentes entre si, sem sentidos lógicos mesmo aos olhos dos analistas mais atentos. Vejamos algumas delas, de mais fáceis acessos:

A Ferreira de Almeida [1958, edição revista e corrigida] traz: “Quando vos disserem: consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram entre os dentes; – não recorrerá um povo ao seu Deus? A favor dos vivos interrogar-se-ão os mortos? À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva”.

Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, edição de 1967: “E caso vos digam: ‘recorrei aos médiuns espíritas, ou aos que tem espírito de predição, que chilreiam e fazem pronunciações em voz baixa’, não é a Deus que qualquer povo devia recorrer? [Acaso se deve recorrer] a pessoas mortas a favor de pessoas vivas? À lei e à Atestação!”.

Bíblia On-Line / Jesus Site: “Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, que chilreiam e murmuram, respondei: Acaso não consultará um povo a seu Deus? acaso a favor dos vivos consultará os mortos? A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva” www.jesussite.com.br.

A tradução pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma - PIBR, edição 1967, muito mais próxima de antigos textos e tradições, diz: “E quando vos disserem: – Consultai os nigromantes e os adivinhos, que murmuram e segredam; porventura um povo não deve consultar o seu deus, e os mortos pelos vivos? –, segui a instrução e a advertência. Certamente vos hão de dizer tais coisas, que não prometem aurora”.

Estudiosos e tradutores bíblicos do Pontifício Instituto Bíblico de Roma (8), diante das inconveniências e diferentes traduções daquilo que está escrito, apontam o texto como obscuro e corrompido, por erros de tradutores e copistas, e até pela ausência de algum original, como se da Bíblia toda algum único manuscrito, original de fato, tenha chegado integral até nossos dias.

Também se pode observar, que algumas traduções não dão ao hebraico elohim, o significado de espíritos, conforme os mais antigos documentos sobre o texto. Tal prática aliada a certas adaptações gramaticais, tendenciosas, quase que modificam por completo o sentido original bíblico, ou aquilo que está posto no mais antigo manuscrito do Livro Isaias.  

Para estudos e compreensões mais acuradas, vemos que os versos antecedentes, 11 ao 18 daquele capítulo, apontam o povo hebreu em oposição a Javé, repelindo seu profeta e se fazendo recorrente [versículo 19] às certas práticas de consultas aos espíritos, através de intermediários não autorizados, exatamente porque o profeta lhe traz advertências e maus presságios.

Então o profeta brada o alerta que, mesmo o povo hebreu indo a busca de lenitivos junto aos adivinhos e evocadores de espíritos, como outras nações o fazem e recomendam, estes [os espíritos] certamente lhe darão a mesma mensagem de advertências e os mesmos maus presságios enunciados por Javé, ou seja, não vão prometer dias melhores, por isso a recomendação “segui a instrução e advertência [deles]”.

O mensageiro de Javé até questiona legitimamente: “porventura não pode um povo consultar espíritos?”.

Evidente que a Bíblia não recomenda aos hebreus [em Deuteronômio 18:10-16 até proíbe e condena], mas admite consultas aos espíritos, pelos necromantes e adivinhos, que chilreiam e murmuram entre os dentes, cujas mensagens até podem ser corretas, se de conformidade com os dizeres do próprio Javé. Um exemplo claro, seria o profeta Balaão, não hebreu, em contatos diretos com um espírito [mensageiro] da parte de Javé.

Nos versos 21 e 22 do capítulo 8 de Isaias, está escrito que: “se os espíritos [consultados] não falarem de conformidade com as regras [até do próprio Javé], tais espíritos estão ainda na escuridão”, isto é, não suficientemente desenvolvidos ou evoluídos para aconselhamentos, e assim eles passarão pela terra “duramente oprimidos e famintos. . .até que lhes seja dissipada a escuridão”, tantas vezes quantas necessárias forem, para seu aperfeiçoamento e evolução espiritual. O versículo 23 que consta apenas na versão PIBR, mais fiel aos manuscritos, dá seqüência ao verso anterior: “porque não será imerso na escuridão, quem se achava em angústias. Num primeiro tempo tratou com desprezo as terras de Zabulon e de Neftali, e num segundo, nobilizou a rota do mar a outra banda do Jordão, a Galiléia dos gentios”.  

As traduções bíblicas mais utilizadas pelos denominados crentes evangélicos, ignoram o verso 23, mas num sentido geral, pelo que está escrito numa e outras versões, a mutilação não está suficiente para negar práticas espíritas explícitas, não traz censuras nem proibições quanto ao ato de se recorrer aos mortos em favor dos vivos, apenas recomenda a coerência necessária dos comunicantes, e se tal não houver, são evidentemente espíritos ainda não evoluídos.

7. O homem que lia os presságios e interpretava sonhos

O já citado José, filho de Jacó [patriarca bíblico], foi um homem bastante conhecido como o sonhador e interprete de sonhos, dons que os cristãos consideram dados por Deus.

O que os cristãos não comentam, é que José lia presságios numa taça, bem aos moldes de modernos adivinhos e leitores de sortes, através de objetos da mesma natureza.

O assunto referente encontra-se em Gênesis 44:5, quando guardas sob as ordens de José declaram-no adivinho: “Não é esta a taça por que bebe meu senhor? e em que ele bem adivinha? (. . .)”.

A declaração não é de José e com certeza poderia ser uma artimanha desnecessária, usada pela guarda, para flagrar delitos dos irmãos do senhor ministro do Egito, e assim prende-los. Mas o ato declaratório é desnecessário, por simplesmente bastar o encontro da taça, que deveria ser especial, para declarar presos os irmãos de José, ainda que inocentes, posto não terem eles furtado nada e o produto encontrado fora, furtivamente, colocado entre seus pertences.

Mas, em Gênesis 44:15, é o próprio José quem declara, também sem necessidade, ser um adivinho e leitor de presságios, através daquela taça.

Argumentam que o episódio constitui numa pequena mentira do servo de Deus, mas, a mentira e não importa o grau, é um pecado ao mesmo nível que feitiçaria e outras abominações, conforme Apocalipse 21:8, enquanto I Samuel 15:26 coloca a adivinhação como pecado do mesmo quilate da rebeldia a Deus, ato que selou a rejeição de Javé a Saul e que lhe trouxe a morte, por conseqüência.

José não se declararia pressagiador numa taça, se de fato ele não o fosse, sobretudo considerando, repetimos, a desnecessidade daquela confissão.

Evidente que José não podia ser enquadrado aos rigores legais de Deuteronômio 18:10, posto ser o pressagiador anterior às leis mosaicas, mas, estudando o livro Gênesis compreende-se que a adivinhação não era boa norma de ação, nem bem vista aos olhos de Deus, tanto que a proíbe ao povo hebreu em geral, somente permitido aos iniciados.

8. Um espírito bom, da parte de Deus, se apossa de um homem e usa-o; depois é a vez de um espírito mal, também da parte de Deus

A Bíblia cita alguns exemplos de espíritos [da parte] de Deus, elohim, apossando-se de seres humanos, como em Juízes 3:10 e referencias.

Em I Samuel 10:10 está escrito: “. . .e o espírito do Senhor se apossou dele [Saul], e profetizou no meio deles”. I Samuel 11:6, numa outra passagem : “Então o espírito [da parte] de Deus se apoderou de Saul. . .”.  

I Samuel 16:14-23, está escrito que após certa manifestação, o espírito da parte de Deus, retira-se de Saul e, em seguida, dele se apossa um outro espírito, maligno, também da parte de Deus, que só com certas práticas rituais deixava Saul em paz. Qualquer tradução bíblica, traz sempre escrito ou entendido, um espírito maligno da parte de Deus, sem deixar margens para dúvidas.

Outras citações trazem Saul em outros manifestos semelhantes, ora com um espírito bom, ora com algum [ou o mesmo] espírito perturbador, todos da parte de Deus.

Em tempos atuais, o assunto seria entendido que certamente algum obsessor passou a perturbar Saul, quando dele se apossava. Interessante observar a permissão divina para possessões tanto de espíritos bons quantos dos ruins e, mais que isso, todos indistintamente da parte de Deus.

A vivência de Saul no universo dos espíritos é, portanto, bastante singular, o que significa que no episódio da necromante de Endor, quando lhe surgiu o espírito de Samuel [I Samuel 28:3 ao 25], Saul sabia muito bem o que fazia e naquilo que estava a se envolver.  

A título de compreensão quanto ao uso de espíritos da parte de Deus, em I Reis 22:19 a 23 está escrito sobre a necessidade do Criador em promover uma situação contra determinado rei, e assim à procura de alguém para induzi-lo ao erro, quando se apresenta um espírito diante do Senhor e lhe propõe um plano para aqueles maus propósitos: “eu sairei , e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas”.  Deus não se fez de rogado: “. . . sai e faze assim” – verso 22; “Agora pois, eis que o Senhor pôs um espírito de mentira na boca de todos os teus profetas. . .” – versículo 23.

No livro Jó 1:6, se percebe uma certa intimidade [de diálogo pelo menos] entre Satanás e Deus, e algumas permissões dadas pelo Senhor.

9. Mensagem escrita vinda do além

Bem ao gosto dos cristãos, está escrito: “Então lhe veio um escrito da parte de Elias o profeta, que dizia: ‘Assim diz o Senhor Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Jeosafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá’. . .” – II Crônicas 22:12.

Trata-se de um texto aparentemente sem maiores dificuldades de compreensão: um alguém [o rei Jorão], da descendência [dinastia] de Davi, recebeu uma carta, ou bilhete que seja, da parte do profeta Elias, para um determinado fim repreensivo.

Tudo estaria certo não fosse um pequeno detalhe: Elias não mais se achava no mundo dos viventes terrenos, desde bem antes da ascensão do próprio Jorão ao trono. Como poderia, então, chegar ao rei Jorão um escrito atual da parte do profeta Elias?

As argumentações cristãs, depois da surpresa diante do texto e compreensão dos fatos, têm sido invariavelmente:

Elias não morreu, foi arrebatado aos céus, portanto não psicografou nada.

O arrebatamento de Elias foi algo duvidoso, já na época do acontecido, e só Eliseu, por alguma razão, acreditou naquilo [II Reis 2:15-18].

O arrebatamento de Elias para os céus [morada celestial, paraíso ou para onde Deus o tenha levado vivo], não tem base bíblica, considerando I Corintios 15:50 “que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus”.

II Reis 2:11 se compreendido como arrebatamento de Elias para junto de Deus, é totalmente contraditório com João 3:13.

Argumentam, todavia, que Elias teria sido transformado, de corpo corruptível em incorruptível, embora a Bíblia não diz isso, e ainda que assim fosse, mais uma vez a Bíblia não dá seu aval, porque o episódio ocorreu antes do juízo final ou da ultima trombeta, fenômenos portanto ainda hoje não acontecidos.   

Cientificados os biblistas que não apenas espírito de mortos psicografa, mas, também de vivos [comunicações intervivos], não é rara uma outra argumentação:

Elias, na qualidade de profeta, sabia que tal rei em tal época estaria em delito, contra Deus, e por isso providenciou meios que uma recomendação sua, escrita quando ele ainda na Terra, fosse entregue ao destinatário na época devida.

Evidente que se trata de uma resposta bastante forçada, totalmente despropositada em razão que outros profetas de Javé, bem poderiam levar advertências ao rei, sem nenhuma necessidade de citação a algum escrito da parte de Elias.

Raríssimos os reis de Israel ou Judá que não merecessem advertências iguais. Porque somente Jorão o premiado?

Do arrebatamento de Elias, temos estudo amplo na matéria João Batista, a reencarnação de Elias.

10. Materialização, escrita estranha sem interferência humana e sua interpretação, todos fenômenos quase simultâneos, registrados na Bíblia

Daniel 5:5 e seguintes, relata o surgimento inesperado, no espaço de certo ambiente, de dedos duma mão tipo humana [conforme antigo texto em aramaico], que escreveu indecifráveis palavras [sinais gráficos, silábicos ou figuras simbólicas, não se sabe com certeza], numa das paredes, sob olhares atônitos de muitas pessoas, todas partícipes de um festim oferecido pelo rei babilônico Belsassar.  

A Bíblia esclarece que a aparição se deu num salão, sob a luz de candelabros, ou seja, mesmo que à noite, com boa iluminação, dando inclusive detalhes dos sobressaltos do rei e seus convivas. Escrita posterior aos acontecimentos, em momento algum a Escritura faz alusões a alguma espécie de histeria coletiva.

Cumpre destacar que, os acontecimentos até então, materialização dos dedos e a escrita automática [sem interferência humana] em caracteres estranhos, que alguns estudiosos apontam como antigo alfabeto semítico, por si já revelam magnitude de feitos fenomênicos, extrafísicos, simultâneos.

A explicação dada pelo profeta Daniel, antes da interpretação reveladora, afirma que da parte dos elohim [espíritos ou deuses, às vezes traduzido como o próprio Deus bíblico] foi enviada aquela forma de mão para tal escrita, ou seja, uma interferência direta dos espíritos. 

Daniel primeiramente identificou [traduziu], aquilo que estava escrito ou simbolizado, como mane, tékel, fares [algumas traduções trazem parsim ou uparsim em vez de fares], conhecida denominação de pesos e medidas da época, com significados de: uma mina, um siclo, e uma e meia mina, que podem ser postas com ou como os verbos, contar [contou], pesar [pesou], dividir [dividiu], pelos costumes semíticos, que o profeta finalmente assim concluiu por alguma inspiração:

Mane – Deus computou o teu reino e lhe pôs fim

Tékel – foste pesado na balança e achado em falta

Parsim [Fares] – teu reino é findo e dividido.

A palavra fares, além dos sentidos dados, pesos/medidas e verbos, pode ainda, na opinião de alguns estudiosos, significar certa alusão à Pérsia [Paras / Parsas - parsim], nação que viria em seguida dominar aquele império, acontecimento que algumas versões bíblicas antecipam [como se escrito com anterioridade aos fatos], após a tradução de Parsim.

Não nos interessam nada estudos filológicos, históricos e outros, que não a identificação comprovada de ocorrências espirituais, no mundo terreno, além da intermediação do profeta [interprete / médium] entre os dois universos.

11. O intermediário entre os mundos terreno e espiritual, aquele hoje denominado médium, é quem decide se deve ou não permitir algum espírito dele se apossar [incorporar], para mensagens a serem, dadas?

I Corintios 14:32, traz: “os espíritos [manifestantes ou que se fazem manifestos] estão sujeitos aos videntes” [profetas ou, conforme estamos colocando, intermediários entre os homens e os espirituais].

Comumente as traduções bíblicas para o português trazem mais ou menos idênticas colocações que, “os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”, obviamente sem muitas possibilidades de esclarecimentos, porque assim o texto não esclarece se estão eles, os espíritos, sujeitos ao próprio profeta ou se aos outros profetas porventura presentes.

Tidas as manifestações como possíveis de acontecimentos, conforme aquilo que está escrito, algumas outras indagações atormentam os cristãos não adeptos de cultos mediúnicos:

O profeta [vidente ou intermediário] pode ou não, de livre e espontânea vontade, receber o espírito comunicante da parte de Deus? 

Pode deixar de transmitir ou interromper uma mensagem espiritual já em andamento através dele, caso lhe seja desagradável ou que lhe venha ocasionar riscos?

O intermediário entre os homens e os espíritos, pode não se deixar possuir pelo espírito comunicante ou frustrar-lhe a mensagem, simplesmente por assim desejar?

Se for o próprio Deus o comunicante [que seja lá através do Espírito Santo, por algum dom especial], tem o homem autoridade suficiente sobre tal espírito?

O texto, reconhecidamente, é bastante complexo para autoridades religiosas, e de difícil entendimento aos fiéis, tem pelo menos três situações são perceptíveis:

O assunto indica claramente manifestações de espíritos em seres humanos, tipo incorporação, possessão ou indução, para determinadas finalidades.

Dá clareza suficiente para entendimento, que de fato cabe ao intermediário [entre os mundos terreno e o espiritual], a decisão de ter em si ou não determinado espírito para comunicações, ou seja, se deve ou não deixar algum espírito dele se apossar [incorporar], para a transmissão da mensagem.

O texto sugere, pelo entendimento atual, possível mediunidade consciente.

Com tais indicações inegáveis, há que se concluir que a Bíblia, também pelo Novo Testamento, admite manifestações de espíritos entre os homens, além de incentivar buscas [mesmo livro e capítulo [I Corintios 14], versos 37 ao 39].

12. Jesus comunica-se com os mortos

Mateus 17:1 a 9 nos traz uma sessão de comunicação com os mortos, materializando-se os espíritos, sendo Jesus encarnado o partícipe principal do evento. O verso 3 é bastante claro: “e lhes apareceu [a Pedro, a Tiago, a João e a Jesus] Moisés e Elias”, reconhecidos de pronto por eles.

Porque Moisés e Elias apareceram a eles e falaram com Jesus? 

Para os cristãos, Moisés representaria a Lei, Elias os Profetas, e ali se fizeram presentes para testemunharem que Jesus era o Messias, e a Ele se subjugarem, uma justificação apenas, sem nenhuma explicativa para o fenômeno do surgimento de dois espíritos que já não habitavam mais a Terra, desde séculos e séculos.

É inegável que o fenômeno trata-se de manifestação espírita, uma realidade tremendamente difícil para aqueles que condenam o espiritismo, até pela presença física de Jesus naquela comunicação entre mortos e vivos.

Mesmo admitindo [o absurdo] que Elias não tenha experimentado a morte física, como ensejam os cristãos não espíritas, sua forma na aparição era nitidamente espiritual, tal qual a de Moisés, e da qual também se revestira ou fora envolvido o próprio Jesus.

13 – Um espírito materializado diante de muitos

Depois de ressuscitado, Jesus apareceu a muitos dos seus, em espírito. Numa das vezes, os discípulos estavam reunidos onde falavam acerca dos últimos acontecimentos [morte de Jesus], quando o Mestre repentinamente apareceu no meio deles, e os sobressaltou, conforme descrito em Lucas 24:37 – “E eles [os discípulos] espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito” – Lucas 24:37. 

Interessante que nenhum dos seguidores de Jesus, o reconheceu de pronto, após a ressurreição, mesmo a morte de Jesus sendo tão recente. Não o reconheceu as mulheres que primeiro o avistaram; não foi reconhecido pelos dois de Emaús que com Ele caminharam; não souberam que era Ele, Jesus, aqueles que pescavam.

Também não sabiam que era Jesus aqueles que, reunidos, viram a aparição relatada em Lucas [24:37]. Mesmo Pedro, Tiago e João, tão próximos do Mestre, e que tiveram oportunidades íntimas de presencia-Lo transfigurado quando do contato com Moisés e Elias, não O reconheceram.

Mas o espírito de Jesus lhes apareceu, com quinhentas ou mais testemunhas ao longo de um período, pós-ressurreição. Embora não reconhecido de pronto, todos sabiam tratar-se de algum espírito, isto é, aparição de um ser desencarnado [morto] ou entidade espiritual, numa evidencia de crendice, dos seguidores de Jesus, nos seres espirituais, nas aparições e nas comunicações.

Os cristãos argumentam que era Jesus ressuscitado, no que concordamos plenamente, mas isto é algo que não exclui a verdade que, ressuscitado ou não, não era físico o Jesus surgido naquelas aparições pós-morte. Se não era Jesus físico mas a aparição ocorrera, natural tratar-se de um espírito manifestante, senão o próprio Jesus espiritual, ainda que não reconhecido de imediato pelos seus.

Se Jesus se mostrou em espírito, comunicou-se e promoveu fenômenos diante de muitos conforme relata a Bíblia, e assim acreditam os cristãos, é porque tais manifestações e feitos são possíveis e não proibidos, pois se assim fossem [proibidos] certamente Jesus não os exerceria.

Que também haja entendimento: Jesus, em espírito, não ficou seguidamente com os discípulos como o fazia em vida, e sim por momentos mais ou menos prolongados, em tipos de sessões ocorridas e algumas outras manifestações esporádicas. 

14 – O fenômeno da reencarnação: a Bíblia não deixa dúvidas

Quando o assunto é espiritismo, o cristão não adepto ao culto, de pronto e inadvertidamente lança ataque à reencarnação, argumentando biblicamente, a seu entender, que ao homem está destinado morrer uma vez só, depois disso vem o juízo, conforme Hebreus 9:27, na mais conhecida passagem bíblica, utilizada contra a teoria reencarnacionista.

De fato, lá está escrito:  – “Aos homens está ordenado morrerem uma vez vindo depois disso o juízo”, enquanto Jó 7:9 atesta que: “Aquele que desce à sepultura, jamais tornará a subir”, da mesma maneira que no mesmo livro Jó 14:14 – “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” numa evidente colocação que a morte é única e irreversível, em diversas outras citações referenciadas.

Em II Samuel 12:23 encontramos, ainda, os dizeres do rei Davi quando perdeu uma criança: “Porém, agora que é morta [a criança], porque jejuaria eu agora? Poderei eu faze-la de novo viver? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”. 

Também somos de parecer que ao homem [por nome fulano, cicrano ou beltrano], encarnado num espaço de tempo, está ele destinado morrer uma única vez naquela existência, depois disso o juízo [de seus feitos], e daí as máximas de Jesus a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” – João 3:7.

Os não reencarnacionistas se defendem que Jesus falava a Nicodemos, da necessidade do batismo, conforme verso 5 do mesmo João 3 : “. . .quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. Bem, aqui ensejam o nascer da água como figurativo do batismo, mas no capítulo 4 do mesmo João, a água dita e prometida por Jesus à mulher de Samaria, tem o significado de vida [no caso, espiritual], conforme Jesus mesmo o afirma.

Mas, Jesus não disse a Nicodemos que o nascer da água é a necessidade de se batizar, porque senão ele diria: é preciso que seja batizado aquele que deseja entrar no reino de Deus. Marcos 16:16 declara: “quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”; o texto não diz quem não for batizado será condenado e nem poderia dize-lo, porque para ser batizado alguém precisa antes crer, sob pena de nulidade do ato, mas nem todos têm condições ou tempo de ser batizado, sem anulações de crenças ou impeditivos para a salvação.

A água tem na Bíblia muitos significados mas, o principal deles e até a ciência o comprova, é ser o símbolo da existência da vida no planeta, ou seja, da materialidade, tanto que Jesus disse: “O que é nascido de carne é carne, e o que nascido do Espírito é espírito” – João 3:6, referindo-se à vida carnal e espiritual do homem.

De fato, a condição essencial para o homem se fazer integrante do reino de Deus, não há estudioso bíblico que a isto possa contestar, é o nascimento carnal, cujo corpo material serve de habitação provisória para o espírito habitar a terra, e nela cumprir os desígnios de Deus num determinado tempo, e depois disto, a morte física e o juízo dos feitos, para depois novos renascimentos na carne, em outras épocas e noutros corpos a serem gerados, tantas vezes quanto necessário para evolução espiritual efetiva.

Por isso no verso 7 de João 3, Jesus reafirma: “Não te admires de eu te haver dito: é necessário que vós sejais gerado de novo”. Cabe a observação que Jesus dirige-se a Nicodemos, na segunda pessoa do singular, mas, quando se refere à necessidade de nascer de novo, o diz no plural referindo-se a todos os homens.

Em João 3:8, Jesus explica seu pensamento a Nicodemos, numa comparação bastante simples e óbvia:  “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”, significando percepções dos efeitos de um fenômeno natural, que se sabe existir, sem contudo lhe ver a origem e direção, comparando tal ilustração com o espírito, que agora está encarnado aqui, mas num futuro não se pode determinar onde, assim como não se sabe ao certo onde esteve no passado.

O diálogo de Jesus e Nicodemos não para por aí, Nicodemos indaga no verso 9 como poderão acontecer tais coisas ditas por Jesus [versículo 8], e Jesus chama-lhe atenções:  “tu és mestre em Israel e não sabes tais coisas?” [verso 10].

No versículo 11 está posto por Jesus: “Na verdade te digo [ele, Jesus, diz a Nicodemos], que nós  dizemos e testificamos o que vimos; e vós [os homens] não aceitais nosso testemunho”. Jesus usa a primeira pessoa do singular para si, quando conversa com Nicodemos, mas se coloca no plural quando diz das coisas espirituais, a significar com isso sua inspiração e/ou comunhão extrafísica com o universo espiritual, ali, no colóquio.  

“Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” – João 3:12.

Óbvio não se tratar de batismo nas águas, o que Nicodemos entendia e muito bem, pois sendo mestre em Israel e estudioso dos fenômenos e acontecimentos sociais e religiosos de seu povo, não lhe passaria desapercebido o levantar de João Batista, dos essênios e tantos outros indivíduos e seitas que se valiam do batismo, como forma de iniciação ou ingresso num determinado culto; o próprio Jesus, também por seus discípulos, era um batizador [João 3:22 e 4:2].

O que Nicodemos não compreendera, ali, era a reencarnação do homem, da mesma maneira que também não compreenderia a geração espiritual humana, nem os desígnios de Deus para a necessária evolução espiritual, razão pela qual Jesus lhe foi determinante quanto a certas especulações pós-morte e celestiais:  “Ninguém subiu ao céu [reino celestial], a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do homem” – João 3:13, palavras de Jesus ao se colocar na condição de espírito evoluído.

E a partir daí o Mestre passou a comentar apenas sobre seu ministério.

15 – Crença na reencarnação e na ressurreição da alma

Entre os judeus, havia a crença na reencarnação, inclusive o grupo de Jesus, conforme vista em Mateus 16:13-14, quando Jesus interroga seus seguidores mais próximos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem”?, e a resposta vem de pronto: “Uns, João Batista, outros Elias, e outros Jeremias ou um dos profetas”.

Lucas 9:19 traz resposta mais ou menos igual, porém acrescida do verbo ressuscitar:: “E respondendo eles, disseram: João Batista; outros Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou”.

Ressurreição vem do latim resuscitare, ou seja, voltar a vida, traduzida do grego anastasis, que significa se por em pé, regressar.

Ressuscitou, à primeira vista e como se encontra em Lucas, quer dizer que algum dos antigos profetas, se levantou da sepultura e se apresentou, dali em diante, como o Jesus profeticamente anunciado, para cumprimento de determinada tarefa entre os homens.

Se à ressurreição, de um profeta em Jesus, fosse dada significação idêntica ou pretendida às outras ressurreições vistas na Bíblia, como as promovidas por Elias, Eliseu e Jesus, os discípulos estariam tremendamente enganados, pois que assim Jesus não teria nascido de mulher, eles não teriam conhecido sua mãe, Maria, nem seus irmãos e irmãs

Também a idade do Rabino provavelmente não seria a mesma, se ele fosse um dos profetas vindos diretamente da sepultura, e sua identificação pessoal não seria Jesus e sim o nome do profeta ressurgido, como fizeram os ressuscitados descritos em Mateus 27:52-53.

Seguramente os discípulos de Jesus sabiam que ele não fora nenhum ressuscitado de tal maneira, mas, aparentemente, podia não ser este o pensamento do povo.

Mirabolância à parte, ressurreição sempre teve dois significados para os judeus e primeiros cristãos, a ressurreição do espírito ao sobreviver à matéria finda, e a ressurreição final também espiritual.

Uma terceira significação, tardiamente posta, é a ressurreição da carne, embora crença firmada na maioria dos atuais segmentos da cristandade, não é bíblica nem científica, sendo inconcebível de se juntar restos mortais de toda humanidade feita pó e novamente lhe dar vida.

Consta que Santo Atanásio tenha sido autor do credo católico que diz “creio na ressurreição da carne”. Reencarnacionista convicto, Atanásio não se pronunciaria assim, e sua posição [pessoal] ideava apenas que, vindo o espírito habitar um novo corpo físico, neste estaria portanto a promover também sua ressurreição, isto é, seu retorno à vida terrena.

Mas Corintios 15:44 afirma efetivamente: “Semeia-se o corpo animal, ressuscitará o corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual”. Numa outra versão: "Há dois corpos, um natural e outro espiritual, e ressuscita o corpo espiritual".

Então, existem dois corpos distintos, um material [animal] e outro espiritual; com a morte do corpo carnal, o espiritual ressuscita, isto é, sobrevive à morte e encaminha-se para algum lugar para o juízo de suas ações na Terra. 

Ressuscitado, julgado seus atos, o espírito retorna a Terra depois de determinado tempo, se o caso, para a reencarnação, ou seja, vir habitar um novo corpo para um certo período de vida que lhe é dado cumprir, até que lhe venha a ultima encarnação e assim a ressurreição final do espírito..

Nestes considerandos, ressurreição é ressurreição, reencarnação é reencarnação. Quem crê na reencarnação não nega a ressurreição, e crer em ambas nada há de contraditório como poderiam afirmar os anti-reencarnacionistas.

Verdadeiramente há que se firmar a ressurreição do espírito após a morte do corpo físico, e a ultima ressurreição espiritual conforme descrição bíblica, quando da libertação final do espírito dos liames que o vinculam a terra, quando ao planeta retornaria tão somente por vontade própria, para alguma grande obra à humanidade.   

Os discípulos de Jesus sabiam ser ele encarnado, conheciam sua parentela, e então o significado certo para ressurreição pretendida em Lucas 19, seria de um Jesus reencarnado e que outrora fora um profeta.

As ressurreições corpóreas bíblicas são todas imediatas e podem constar como condições de redivivos, inclusive as de Lázaro e de Jesus, posto que estavam em cavernas arejadas e não se descartam catalepsias. A compreensão dos judeus para as ressurreições carnais decorridos longos anos pós-morte, se diz tratar de espíritos manifestos numa nova existência física, ou seja, reencarnados. 

Entre os judeus, na época de Jesus, havia não somente a crença na reencarnação, como também admitiam possibilidades de algum espírito evoluído, mesmo que recém-desencarnado, se fazer entrante num determinado indivíduo, para certas missiologias ou obras redentoristas efetivas ou transitórias.

Mateus 14 comprova tal convicção dos judeus, além das possibilidades de entrantes em algum corpo físico, também abandona-lo para ocupar uma outra matéria, uma teoria bastante próxima da transmigração de almas, isto é, de uma alma ou espírito deixar determinado corpo ou nele ser substituído, para ocupar outra matéria, sem necessidade da experiência repetitiva do nascimento, dada urgência das missões. Tais eventos somente ocorreriam com espíritos evoluídos.

Na citação de Mateus, João Batista quando aprisionado, teria interrompido determinada missão, posto sem condições de continuidade, e assim o entrante ou transmigrador [espírito ou mentor que estivera em João] teria optado por Jesus, para continuidade da obra, conforme estabelecem os versos 1 a 3, quando João Batista ainda não havia sido decapitado. Cabe observar que as primeiras pregações de Jesus eram assemelhadas às de João.

Alguns estudiosos acreditam, porém, que Cristo somente assumiu o corpo de Jesus a partir do batismo, para exercício de um ministério, vindo deixa-lo no momento da crucificação.

Também o espírito de Elias esteve sobre Eliseu ou em Eliseu, para nova obra profética, diferente tanto para Eliseu, a partir dali, quanto para o espírito de Elias. Trata-se de filosofia indo/persa absorvida pelos judeus das religiões da Pérsia, com as quais conviveram durante tempos.  

Então em Jesus poderia também estar apenas no espírito e virtude de um dos mencionados? Poderia, e isto implicaria que o Cristo seria um daqueles em Jesus, a partir do batismo, e isto também é doutrina de crenças reencarnacionistas e de evoluções espirituais.

No Antigo Testamento, a mais formidável prova da reencarnação encontra-se em Jó 1:21 – “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei a ela”. Um texto singelo que não admite particular interpretação.

16. João Batista, a reencarnação de Elias

Malaquias 4:5, Antigo Testamento, informa o envio do profeta Elias a terra, como precursor de Jesus: “Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o terrível e grande dia do Senhor”. Em algumas traduções, o mesmo texto se encontra como Malaquias 3:23.

O anúncio da vinda de Elias, está secundado pelo verso 6, ou o 24 [conforme a tradução], informando da missão do profeta, para que o povo pudesse reconhece-lo e saber estar próxima a vinda do filho de Deus. Elias era de fato esperado pelos judeus, desde a promessa em Malaquias, como precursor do Cristo.

Mas os hebreus não esperavam que Elias viesse, na forma de um homem adulto, diretamente do reino de Deus, mas sim em alguém renascido n’algum ser humano, tanto que o procuravam, incessantemente, neste ou naquele líder religioso nascido e levantado dentre o povo. 

Julgaram encontra-lo em João Batista, mas o batizador respondeu que não era ele o Elias que havia de vir, nem mesmo um profeta. Alguns estudiosos espíritas acreditam que João Batista não se lembrava de sua encarnação anterior, outros que ele ainda não tinha consciência de sua missão, e aqueles em defesa que a modéstia fez João responder daquela forma. Infelizmente a Bíblia não tem nenhuma informação a respeito.

No livro Mateus 11:14 e referencias, Jesus reconhece o cumprimento profético de Malaquias em João Batista, ao informar: “Oras, se quereis admitir, ele [João Batista] é o Elias que há de vir”. Mais adiante, Mateus 17:12-13, Jesus acrescenta: “Digo-vos que Elias já veio, e não o reconheceram, mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem. Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista [morto recentemente a mando de Herodes]”.

Jesus disse que João Batista, um homem nascido de mulher, é o Elias aguardado, e não alguém semelhante a ele ou com ministério idêntico.

Os espíritas se apegam a estes textos em Malaquias e Mateus, para a comprovação da doutrina da reencarnação, como reconhecimentos pronunciados pelo próprio Jesus, que significam Elias renascido em João Batista.

Porém, os cristãos que condenam a doutrina espírita como antibíblica, apresentam uma série de argumentos com intenções de descaracterizar aqueles textos e, conseqüentemente, dar significados diferentes às palavras de Jesus. Eis o que dizem:

Não existe na Bíblia a palavra reencarnação, Jesus não a pronunciou.

Reencarnação é uma palavra moderna, do século XIX, portanto não poderia figurar como tal nas páginas da Bíblia, e Jesus não a disse mesmo em momento algum. O que Jesus pronunciou foi renascimento, ser gerado de novo, João 3:7, exatamente com o mesmo significado de reencarnação, ou seja, nascer novamente.

Palingenesia é a palavra grega para reencarnação em português, e ela consta de alguns textos bíblicos no antigo e novo testamento, embora sempre posta nas traduções ou versões, como recriação ou regeneração [Mateus 19:28, Tito 3:1-5 e referências].

Deve-se atentar que os cristãos não reencarnacionistas não admitem a pré-existência da alma, ou seja, que a alma é criada no exato momento da concepção. Jeremias 1:5, no entanto, diz textualmente ser conhecido antes mesmo do ato da sua fecundação, o que só pode significar pluralidade de vidas.

O que Jesus quis realmente dizer, foi que João Batista tinha apenas o mesmo ministério profético de Elias.

Jesus não disse que João Batista era apenas semelhante a Elias quanto ao ministério profético, ou de caráter igual, nem que tivesse a mesma aparência física.

Os hebreus esperavam a volta de Elias, como ser humano renascido, ou seja, o seu espírito n’um novo corpo material.

Que Elias não morreu e portanto não poderia reencarnar-se.

Quando se diz que Elias não morreu, os não reencarnacionistas fundamentam-se em II Reis 2:1 e seguintes, com atenções ao versículo 11, entendendo ter sido Elias arrebatado aos céus, de corpo e alma, ou seja, uma pretensão que referido profeta não tenha experimentado a morte.

Tal pensamento não tem respaldo bíblico, já no próprio texto, II Reis 2, que em momento algum fala no arrebatamento do profeta, em corpo e alma, da terra diretamente para o reino de Deus, menos ainda que não tenha morrido.

O que está efetivamente escrito, é que “indo eles [Elias e Eliseu], andando e falando, eis que, um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro e Elias subiu aos céus num redemoinho”, ou, conforme outras traduções, “Elias foi levado por um turbilhão”, ou ainda, “foi elevado aos ares num vendaval”. Não importam aqui as palavras, cujos significados não deturpam o sentido pretendido, vez que Elias foi apanhado e carregado por fortíssimo vento e “Eliseu nunca mais o viu”,  conforme o versículo 12.

As expressões sugeridas por Eliseu diante dos acontecimentos, “meu pai, meu pai, carros e a cavalaria de Israel”, partes do verso 12, bem realçam a força e poder do remoinho, comparado à força e poder da nação hebréia, aos olhos de seus naturais.

O quadro do arrebatamento sugere, portanto, mais a descrição figurativa de um fenômeno natural conhecido como ciclone, do grego kycloma, um turbilhão que se manifesta pela formação de grande nuvem escura, com prolongamento em forma de cone invertido, que torneando em si em altas velocidades, desce à superfície como remoinho a provocar, primeiramente, tremendo levantamento de pó, que lhe dá cor avermelhada dependendo o solo e cria figuras aleatórias imaginativas, para em seguida partir como espiral, elevando aos ares e a arrastar praticamente tudo em seu caminho, até, muito além, a perder suas forças e aos poucos a deitar tudo espalhado ao chão.

Elias foi tomado e levado às alturas por tal remoinho, não se sabendo para onde conduzido e nem arremessado, situação que também pode ser vista e bem esclarecida em Eclesiástico [48:2 ao 12], tratando-se de um livro bíblico aceito apenas por uma parte da cristandade, os católicos.

A Bíblia diz que Eliseu não mais viu Elias, demonstrando um certo período de procuras, ainda que curto, entre os acontecimentos e a volta de Eliseu, com o manto de Elias [símbolo do poder], para junto dos profetas, que não mais estavam próximos do rio Jordão [versículo 7], quando Eliseu e Elias transpuseram-no, e sim em Jericó [verso 15], cidade situada mais distante, a oeste e não às margens do rio.

Os profetas [o mesmo que videntes – I Samuel 9:9] viram o espírito de Elias sobre Eliseu [II Reis 2:15], entendendo assim que Elias já não mais estava fisicamente entre os viventes, e então se apressaram em reconhecer Eliseu como novo líder.

Os mesmos profetas, ouvindo a narrativa do que acontecera a Elias, se prontificaram em procurar pelo corpo do profeta desaparecido, segundo registro bíblico: “pode ser que o elevando a força do Senhor [o vendaval, turbilhão ou tornado], o tenha lançado nalgum dos montes, ou nalgum dos vales” – II Reis 2:16.

A despeito dos esforços de todos, o corpo de Elias não foi encontrado, o que não significa que ele tenha sido arrebatado em carne e espírito para o reino de Deus, ou que não tenha morrido.

Outras citações bíblicas provam ser impossível Elias não haver morrido, a exemplo de Romanos 5:12, onde consta que a morte passou a todos os homens, sem exceções, como meta obrigatória a todos, não somente pelo estabelecimento físico, como também a necessidade espiritual de tal processo. 

Gênesis 3:19, afirma que o homem carnal é pó e ao pó voltará, enquanto que o livro I Corintios 15:50  esclarece que a carne e sangue não podem, jamais, herdar o reino de Deus.

Não bastassem tais argumentos, cabe lembrar que Jesus afirmou, categoricamente, que ninguém subiu ao céu [reino de Deus] – João 3: 13.

Elias não poderia ser João Batista, pois, se assim o fosse, seria João [e não Elias] quem se apresentaria ao lado de Moisés junto a Jesus, no episódio da transfiguração.

O texto que embasa a argumentação, encontra-se em Mateus 17 e referencias.

Os não reencarnacionistas acreditam que um espírito desencarnado, tem obrigação de se fazer manifestar em sua ultima fase terrena, e assim, deveria ser João Batista a se apresentar com Moisés ao lado de Jesus e não Elias. João fora morto então recente.

Somos de opinião que um espírito escolhe a melhor forma que lhe aprouver, para manifestação, e não obrigatoriamente sua ultima forma terrena.

Alguns estudiosos apontam que sendo Elias o nome máximo do antigo Profetismo hebreu, assim como Moisés o é da Lei, justo então serem eles a se fazer presentes no episódio da transfiguração, como símbolos para os objetivos pretendidos.

Outros analistas, indo mais a fundo, apontam em João 3:25-26 certas animosidades entre os seguidores de Jesus e os discípulos de João, e não seria inteligente, nem benéfico um espírito evoluído apresentar-se como alguém que poderia gerar algum conflito.

Na realidade os que condenam o espiritismo, tendo como argumento a presente justificativa, óbvio que desconhecem a doutrina espírita. Para o episódio da transfiguração, João era morto recente e o espírito optou pela melhor forma de sua apresentação, ou seja, na figura de Elias.

17 – Textos bíblicos que “parecem” contraditar a reencarnação e até podem confundir

Jó 7: 1-10, com destaques para os versos 9 e 10, é bastante utilizado pelos não reencarnacionistas que o homem, ao morrer, jamais volta à vida terrena. Está escrito naqueles versículos: “Tal como a nuvem que se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá”.

O texto se refere, sem dúvidas, ao corpo da natureza, o humano, o qual descendo à sepultura, jamais dela retornará, considerando que o ser humano possui um corpo da materialidade e outro espiritual, que naquele se abriga. Morto o homem ressuscita-lhe o corpo espiritual, conforme posto em I Coríntios 15:44 “Semeia-se o corpo animal, ressuscitará o corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual”.

O homem morre uma única vez [Hebreus 9:27], e isto está de acordo com o referido texto de Jó, mas não anulam algum novo renascimento ou nova reencarnação.

Eclesiastes 12:7 informa que o corpo material volta a terra, que antes era, e o espírito volta a Deus.

E assim, a Bíblia informa [Eclesiastes 3:15], “o que é já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou”, ordenança declaratória da continuidade das ações humanas, progressivas à perfeição, ante da grandeza de Deus do tudo saber, antecipadamente, e das leis postas.

Deus pede conta do que passou numa encarnação com o indivíduo [ser espiritual], lhe dá oportunidades outras para correções, sempre que vê a impiedade no lugar do juízo, impiedade no lugar da justiça, conforme o verso 16 do mesmo Eclesiastes 3.

A continuidade daquele capítulo 3 estabelece que “Deus julgará o justo e o iníquo, porque está determinado o tempo para cada tarefa e sobre cada ação, no além”.

Tal ação divina [Eclesiastes 3:17 ao 22] somente pode ser compreendida como o final de cada existência terrena, para provar os espíritos e mostrar-lhes que, inicialmente, foram brutos como bruta a matéria primeira a abriga-los, hoje evoluída [homo sapiens sapiens], todavia, ainda a manter, na condição de homem [físico], uma vida terrena similar a do animal, necessitando das mesmas condições básicas que aqueles, presos ao fôlego de vida e à alimentação além de ser vivente apenas por um tempo estabelecido, ou seja, situação que é a mesma para todos, pois, como morre o animal irracional, assim morre o homem físico racional, posto que “tudo [humano e animal] vai acabar num mesmo paradeiro, pois que tudo procede da terra e para a terra retorna” – verso 20.

“Quem sabe se o espírito do homem subirá e o do animal descerá, para baixo da terra?” – Eclesiastes 3:21.

Há uma indagação em Jó 14:14 – “Morrendo o homem, porventura poderá viver novamente?” A resposta encontra-se no mesmo verso: “esperarei todos os dias do meu serviço compulsório, para vir a minha substituição”., deixando claro que Deus não limita o renascimento humano, ratificado em II Macabeus 7:23 – “Portanto, o Criador do Universo, que formou o homem no seu nascimento e deu origem a todos os seres, devolver-vos-á misericordiamente o espírito e a vida, assim como agora sacrificais a vós mesmos pelas suas leis”.

18 – Isaias 48:8 – Erros e acertos advindos de outra existência

“. . .porque eu [Senhor Deus] sabia que obrarias muito perfidamente, e que eras prevaricador desde o ventre”. 

Referida citação discorre sobre a nação hebréia, com antigas e novas predições à casa de Jacó, onde se faz uma alusão ao velho patriarca, chamado de transgressor desde o ventre materno, porque o Senhor o sabia assim.

Como poderia uma pessoa ser má antes do nascer, senão dada uma existência anterior? Ou seria Deus injusto a tal ponto de. . .

Evidente que os não espíritas firmam embasamento que esta é uma passagem meramente ilustrativa, portanto sem validade alguma para se firmar doutrina ou mesmo apoio a alguma tese reencarnacionista.  

Gênesis 25:22 e 23 – “. . .e foi consultar o Senhor, e o Senhor lhe respondeu dois povos estão no seu seio, e dois povos se separarão de suas entranhas; um será mais forte que o outro e o mais velho servirá ao mais novo”.

Se não evocarmos a pré-existência do espírito [alma], onde a justeza divina a determinar a um a servidão e a outro a grandiosidade superior?

Não considerar, portanto, a necessidade reencarnatória, seria algo bastante desastroso em termos de justiça divina, por parte do Todo Poderoso.

19.  Dos juízos reencarnatórios

João 9, 1-3: “Quando Jesus ia passando, viu um homem que era cego de nascença, e os discípulos perguntaram: "Mestre, quem pecou, para este homem nascer cego, foi ele ou seus pais? "Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais, mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele".

A pergunta reflete que a deformidade física era vista, pelos discípulos, como conseqüência e culpa, quer do indivíduo quer de algum dos antepassados, de vidas passadas.

Como poderia um cego de nascença ter pecado e assim nascer, sem a crença em existências anteriores?

De que maneira identificar o erro presente dos pais, se a maldição contida no decálogo [Êxodo 20:5] somente recairia na terceira e quarta geração? “. . .sou um Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos, na terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”.

Os reencarnacionistas dizem que os discípulos acreditavam em existências anteriores, diante do princípio: “. . . e então dará a cada um segundo suas obras" – Mateus 16:27, pelo que ninguém paga pelo erro do outro, destinando-se a cada um responsabilidade dos atos praticados.

A anti-reencarnação, todavia, aponta que os discípulos tinham dúvidas e, portanto, sem opinião firmada quanto às causas das deformidades físicas. Também, a resposta de Jesus parece corroborar com a argumentação, diante do exposto: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas é assim para se manifestarem nele as obras de Deus”. 

Outra argumentação contra a reencarnação, estaria na própria Gênesis 20:5 mencionada, posto que o texto conforme traduções bíblicas oficiais, seria: “. . . visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração. . .”.

Realmente pairam dúvidas se a tradução correta seria “na terceira e quarta geração” ou “até a terceira e quarta geração”, e isto é de fundamental importância para a tese da reencarnação, posto que se fiel o texto “até a”, Deus puniria de imediato filhos, netos, bisnetos e tataranetos daqueles que viessem pecar contra seu nome, ainda que isto pudesse implicar numa tremenda injustiça do Criador.

Por outro lado, se a realidade tradutória for “na”, isto vem a favor do reencarnacionismo, posto que o erro cometido por um indivíduo, seria dele mesmo cobrado numa outra encarnação, na terceira ou quarta geração futura, tempo suficiente para desencarne e reencarne.

Para evitar polemica desnecessária quanto a tradução correta, deixamos que a própria Bíblia possa dirimir as dúvidas: “Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelos seus pecados” – Deuteronômio 24:16, reafirmado, entre outras referências, em II Reis 14:6 – “Porém o filho dos matadores não matou, como está escrito no Livro de Moisés, no qual o Senhor deu ordem dizendo: Não matarão os pais por causa dos filhos, e os filhos não matarão por causa dos pais; mas cada um será morto pelo seu pecado”. 

Algumas dentre as muitas citações bíblicas, corroboram quanto à individualidade do erro e sua punição: Jó 10:14 – “Se eu pecar, tu me observas, e da minha iniqüidade não me escusarás”. Naum 1:3 – “. . .e ao culpado, Deus não tem por inocente”. Ezequiel 18:4 – “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá”.

Posto citações quanto ao princípio da responsabilidade individual, notório está que Êxodo 20:5 somente estaria correto se traduzido: “. . .sou um Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos, na terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”.

Voltamos a João 9:1-3, quanto à resposta de Jesus: “. . . Jesus respondeu: "Nem ele nem seus pais [pecaram], mas isso aconteceu para que as obras de Deus se manifestem nele".

Não é difícil compreender, que a resposta de Jesus foi muito mais diante do entendimento dos seus seguidores quanto à reencarnação e a lei da causa e efeito, que das pretendidas duvidas da ignorância e atraso espiritual deles, sem a necessidade do milagre do rabino no sentido de despertar as criaturas para as verdades de Deus.

Jesus promoveu o milagre, eliminação do efeito [cegueira], simplesmente porque naquele momento podia faze-lo, no instante que se encerrava a causa desencadeante da enfermidade, e assim naquele homem se manifestasse a obra de Deus. 

Outra situação bíblica que diz dos juízos de Deus, encontra-se em Isaias 26:14 – “Os mortos não reviverão, os trespassados não ressurgirão, porque os destruístes, e deles apagastes toda lembrança”.

Invariavelmente os anti-reencarnacionistas usam referida passagem contra aqueles que defendem o renascimento do espírito, num outro físico, sem muito se importar que com isso também venham excluir a doutrina da ressurreição da carne.

Evidente que o autor do capítulo 26 de Isaias se valeu de uma linguagem simbólica, para depreciar gentes dominadoras dos hebreus, condenando-os não usufruir os beneplácitos divinos numa outra vida, porque ela lhes será negada.

Para os hebreus, a promessa é bastante diferente: “Reviverão os vossos mortos, ressurgirão os cadáveres, despertarão e cantarão os que jazem no pó, porque orvalho restaurador é o vosso orvalho, e o fareis cair sobre a terra dos trespassados” – Isaias 26:19.

Identificados os dois versos, lado a lado, dentro do texto e contexto, claro tratar-se de uma parábola comparativa com finalidade pedagógica de alerta aos não dispostos, vez que ao primeiro está determinado a necessidade da reencarnação, ainda, enquanto ao segundo, já cumpridas as exigências de uma ultima roupagem terrena, a glória para a ressurreição final.

20. Das conclusões

Não vamos concluir presente trabalho com citações nominais dos vultos da humanidade, que professavam ou professam a favor ou contra a reencarnação. Também não citaremos as grandes civilizações e a reencarnação, ou a reencarnação ao longo da história, nem que o cristianismo inicial professava efetivamente ou não aquela doutrina, até que no Concílio.  .  .etc.

Nosso objetivo foi tão somente destacar se a reencarnação e a pluralidade de vidas, constam ou não de textos bíblicos e de que maneira, assim como certas manifestações de espíritos do bem e do mal, além das crenças e aceitações daqueles que se intitulavam eleitos de Deus.

Conforme claro ao longo deste estudo, os hebreus não tinham uma idéia bem definida do que efetivamente viria lhes acontecer pós-morte. Ao menos é isso que nos tentam passar os autores dos livros, através dos tradutores e copistas, deixando certas lacunas aparentemente propositais, que suscitam dúvidas, lançam pressupostos, mas excluem fundamentos para doutrinas a favor ou contra a reencarnação.

Da mesma forma o cristianismo, pela Bíblia, não apresenta nenhuma doutrina sobre a reencarnação, de forma transparente que não venha deixar dúvidas quanto às exigências e acontecimentos de fato.

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, todavia, falam sim de reencarnações, manifestações de espíritos, consultas aos mortos, com clareza suficiente que torna impossível não entender que tais fenômenos eram objetos de aceitações, ou que aconteciam ou que eram crenças estabelecidas. 

Óbvio que para isto há de se seguir a lógica do existir espíritos e um Deus que lhes deu forma, vida e destino, sem entrarmos em questionamentos do porque disso tudo ou dessa estranha realização do Criador que, entre tantas obras mal acabadas, fez criaturas viventes imperfeitas para a perfeição, através de um longo processo depurativo evolucionista.

CRÉDITOS

O presente trabalho acha-se inteiramente fundamentado nas Sagradas Escrituras Judaicas e Cristãs, portanto, de domínio público; no entanto, alguns créditos são necessários para entendimentos:

(1) -Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas – N.M.E, Edição Brasileira de 1967, Editores: Watchtower Bible adn Tarct Society of Newq York, Inc., mais popularmente conhecida como Bíblia das Testemunhas de Jeová.

(2) - Leon-Hippolyte Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardek. Codoficador  do Espiritismo.

(3) - A escrita grega e sua transliteração, foram obtidas via internet, http://geocities.yahoo.com.br/fabiohpbr2001/nsrb.html

(4) As acentuações das palavras transliteradas do hebraico estão incorretas, por inabilidade do autor em coloca-las pelo computador, e tão somente servem para demonstrar as sutis diferenças onde os sinais são invertidos.

(5) - Os se’irim, embora mencionados na Bíblia como espíritos existentes [reais] e danosos ao homem, são na verdade tidos como personagens do antigo folclore judaico.

(6) - Yavé [Javé ou Jeová], biblicamente era um sló [espírito] protetor tribal, que veio suplantar os demais s’loim [eloim ou elohim] – deuses – da cultura hebraica assimilada dos povos mesopotâmicos. Javé faz sua estréia bíblica a partir de Gênesis 2:4 com uma criação universal notoriamente palestínica, contrapondo-se ao Elohim – assembléia dos deuses – citado de Gênesis 1:1 a 2:3. A partir do capítulo 3 de Gênesis, há uma alternância de Elohim e Javé, até a prevalência total deste ultimo, às vezes adotando outros nomes, conforme atributos que lhe são acrescidos. Tanto um quanto outro são, na verdade, espíritos ou entidades elevados na categoria de deuses.

(7) - Notas PIBR – Pontifício Instituto Bíblico de Roma – referente Números 11:25.

(8) - Notas PIBR , Isaias 8:19 ao 23 [o 23 constante dos manuscritos mais antigos e posto naquela versão], trata-se de passagem obscura e desconexa,  num texto corrompido e lacunoso em partes, e qualquer transposição para elucidar o assunto, é arbitrária.

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